01 junho 2016

A batalha é pela identidade, a guerra é simbólica

Conclusões sobre o desabafo de ontem. O que me motivou a escrever o post de ontem, a respeito da eventualidade de novas aproximações entre PT e PMDB, foi a percepção de que o momento político exige que o PT produza mensagens claras de defesa das conquistas sociais dos seus governos e de desaprovação aos atos do governo Temer. Trata-se de uma batalha simbólica fundamental que, inclusive, dá o tom político para a militância e para os setores progressistas da sociedade que, mesmo sem pertencerem ao PT, lutam contra o governo usurpador de Temer.

Assim, penso que os diretórios do partido – bem como todos os sujeitos sociais que, de algum modo, enunciam ou representam o partido – deveriam produzir mensagens extremamente claras e que não ofereçam dúvidas a respeito desses compromissos.

Num momento como este é preciso, além de ter cuidado com dubiedades de sentido, enunciar as posições políticas de maneira clara e contínua. Em outros termos: do ponto de vista da batalha de sentidos em curso (e vivemos, essencialmente, um momento de batalha de sentidos) é preciso enunciar a defesa da herança e dos compromissos (ou seja, da identidade política) e a posição crítica ao partido que está liderando o golpe e dizimando com conquistas sociais fundamentais.
 
É preciso, portanto, não construir dependências, vinculações e analogias com os agentes políticos responsáveis pelo golpe. Trata-se de uma questão de comunicação política.

E, para além disso, é preciso que, a partir das possibilidades abertas (ainda que tragicamente) pela conjuntura política, o PT faça um movimento de “retorno” à esquerda.

Tudo isso passa por enunciações, por mensagens, por sinais. Os diretórios do partido precisam compreender os sinais que vêm da sua militância e, também, das ruas. E, por sua vez, precisam passar sinais de coerência.

Quanto ao PMDB, quero dizer que tenho perfeita compreensão dos mecanismos do presidencialismo de coalisão que se constitui como sistema político do país e percebo, embora com algumas ressalvas críticas, a justificativa da presença do partido na sustentação dos governos petistas.  Além disso, é evidente que como há diferentes PTs, há também diferentes PMDBs e que condeno, fundamentalmente, a parte do PMDB que se associa ao PSDB no aparelhamento do sistema judiciário e da Polícia Federal provocando o colapso que observamos hoje dessas instituições.

O problema, portanto, não é “metafisicamente” o PMDB. A questão é pragmática: o fato de que o PMDB, em sua maioria partidária, constitui não apenas a instituição política que desfere um golpe de Estado mas, também, o poder político que está ferindo o estado de direito e revertendo as conquistas sociais realizadas.

Por fim, cabe falar a respeito da necessidade de defender, com clareza, a candidatura de Regina Barata à prefeitura de Belém. É preciso passar sinais claros que ajudem a consolidar a sua candidatura. Em eleições anteriores esses sinais talvez não tenham sido suficientemente claros e decididos. Mas o contexto agora demanda, sobretudo, esse cuidado.  Nas batalhas de sentidos a vir é preciso produzir distanciamentos e aproximações. Distanciamentos em relação ao PMDB e aos demais agentes que o acompanham na aventura em que se lançaram e aproximações em relação às heranças, aos compromissos sociais históricos e, enfim, à identidade.



2 comentários:

Jonas Marinho disse...

Perfeito, prof. Vc diz tudo e mais alguma coisa. Absurdo total é o PT aceitar qualquer composição com o PMDB. Apoiar a chapa oficial na UFPA é erro histórico, que vai gerar consequências por muitos anos. Significa apoiar o projeto elitista e excludente. O momento é de defender a coerência do partido, e não de pensar nos interesses pessoais.

Anônimo disse...

Esses caras que vivem às custas do PMDB deveriam ser expulsos do partido. Não importa de são senadores ou "professores". Chega de intelectual otário no PT. Se o cara não consegue ver como é manipulado e como virou carneirinho de presépio do PMDB não devia nem ser professor! A batalha não é só pela identidade, é pela coerência.