A noção de habitus evoca imediatamente a noção, também fundamental em Bourdieu, de senso prático. As noções são convergentes: “O fato de que as práticas rituais sejam o produto de um ‘senso comum’, e não de uma forma de cálculo inconsciente ou de obediência a uma regra, explica que o ritos sejam coerentes, mas desse tipo de coerência que é parcial, jamais total, que é esse tida pelas construções práticas” (“Le fait que les pratiques rituelles soient le produit d’un « sens pratique », et non d’une sorte de calcul inconscient ou de l’obéissance à une règle, explique que les rites soient cohérents, mais de cette cohérence partielle, jamais totale, qui est celle des constructions pratiques” - Fieldwork in philosophy, in Choses dites, Minuit, 1987, p.20).
O mundo está estarrecido com com o genocídio Yanomami. As imagens chocantes atravessam o planeta e atestam o que todos já sabiam: houve genocídio. E não há como Jair Bolsonaro não ser imputado por esse crime. Dados obtidos pela plataforma SUMAÚMA mostram que, durante o governo Bolsonaro, o número de mortes de crianças com menos de 5 anos por causas evitáveis aumentou 29% no território Yanomami. Foram 570 crianças mortas, em 4 anos, por doenças que têm tratamento. E isso pode não ser tudo, porque o conjunto das terras indígenas em território brasileiro sofreu, ainda de acordo com o Suamúma, um verdadeiro apagão estatístico durante o governo de extrema direita. O legado de Bolsonaro é um dos mais aviltantes da história do Brasil. Não é de hoje que as terras Yanomami, onde vivem quase 30 mil pessoas indígenas, são agredidas pela especulação do garimpo ilegal, da pecuária ou da cultura do arroz, mas nunca se viu um apoio tão grande do Estado brasileiro a essas atividades....
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