19 setembro 2011

A mesquinhez do jornalismo: o factóide sobre a inelegibilidade de Ana Júlia

Uma notícia foi produzida para o fim de semana: a de que o TRE tornara a ex-Governadora Ana Júlia, bem como Anivaldo Vale, candidato a vice-governador, em sua chapa, nas eleições de 2010, inelegíveis.

Produzida é a palavra certa, pois a notícia não era verdadeira. Era mais um factóide, um fato conscientemente alterado, uma inverdade, uma mentira, explorada pela imprensa para gerar um impacto com objetivo eleitoral, político e econômico.

O TRE, conforme nota divulgada pelo advogado da ex-Governadora, João Batista Vieira dos Anjos, lhe aplicara, em verdade, uma multa. E multa não é a mesma coisa que " inelegível".

Mas o coro dos jornalistas alinhados com os opositores da ex-Governadora rapidamente fizeram seu estardalhaço a respeito.

Meu vizinho comentou comigo: "É a festa das hienas!".

Em verdade, é o padrão de jornalismo mais recorrente que se tem feito no Pará: o jornalismo do interesse partidário. Em alguns casos, do interesse ideológico. Sim, porque para alguns, que simplesmente não gostam do PT, nem vale à pena checar os fatos, se a notícia for " negativa" para o PT.

Achei engraçado quando li, hoje, alguns deles dando suas explicações. Forjando desculpas, vociferando insultos para encobrir seus erros e suas omissões. Um deles comete a indelicadeza de chamar a ex-governadora de Ex-Excelência. Desrespeitoso, não? Sim, e mesquinho também.

Estratégias retóricas para desviar a atenção da mancada cometida e salvar reputações. Que jornalismo precário! Feito de omissão e ignorância.

4 comentários:

Anônimo disse...

Jornalismo de interesse partidário também é o que o senhor faz aqui neste blog. Como pesquisador em Comunicação e defensor da ética jornalística, me parece uma atitude contraditória. Da grande imprensa podemos esperar isso, já que é regida por interesses comerciais e políticos. Mas de um estudioso? A decepção é muito maior.

Fabio Fonseca de Castro disse...

Discordo. Deixo claro que este blog é de opinião - não de jornalismo - e tento fazer com que minha opinião seja sempre clara e coerente. Ela tem visão de mundo, tem partido e tem ética. Erros cometo, certamente, mas procuro corrigí-los e me submeto à opinião pública para poder debater com ela e para participar da sua construção. Aqui não há notícias falsas. Não produzo factóides. Produzo crítica e sei fazer autocrítica. Já a fiz inúmeras vezes. O compromisso que tenho neste blog é o de lera realidade e os fatos a partir do ponto de vista que, sem meias-palavras, enuncio. Meu lugar de fala é claro. E isso é muito diferente dos jornalismo que menciono no post.

Laura Maria Carvalho Brito disse...

A posição do professor Fábio é inequívoca. O anônimo aí de cima é que está tentando distorcer os fatos. Por que um intelectal não pode ter posição? Por que não pode ter partido? Para ser intelectual precisa pairar acima do bem e do mal? Essa imagem de intelectual apolítico e "independente" é o supra-sumo do cinismo, da hipocrisia e da mesquinhez que o professor Fábio Castro denuncia. Para ser intelectual, então, tem que ser apático? Tem que concordar com a maioria? Sei muito bem que a academia atual tende a ser quieta e omissa em relação às questões sociais, e percebo que é esse o papel que o anônimo aí de cima está cobrando a ele, mas esse não é o papel do Fábio. Vamos botar as coisas no seu lugar, ok?

Anônimo disse...

O Caro frustrado lá de cima, o anônimo, não se identifica, né? pelo menos usa um pseudônimo cara.
Luísa.