22 maio 2013

A apropriação da imagem de Ruy Mesquita, um conservador "maior", pelos pequenos conservadores da Globo e do Grupo Abril

Como em quase todos os dias, comecei minha jornada acompanhando os jornais e noticiários pela internet. Vendo de longe do país, fiquei espantado em ver como a notícia da morte de Ruy Mesquita, il capo do Estadão foi manipulada, pela Globo, Abril, Band, Folha e a pela maioria dos grandes veículos da imprensa brasileira no sentido de mitificar, por meio da sua figura, um punhado de valores conservadores que andam servindo para mascarar o cinismo do patrimonialismo dessa gente.
Uma coisa são os “valores conservadores”, de gente como Ruy Mesquita, inclusive. Outra coisa, bem diferente, é o patrimonialismo cínico da maior parte das elites brasileiras.
Ruy Mesquita era um conservador, um membro autêntico das elites paulistas, sim. Mas era um homem com valores éticos, com bom senso. Há múltiplos depoimentos de jornalistas corretos e, sobretudo, de jornalistas corretos de esquerda, nesse sentido.
Isso é uma coisa bem diferente desse tipo de apropriação da sua imagem que a Globo e o grupo Abril, sobretudo, fizeram. Tornaram-no um mito, um emblema, de uma visão de mundo que emprestam como máscara, mas que não é a sua. Ao elogiarem o conservadorismo de Mesquita pretendem se beneficiar, com o velho truque a analogia “silenciosa”, de uma coerência que não é a sua. E, por resultado, nivelam Mesquita por baixo.
Roberto Marinho e Roberto Civita jamais tiveram a dignidade de Ruy Mesquita.
É preciso separar o joio do trigo.
Da mesma maneira, o papel do grupo Estado foi, historicamente, diferente do papel da Rede Globo e do Grupo Abril. O Estadão surge, ideologicamente, de um projeto de elite específico, comprometido com uma modernização e com uma industrialização do país cuja raiz está no final do século XIX. Em nome desse projeto – com o qual podemos não concordar, mas devemos reconhecer a coerência – rompeu com Vargas e, em seguida, rompeu com o regime militar. E suportou as consequências.
A Globo e os Civita sempre puseram o rabo entre as pernas, acataram e reproduziram o discurso do mais forte – não importa qual fosse ele.
Não que o Grupo Estado não tenha cometido erros, pecados e mesmo que não tenha sido contraditório, inúmeras vezes, em relação a essa mesma coerência que aponto. Apoiar o golpe de 64 e dar voz aos tucanos, sobretudo a José Serra, são exemplos disso.
Mas há uma grande diferença a considerar.

E é por dever-se considerar essa diferença que soa como mau-caraterismo de primeira que essas empresas medíocres de comunicação venham fazer ladainha para chorar o morto dos outros.

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