Eu e meus amigos da Confraria do Mururé concordamos numa coisa: há um déficit de representação política do Pará. Essa é a mensagem passada pela votação dada ao deputado Arnaldo Jordy e à senadora Marinor Brito, tal como, aliás, eu comentei aqui, meses atrás. É um voto que vem de uma camada da população que não aceita mais uma política que seja feita como projeto de poder. Uma camada da população que, sufocada pela péssima, a bárbara administração do prefeito Duciomar Costa, mas também por uma frustração em relação a PT que governa e se elege como projeto de poder, começa a exigir um projeto diferente. O que seria um projeto diferente? Um projeto de sociedade, e não, meramente, um projeto de poder. Essa situação permite pensar que, em 2012, há forte chance de que a sociedade leve, ao segundo turno, alguém com esse perfil. Edmilson, Jordy, Marinor, algum nome assim, alguém cuja figura pública possa ser apropriada, pelo imaginário eleitoral, como alguém que tem um projeto de sociedade. De outro lado, certamente, estaria alguém que vem da política tradicional, a política que agrega por meio do comércio dos cargos, das benesses, das padrinhas.
O mundo está estarrecido com com o genocídio Yanomami. As imagens chocantes atravessam o planeta e atestam o que todos já sabiam: houve genocídio. E não há como Jair Bolsonaro não ser imputado por esse crime. Dados obtidos pela plataforma SUMAÚMA mostram que, durante o governo Bolsonaro, o número de mortes de crianças com menos de 5 anos por causas evitáveis aumentou 29% no território Yanomami. Foram 570 crianças mortas, em 4 anos, por doenças que têm tratamento. E isso pode não ser tudo, porque o conjunto das terras indígenas em território brasileiro sofreu, ainda de acordo com o Suamúma, um verdadeiro apagão estatístico durante o governo de extrema direita. O legado de Bolsonaro é um dos mais aviltantes da história do Brasil. Não é de hoje que as terras Yanomami, onde vivem quase 30 mil pessoas indígenas, são agredidas pela especulação do garimpo ilegal, da pecuária ou da cultura do arroz, mas nunca se viu um apoio tão grande do Estado brasileiro a essas atividades....
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