08 outubro 2012

Comentando as eleições 12: As eleições em Belém reforçam as tendências políticas já presentes nas últimas eleições


Em Belém, estas eleições constroem um quadro político que ressalta as principais tendências já visíveis nas eleições de 2010:


1. A vancância de poder aberta pela falta de projeto regional do PT – com a conseqüência do reforço da proposta do Psol e a projeção de Edmilson Rodrigues como a principal força política do campo das esquerdas.

2. A consolidação hegemônica do PSDB, na esteira da vacância petista, com uma evidente profissionalização do seu jogo político – com o conseqüente pragmatismo na relação com seus parceiros como os partidos de sua base, os sindicatos e a mídia.

3. A afirmação do PMDB como a força política pendular, a única capaz de estabilizar e desestabilizar hegemonias – com a conseqüência de fazer disto um instrumento central do processo político regional.

4. A disponibilidade dos demais partidos para o jogo político de “cooptação” e de barganha em troca de benesses e espaços de poder.


Nada disso é novidade: apenas confirma uma tendência histórica, um movimento iniciado em algum momento do governo Ana Júlia, quando o PT paraense permitiu que projetos diagonais de poder atravessassem o que deveria ter sido um projeto político objetivo de construção hegemônica.
O feitiço que enfeitiçou o PT – e que ainda continua a enfeitiçá-lo, a julgar pela maneira como foi conduzida a campanha de Alfredo Costa – é sua incompreensão de um fato político elementar: o de que a conquista do poder não significa, em nenhuma situação histórica, a conquista da hegemonia.
Ter hegemonia não significa ter a hegemonia. Estar no poder não significa ter o poder.
O PT teve poder quando ocupou o Governo do Estado, mas isso não significava que tinha todo o poder, que tinha integralmente o poder. Seu poder era, apenas, o de estar melhor colocado para fazer uma efetiva construção hegemônica.
A composição de alianças, que seriam caras, obviamente, e enjoativas, certamente, era absolutamente necessária. Essa construção seria condicional para uma construção hegemônica real, que pudesse empoderar o campo das esquerdas à médio, à longo prazo.
E nem isto teria sido novidade: afinal, é a pura receita de Lula e de Dilma. A receita do próprio PT.
Aliás, nada de nada disso é novo. Outras pessoas já o disseram. Eu mesmo também, aqui no blog e em jornais.
Minha atual questão seria, simplesmente a seguinte: o que continua impedindo que o PT paraense aprenda com o PT de Lula?

7 comentários:

Anônimo disse...

O PT paraense precisa de um nome novo, uma pessoa nova que consiga congregar todas suas forças internas. Alfredo Costa poderia ser essa pessoas, mas sua falta de carisma e um discurso empolgante fazem com que pessoa seja vista como um mero player secundário. Resta ao PT local identificar e trabalhar essa nova liderança para que não venha a reboque das outras legendas.

Anônimo disse...

O PT paraense está esclerosado. É feito por amadores. Suas lideranças são amadoras, ninguém tem projeto. Está na hora da militância petista salvar o partido. Enquanto continuar se sujeitando a essas lideranças que estão aí, o PT vai pro ralo.

Anônimo disse...

Eles não aaprenderam nem a fazer um mensalão

Beth Santos disse...

Seu post tem umas aberturas que me deixaram curiosa. Por exemplo: o que vc quer dizer como "em algum momento do governo Ana Júlia?". Outra: O que é, exatamente, "vancância do poder petista"? Dá para ser específico? Enfim, uma curiosidade: nas eleições de 2008, quando o candidado foi o prof Mário Cardoso, já dava para perceber essas tendências que vc aponta?

Fabio Fonseca de Castro disse...

Ao Anônimo das 9h13, Concordo. Porém, mais importante do que identificar pessoas, é identificar claramente ideias e bandeiras. A disputa municipal só se dá com bandeiras políticas claras e ligadas à vida cotidiana.

Fabio Fonseca de Castro disse...

Ao Anônimo da 9h50,
O amadorismo não é condição da esclerose, é seu contrário. Então não concordo, ao menos integralmente, com vc. Concordo em relação a uma participação mais efetiva da militância e, parcialmente à esclerose de algumas lideranças.

Fabio Fonseca de Castro disse...

Beth,
Fica o debate por fazer, não dá para ser específico aqui, por falta de espaço, mas a gente conversa por aí. Enfim, acho que nas eleições de 2008 todos esses efeitos já estavam presentes.