13 setembro 2012

Sobre Maffesoli e o curso de introdução à sua obra

Reproduzo a entrevista que dei à jornalista Márcia Carvalho sobre o curso "Introdução à Obra de Michel Maffesoli", publicada hoje em O Liberal.

O curso continua amanhã e segunda-feira, de 9 às 12h30, no auditório Setorial Básico II da UFPA. Quem quiser pode aparecer.
Francês faz palestra em Belém no dia 18. Hoje, curso prepara os participantes. 
MÁRCIA CARVALHO
Da Redação 
O sociólogo francês Michel Maffesoli estará em Belém no próximo dia 18 para ministrar a palestra "Pós Modernidade: A Comunicação e a Alteridade no Mundo Digital". Com dezenas de livros publicados, Maffesoli é referência internacional nas pesquisas sobre pós-modernidade, imaginário e tribos urbanas. A vinda do sociólogo é resultado de uma parceria entre Aliança Francesa de Belém, Programa de Pós-Graduação Comunicação, Cultura e Amazônia da UFPA, Faculdade de Comunicação da UFPA e Pró-Reitoria de Relações Internacionais da UFPA. Como evento preparatório à palestra do estudioso francês, o professor Fábio Fonseca de Castro realiza o curso "Introdução à obra de Michel Maffesoli", que será ministrado a partir de hoje até o dia 17, no Auditório Setorial II da UFPA. Ele falou ao Magazine sobre a importância da vinda de Maffesoli.

Como surgiu a ideia de trazer Maffesoli a Belém?
A implementação da pós-graduação em 2010 tem permitido ampliarmos o diálogo com alguns autores importantes dos estudos sobre a cultura contemporânea, sobretudo no cenário internacional. Dialogando com esses pesquisadores percebo como é grande o interesse deles pela Amazônia e como é importante desmistificar a Amazônia para o resto do mundo - embora fazê-lo seja ainda mais difícil para dentro do Brasil. Esta é a segunda vez que Maffesoli vem a Belém, mas a primeira no âmbito de uma cooperação científica mais profunda, já que vamos construir uma parceria entre o Centro de Estudos sobre o Atual e o Quotidiano, que ele coordena na Sorbonne, e o meu grupo de pesquisa, sobre Sociologias da Cultura e da Comunicação na Amazônia.

As inscrições ao curso introdutório superaram as expectativas. O senhor esperava tamanho interesse?
E superaram. Eu reservei uma sala com 30 lugares e passamos para um auditório maior, para atender às 160 pessoas, mais ou menos, que se inscreveram no curso. Ver esse interesse é muito estimulante. O próprio professor Maffesoli ficou surpreso com a informação. Belém tem uma grande sede de diálogo com pensadores contemporâneos.

Qual seria a principal contribuição de Maffesoli às discussões sobre pós-modernidade e mundo digital?
Ele pertence a uma corrente de pensadores que adotam uma linha não-pessimista em relação ao processo de fruição da cultura na sociedade contemporânea. Nesse sentido, a ideia de "pós-modernidade", para Maffesoli, não conforma uma situação de "crise do pensamento", como para outros autores, mas, ao contrário disso, uma situação de recomposição dos papéis sociais e de novas aberturas criativas. No mesmo caminho, a tecnologia em geral e a internet, em particular, são analisadas, por ele, como elementos que contribuem para a recomposição dos papéis sociais.

Maffesoli defende a tese de que a sociedade atual estaria saturada. Quais seriam os sintomas desta saturação?
Quando ele usa o termo saturação o faz com uma dimensão, na verdade, positiva. O que está saturada é a epistemologia, a razão moderna. Nesse sentido a sociedade está saturada, na verdade, de saberes dominantes cínicos e arrogantes. E isso permite o surgimento de coisas interessantes, como a valorização da experiência de sociedade tradicionais, novas formas de luta social e de democracia, a percepção da obra de arte fora da rigidez imposta de estética e pela história da arte, a valorização do cotidiano. 
Serviço
Palestra "Pós-Modernidade: A Comunicação e a Alteridade no Mundo Digital", de Michel Maffesoli. Dia 18, de 14h às 19h, no Auditório do Instituto de Ciências Jurídicas da UFPA. Retirada de convites antecipadamente na Aliança Francesa.
Informações: 3224-3998.

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