25 outubro 2010

A renda per capta e o consumo das famílias


A economia brasileira está próxima de alcançar a marca de US$ 10 mil de renda per capita. Com isso, o país se coloca acima da média mundial. Trata-se de uma mudança de fundo estrutural, que resulta da superação da produção industrial pelo setor de serviços, em termos de importância sobre a geração do PIB. Um processo similar ao que aconteceu nos outros países e que indica, em geral, o caminho da duplicação do PIB num cenário de dez anos. Os Estados Unidos alcançaram a marca de US$ 10 mil per capita em 1978 e dobraram esse valor dez anos mais tarde. O Japão, por sua vez, precisou de apenas quatro anos para o PIB per capita saltar de US$ 10,8 mil em 1984 para US$ 23,9 mil em 1988. O quadro abaixo, publicado pelo Portal IG, mostra quando alguns países atingiram essas marcas:
Foto: Arte iG – PIB per capita pelo mundo
Isso indica que as famílias passam a ter mais opções de gastos com consumo de produtos e serviços mais sofisticados. A renda das famílias é um indicador econômico da maior importância, mas em geral é subestimado pelos analistas econômicos. Indica não apenas o dados macrossociais como práticas, hábitos, costumes e imaginários. Por exemplo: com o aumento de renda da classe C, que vem ocorrendo no Brasil, seus gastos com vestuário se tornaram duas vezes maiores que os das classes D e E, enquanto as despesas com pagamento de prestações chegam a ser três vezes maiores entre uma classe e outra.
O consumo das famílias respondeu por 4,1% do PIB em 2009. Estima-se que, em 2010 alcance 6,4% do PIB, algo em torno de R$ 230 bilhões.

Um comentário:

Anonymous disse...

Realmente a Renda Per Capita diz muito sobre o desempenho econômico de um país. No Brasil, onde existe uma péssima distribuição de renda, esse é um dado preocupante. Quer dizer, daqui a 10 anos o Brasil vai ter menos da metade da renda que os EUA possuem hoje. Se consideramos que a elevação da RPC deve-se principalmente ao fato do faturamento das grandes empresas ter aumentado de forma considerável nos últimos 10 anos, a renda das famílias mais pobres continua no padrão dos paises sub-desenvolvidos.
Isso demonstra que os mecanismos de transferência de renda são importes, mas não resolvem o problema da desigualdade social, isso por que o Bolsa Família tem um peso muito mais significativo sobre trabalho do que sobre o lucro. Em outras palavras, quem trabalha, trabalha para manter o lucro das empresas, para manter o estado e para manter quem não trabalha ou possui sub-renda.
O que vai mudar até 2020? Os pobres vão poder compra mais 20 vezes mais celulares? 20 vezes mais TV’s para assistir aos programas da Globo? Assinar Sky para ver 20 vezes mais programas americanos? Vão comer 20 vezes mais hamburguês da McDonald? Vão ter 20 vezes mais bolsas do Prouni para estudar na Esamaz.
É essa a Política de longo prazo que o PT pensa para o Brasil, um processo de americanização do consumidor. Para o povo lixo eletrônico e gordura tranz. Para as grandes empresas lucros bilionários.
Gostaria que em 2020 os brasileiros tivessem educação, saúde, comunicação, emprego, moradia 20 vezes melhor do que temos hoje, mas acho que teremos que nos concertar com mais bolsas e mais empregos de US$ 300.