Alguém lembra a divisa de Santo Agostinho? In necessariis unitas, in dubiis libertas, in omnibus caritas. Ou seja, “na necessidade a unidade, na dúvida a liberdade, em todas as coisas a caridade”. É um pensamento cristão por excelência, mas isto à parte, temos que dizer que a palavra latina caritas significa muito mais do que cairidade ou mesmo que compaixão. Caritas evoca a idéia de abrir mão do que se tem e, de certa maneira, também daquilo que se é. O termo caritas evoca, portanto, o bom senso. A idéia de que é necessário, à generosidade, saber resignar-se de si mesmo. Na divisa de Agostinho está presente essa idéia sobre o bom senso de que estou falando aqui. Quando ele diz que há uma necessidade na unidade, está sugerindo que há uma igualdade entre as pessoas, uma igualdade essencial, presente no fato que têm, todas, digamos assim, a mesma igna matéria que ressoa, no cristianismo, como aquela história de que “vieste do pó e ao pó voltarás”. Quando diz que a liberdade está na dúvida, está reproduzindo o anátema que usei para explicar o que é o bom senso, ou seja, a idéia de que é preciso abrir mão das certezas e aceitar a razão dos outros, a razão do grupo. Enfim, quando fala em caritas, está propondo a resignação – ante às certezas da experiência alheia – como estratégia superior da inteligência. Como se vê, o bom senso é um tema central do pensamento cristão, ao menos do cristianismo arcaico – e, talvez, da patrística -, ainda não deformado pelos gonzos do Vaticano.
O mundo está estarrecido com com o genocídio Yanomami. As imagens chocantes atravessam o planeta e atestam o que todos já sabiam: houve genocídio. E não há como Jair Bolsonaro não ser imputado por esse crime. Dados obtidos pela plataforma SUMAÚMA mostram que, durante o governo Bolsonaro, o número de mortes de crianças com menos de 5 anos por causas evitáveis aumentou 29% no território Yanomami. Foram 570 crianças mortas, em 4 anos, por doenças que têm tratamento. E isso pode não ser tudo, porque o conjunto das terras indígenas em território brasileiro sofreu, ainda de acordo com o Suamúma, um verdadeiro apagão estatístico durante o governo de extrema direita. O legado de Bolsonaro é um dos mais aviltantes da história do Brasil. Não é de hoje que as terras Yanomami, onde vivem quase 30 mil pessoas indígenas, são agredidas pela especulação do garimpo ilegal, da pecuária ou da cultura do arroz, mas nunca se viu um apoio tão grande do Estado brasileiro a essas atividades....
Comentários