14 agosto 2011

O Brasil está segurando na cauda da crise?


E se a crise chegar por aqui? Será que, tal como em 2008, o país resiste? Naquele ano entramos em recessão, mas nos recuperamos rapidamente. E agora, estaremos preparados?
Bom, os números de partida parecem bons, pois indicam que estamos mais fortes. Em setembro de 2008, por exemplo, tínhamos US$ 205,7 bilhões de reservas. Hoje, temos US$ 349,6 bilhões.
Como os economistas gostam de apresentar dados sobre o “colchão de liquidez” para medir a vulnerabilidade dos países à crise, temos que lembram que, agora, temos R$ 420 bilhões em termos de depósitos compulsórios recolhidos ao Banco Central, contra R$ 270 bilhões em 2008.
Com esses números, o pais estaria mais preparado, teoricamente, para enfrenta um novo espasmo da crise. Mas... será que o novo espasmo vai ser da mesma natureza que o anterior?
A característica central da crise de 2008 foi o excesso de endividamento do setor privado nos países ricos. Esse fato levou a uma dinâmica de crise bancária e ao travamento do crédito.
A receita de quase todo mundo foi desafogar o crédito, por meio da transferência de grande parte da dívida do setor privado para o setor público. Procurou-se medidas de alívio monetário e fiscal para, com isso, destravar os bancos.
Em 2008, o Brasil reagiu muito bem à crise. Usou instrumentos fiscais, como a redução de impostos, e monetários, estimulando a oferta de crédito por meio dos bancos oficiais. Porém, também como nos demais países, houve um acúmulo da dívida no setor público. O caso brasileiro é bem menos grave que nos demais países, sobretudo os da zona Euro, e isso parece ser o melhor elemento para fugir ao caos presumível.
Mas é preciso ficar de olho no que está acontecendo, porque, de qualquer forma, a O que parece claro, neste novo espasmo da dívida, é que, em função da receita empregada, o problema dos bancos migrou para os governos.
De acordo com cálculo dos economistas Kenneth Rogoff e Carmen Reinhart, publicados no jornal Valor, as dívidas públicas das nações ricas cresceram, em média, 134% entre 2007 e 2010. A média histórica desse crescimento, registrada em crises anteriores, era de uma alta de 86%. Esse crescimento das dívidas soberanas chega a superar as altas históricas da Primeira Guerra Mundial e da Depressão de 1929.
A desconfiança dos mercados internacionais em relação à capacidade financeira da Grécia, Portugal, Espanha e Irlanda decorre dessa situação, desse crescimento das dívidas públicas nacionais.
Gostaria de entender como o governo Dilma se posiciona a respeito.

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