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Crônicas da ascenção do fascismo no Brasil

O mundo vai desabando, a ignorância vai dominando e o fascismo vai grassando no país. Tinha vontade de estar falando, escrevendo, de/sobre tudo isso que está acontecendo, mas falta tempo. Mal tenho tempo para avançar na minha pesquisa – e no que, em segredo, escrevo, reescrevo, transcrevo, contrescrevo – e são tantas as formalidades, as burocracias e as admoestações de tanta gente escrota que fica atrapalhando, em vez de construir em conjunto que o último tempo que sobra, e quando sobra, é que é o tempo de falar, dizer, escrever o que penso sobre o que se passa, sobre essa política caótica, essas vozes conservadoras que vão aparecendo e falando e construindo esse lugar comum que converge para ser o fim, o fim da democracia, o golpe, o vazio e o silêncio. Quase não dá tempo de chegar lá, de dizer alguma coisa, refalar, redizer o que penso…Tudo segue muito rápido. A ignorância tem suas urgências. Mas uns dias de folga, que julho permite, ajudam a retomar o fôlego. Não para descançar – quem dera… Para redizer. Pararretomar o fio da meada e rescrever o hupomnemata. Só para dizer, meu caro amigo, que a coisa aqui tá preta. A série de posts que seguem só serve para mostrar e explorar os sintomas da ascenção do fascismo no Brasil…

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