05 dezembro 2009

Outra Amazônia 10: Esquerda e direita

Vamos explicar as coisas assim:
De um lado está a esquerda democrática, com valores de solidariedade e tolerância. Acreditamos na igualdade e no direito à felicidade de todos e todas, lutamos pela reinserção social, pela diversidade cultural e apostamos na dignidade e no valor dos princípios que fundam a democracia. Acreditamos que o Estado Social, com suas funções sociais (educação, saúde e segurança) e com seu compromisso com a sustentabilidade e a justiça, é o instrumento da manutenção e da evolução de uma sociedade coesa.
Do outro lado está a direita. No Brasil de hoje a direita é representada pelo PSDB e pelo DEM. A direita acredita que o Estado é parte do problema e não da solução, que olha para a sociedade de maneira estratificada e que diferencia as pessoas segundo critérios próprios (e vagos) de capacidades sócio-econômicas e sócio-culturais. Desse outro lado estão as pessoas que entendem que a solidariedade é filha da caridade e que, por isso, recusam ao Estado a responsabilidade sobre a educação, a saúde e a segurança. Estão as pessoas que não acreditam que há deveres partilhados pela sociedade como um todo, estão os que apelam ao individualismo, que colocam na iniciativa privada  e na filantropia a solução das desigualdades e da pobreza, que levam a sociedade a uma competitividade desenfreada e dificilmente regulável. Estão os que defendem as leis do mais forte, do mais rico, do mais poderoso.

8 comentários:

Anônimo disse...

O que você diz aqui é muito interessante e mostra uma percepção bem demarcada sobre os papéis políticos, mas isso de um ponto de vista de "princípios". Ou seja, um ponto de partida para se começar um debate, para se dizer o que se pode e deve fazer e o que nem se pode e nem se deve, conforme a posição política que se tenha. Acontece que essas coisas não são viáveis na experiência política concreta. Nada separa direita de esquerda, hoje em dia, nem mesmo no PT. Então, você não acha que o seu "lugar de fala" deveria ser um pouco mais pragmático? Ao menos de um ponto de vista da realidade (mesquinha e ideotizada) da política paraense?

Anônimo disse...

Como assim, anônimo das 16:57!? Vc quer, então, que o Fábio se torne "mesquinho e idiotizado"? Exatamente como a política paraense, a qual vc se refere!!?

Vc não acha que deveria ser o contrário!? Se vc se torna pragmático em um contexto de "idiotisses"; vc se torna, naturalmente um idiota também, não acha!???...

Anônimo disse...

Gostei muito destes dois parágrafos. Acho que eles têm um poder de síntese poderoso. Continue. Estou lendo atentamente esta série, que acho que é extremamente útil para entendermos as coisas que nunca são ditas e nem discutidas.
Aninha Magalhães.

Anônimo disse...

Deixa ver se entendi: estamos entre "Deus e o Diabo na Terra do Sol"? Concordo com o sr., Anônimo I (e esqueci quem disse que esquerda não é posição política, é religião).

Fabio Fonseca de Castro disse...

Tem uma coisa que me parece o cerne desta discussão: por mais que a política seja a arte da composição e, portanto, esteja sujeita, pragmaticamente, ao jogo do poder, tem ela condições ou não de se posicionar, também pragmaticamente, levando em conta suas disposições éticas historicamente declaradas?

Filosoficamente, a questão que eu gostaria de colocar é a seguinte: Há imperativos de Dever no jogo do Poder?

Ou, dizendo de outra forma: o dever-ser ainda tem sentido diante do poder-ser?

Anônimo disse...

Fábio, traduzindo sua pergunta, me parece que você pergunta se quando a esquerda chega no poder ela tem obrigação de manter suas bandeiras históricas, e, mais do que isso, colocá-las em prática. É claro que sim, Fábio! Ou vocês chegaram lá unicamente pelo gostinho do poder? Tudo bem, não precisa responder.

Anônimo disse...

Ao Anônimo das 23:45, acho que o Fábio não está perguntando... Quando ele "pergunta" se a esquerda "deve" manter suas bandeiras, acho que, na verdade, ele está, indiretamente, constatando o fato de que a esquerda não "conseguiu" manter suas bandeiras. E talvez algo ainda mais profundo: que, talvez, a esquerda nem saiba mais quais são essas bandeiras...

Anônimo disse...

Ops, constatações indiscretas... a crítica é a que governo do PT: Lula, Ana Júlia, a possibilidade Dilma?...