O gênero humano paraense não tem a palavra, mas tem a noção. Refiro-me a schadefreude, palavrinha enigmática do alemão que, se for traduzida ao pé da letra, vai dar algo como “aquele prazer absoluto e tremulante que se apossa do nosso corpo quando aquele nosso desafeto (aquele fdp, desgraçado e canalha!) se dá muito, muito mal, mas muito mal mesmo!”. Ok, sempre é difícil traduzir o alemão, ok. Mas .... quer dizer isso mesmo. Kraus, um amigo alemão que já perdeu completamente a noção de suas origens e que hoje pratica contravensões leves por prazer, consultado por telefone, propõe uma tradução mais concisa: “aquela alegria que nós sentimos quando descobrimos que nosso desafeto se fodeu bo-ni-ta-men-te”. E não me digam, se paraenses forem, que não a compreendem. Aliás, não entendo como os paraenses não inventaram antes uma palavra para expressar essa sensação, deixando-a a cargo dos alemães, povo incapaz de fazer mal a carapanãs, como todos sabemos, e que em razão de sua docilidade, amabilidade e inocência há de ter tido muito trabalho para inventá-la.
O mundo está estarrecido com com o genocídio Yanomami. As imagens chocantes atravessam o planeta e atestam o que todos já sabiam: houve genocídio. E não há como Jair Bolsonaro não ser imputado por esse crime. Dados obtidos pela plataforma SUMAÚMA mostram que, durante o governo Bolsonaro, o número de mortes de crianças com menos de 5 anos por causas evitáveis aumentou 29% no território Yanomami. Foram 570 crianças mortas, em 4 anos, por doenças que têm tratamento. E isso pode não ser tudo, porque o conjunto das terras indígenas em território brasileiro sofreu, ainda de acordo com o Suamúma, um verdadeiro apagão estatístico durante o governo de extrema direita. O legado de Bolsonaro é um dos mais aviltantes da história do Brasil. Não é de hoje que as terras Yanomami, onde vivem quase 30 mil pessoas indígenas, são agredidas pela especulação do garimpo ilegal, da pecuária ou da cultura do arroz, mas nunca se viu um apoio tão grande do Estado brasileiro a essas atividades....
Comentários
Se vc descobrir a palavra para isso que eu postei no primeiro comentário, divida conosco.
Anônimo das 09:08, era ironia!
Tem um filme do Woody Allen no qual ele diz para a esposa que ele todos sabem que ele é um gênio e que os amigos dele chamavam-no de "Cérebro". E a esposa responde: "E você não percebeu que era ironia?".
Pois é, era.
Foi exatamente o que sentia quando a Valéria/Paulo Chaves ficarem em quarto lugar nas eleições passadas.
Sensação gostosa essa, né?!
Embora, em muitos casos [não exatamente o da Valéria], mesquinha. Confesso!
1. Chá
2. -de (com um ê bem marcado e seco)
3. (corte abrupto do palato)
4. frói (com o r bem ronronante e o ó extenso)
5. de novo o -de (se o pronunciador for da Baviera faz bico no fim e arregala os olhos; se for da Prússia bate os dois calcanhares e estufa o peito; se for de Hamburgo ou de Bremen inclina o queixo ligeiramente para a esquerda).