Pular para o conteúdo principal

Sobre as campanhas do Sim e do Não 1

O que tenho achado das campanhas do Sim e do Não, a respeito da divisão do Pará? Que cumprem seu dever, com competência, cada uma a seu modo – embora o Sim como mais eficiência que o Não. Suas estratégias são claras:

  • Ambas se concentram na área do “Pará remanescente”, porque é aí que será decidida a questão; 
  • A campanha do Não adota uma perspectiva de ativação e reforço de uma tendência de voto centrada no tom emotivo; 
  • A campanha do Sim adota uma perspectiva de reversão de tendência de voto centrada num tom racional; 
  • O Não peca pelo exagero emotivo; 
  • O Sim peca pelo exagero racional;
  • O Não deveria apresentar argumentos mais consistentes, porque a emoção tende sempre ao esgotamento;
  • E, também, porque as pessoas precisam, sobretudo – e sempre – de argumentos para justificar sua intenção de voto; 
  • O Sim deveria abandonar seus percursos de racionalização tão complexos, que começam sempre com uma paradoxal afirmação do Não; 
  • E, também, deveria deixar de repetir a palavra Não  tantas vezes.

Comentários

Fábio,
A chamada do Não ("NÃO E NÃO!") soa arrogância e, como vc disse, apela ao emocional, sem questionar o porquê não se deve dividir. O fato da pergunta ser "Dividir..." já influenciou desde o início a campanha para o sentimento de perda. Penso que para os separatistas, a melhor perguntar deveria iniciar como "Criação...".
Adelina Braglia disse…
Caro Fábio:

a campanha do NÃO nasceu amarrada à negativa e isso, por si só, já é difícil. Ou seja, o TSE impediu os defensores da unidade do estado de fazerem uma belíssima campanha propositiva, que, pela lógica, é difícil ser assim a partir de um NÃO.

Ò TSE permitiu somente as frentes contra o Tapajós e contra Carajás - e as favoráveis a eles - deixando-nos a "ver navios", que aliás passam aos montes na baía de São Luiz, levando o Pará inteiro aos pedaços! Ou, às toneladas.

Quanto à campanha do NÃO, o racionalismo está centrado na mentira. Mentir, mentir e mentir, pra ver se vira verdade. E, a cada inserção, salta pra cima da gente um cinismo assustador!

Quanto aos dados do FPE, o novo estudo do IDESP - que deveria ser divulgado sexta-feira passada e não o foi porque decidimos aguardar os primeiros resultados divulgados pelo CENSO 2010, hoje, já que tivéramos um pequeno problema de edição - trata disto com seriedade e desmonta a armadilha do "todos vão ganhar". Está saindo logo, logo.

Abração.

Postagens mais visitadas deste blog

Solicitei meu descredenciamento do Ppgcom

Tomei ontem, junto com a professora Alda Costa, uma decisão difícil, mas necessária: solicitar nosso descredenciamento do Programa de pós-graduação em comunicação da UFPA. Há coisas que não são negociáveis, em nome do bom senso, do respeito e da ética. Para usar a expressão de Kant, tenho meus "imperativos categóricos". Não negocio com o absurdo. Reproduzo abaixo, para quem quiser ler o documento em que exponho minhas razões: Utilizamo-nos deste para informar, ao colegiado do Ppgcom, que declinamos da nossa eleição para coordená-lo. Ato contínuo, solicitamos nosso imediato descredenciamento do programa.     Se aceitamos ocupar a coordenação do programa foi para criar uma alternativa ao autoritarismo do projeto que lá está. Oferecemos nosso nome para coordená-lo com o objetivo de reverter a situação de hostilidade em relação à Faculdade de Comunicação e para estabelecer patamares de cooperação, por meio de trabalhos integrados, em grupos e projetos de pesquisa, capazes de...

Eleições para a reitoria da UFPA continuam muito mal

O Conselho Universitário (Consun) da UFPA foi repentinamente convocado, ontem, para uma reunião extraordinária que tem por objetivo discutir o processo eleitoral da sucessão do Prof. Carlos Maneschy na Reitoria. Todos sabemos que a razão disso é a renúncia do Reitor para disputar um cargo público – motivo legítimo, sem dúvida alguma, mas que lança a UFPA num momento de turbulência em ano que já está exaustivo em função dos semestres acumulados pela greve. Acho muito interessante quando a universidade fornece quadros para a política. Há experiências boas e más nesse sentido, mas de qualquer forma isso é muito importante e saudável. Penso, igualmente, que o Prof. Maneschy tem condições muito boas para realizar uma disputa de alto nível e, sendo eleito, ser um excelente prefeito ou parlamentar – não estou ainda bem informado a respeito de qual cargo pretende disputar. Não obstante, em minha compreensão, não é correto submeter a agenda da UFPA à agenda de um projeto específico. A de...

Genocídio Yanomami: Bolsonaro não pode escapar

O mundo está estarrecido com com o genocídio Yanomami. As imagens chocantes atravessam o planeta e atestam o que todos já sabiam: houve genocídio. E não há como Jair Bolsonaro não ser imputado por esse crime.  Dados obtidos pela plataforma SUMAÚMA  mostram que, durante o governo Bolsonaro, o número de mortes de crianças com menos de 5 anos por causas evitáveis aumentou 29% no território Yanomami. Foram 570 crianças mortas, em 4 anos, por doenças que têm tratamento. E isso pode não ser tudo, porque o conjunto das terras indígenas em território brasileiro sofreu, ainda de acordo com o Suamúma, um verdadeiro apagão estatístico durante o governo de extrema direita.  O legado de Bolsonaro é um dos mais aviltantes da história do Brasil. Não é de hoje que as terras Yanomami, onde vivem quase 30 mil pessoas indígenas, são agredidas pela especulação do garimpo ilegal, da pecuária ou da cultura do arroz, mas nunca se viu um apoio tão grande do Estado brasileiro a essas atividades....