01 maio 2011

Hoje estreia a primeira minissérie da TV Brasil


Uma menina virgem, filha de um pastor evangélico e moradora de Marechal Hermes, subúrbio do Rio de Janeiro, é descoberta pelo mundo da moda. O que seria o sonho de muitas garotas acarreta problemas em família e transformações na vida de Natália, interpretada por Aisha Jambo. “Foi um privilégio fazer a série porque me permitiu experimentar coisas que eu nunca tinha feito como atriz. Além da parceria com a equipe e com atores como o Guti Fraga”, revela a atriz.
A minissérie que estreia no dia 1º de maio, às 22h30, na TV Brasil, mostra o glamour, os bastidores do mundo da moda, o carisma e, ainda, os problemas da periferia carioca sem levantar bandeiras, mas propondo vários diálogos com o público. Numa abordagem realista e, eventualmente cômica, os personagens que cercam Natália participam das questões polêmicas, atuais e relevantes ao jovem, como sexualidade, religião, distúrbios alimentares, drogas, aborto, homossexualismo, racismo, alcoolismo, namoro virtual e muitos outros. “Religião e moda são duas coisas muito fortes na cultura brasileira e são assuntos pouco explorados pela ficção”, conta Patrícia Corso, coautora da série.
Sob a direção geral de André Pellenz, a série tem como diretor convidado Marcus Baldini, mesmo diretor do filme Bruna Surfistinha. Produzida pela a Academia de Filmes, uma empresa do grupo INK, a série, de 13 episódios, apresenta dois núcleos dramáticos: a agência de modelos e a família da personagem principal. “Natália foi filmado em locações reais com dois mundos diferentes. Um ambiente de subúrbio e a agência de modelos na Zona Sul”, explica o diretor. Durante a narrativa, Natália deixar de ser uma menina tímida, que tinha a vida designada pela família, para se transformar numa mulher de sucesso, que sabe o que quer e não vai mudar suas escolhas por nada nem por ninguém. As decisões dessa heroína vão modificando as vidas de todos os que a cercam, tanto psicologicamente, quanto financeira e emocionalmente.
O elenco conta com atores renomados como Guti Fraga que faz o pai de Natália, o pastor Marcelino. “Esse papel foi um desafio muito grande na minha carreira, eu engasguei como esse personagem”, revela Gutti que ainda disse ter se inspirado no início da Igreja Universal no Rio. Outro destaque é a participação de Maurício Branco que interpreta Glória, coach da agência. “O personagem não é um gay estereotipado. Ele ajuda no processo de transformação da garota humilde numa top modelinternacional”, resume Maurício.
Estreando em um grande papel, Michelly Campos reforça a trama vivendo a controversa Daiana, irmã de Natália. “Eu acho que os jovens de baixa renda, que são excluídos do consumo cultural, dificilmente são retratados. Mas Natália cumpre esse papel. É muito verossímil”, afirma Michelly. Ainda no time dos grandes artistas, Cláudio Lins interpreta Otávio, booker  de Natália, e Claudia Ohana faz a dona da agência, Maria Isabel.
Vencedoras do edital do projeto FICTV/Mais Cultura, Natália, Brilhante F.C. e Vida de Estagiáriosão as primeiras produções de teledramaturgia da TV pública. Voltadas para o público jovem, as séries usam a comédia, drama e emoção para contar histórias e descobertas típicas da idade em 13 episódios cada.
O projeto FICTV/Mais Cultura é uma realização da TV Brasil, do Ministério da Cultura e da Sociedade Amigos da Cinemateca. Lançado em dezembro de 2008, o concurso recebeu 225 projetos de todo o Brasil. O objetivo é abrir espaço para a juventude brasileira ocupar um lugar de destaque na teledramaturgia nacional sem os estereótipos normalmente associados a eles.
Após uma criteriosa analise técnica e, baseada em uma pesquisa sobre o perfil dos jovens brasileiros, além de discussões realizadas no seminário Juventude de Teledramarturgia – organizado em outubro de 2008 – com as participações do MinC, TV Brasil, emissoras públicas, televisões comerciais, pesquisadores, roteiristas, diretores e produtores independentes, a Comissão de Seleção do FICTV/Mais Cultura escolheu oito projetos. Os pilotos foram exibidos pela TV Brasil nos anos de 2009 e 2010. Dos oito, três saíram vencedores e receberam R$ 2,6 milhões do Ministério da Cultura para produzir uma série de 13 episódios, de 26 minutos. Os episódios foram produzidos em 210 dias e durante esse tempo os produtores passaram por oficinas de supervisão nas áreas de direção, casting e direção de produção.

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