26 setembro 2011

Crônicas canadenses 7: As universidades canadenses

Crônica 7
As universidades canadenses
O Canadá possui boas universidades. A maior do pais é a Universidade de Toronto, que tem 73 mil alunos, 74 centros de pesquisa e institutos, 850  diferentes cursos de graduação e pós-graduação e que faz um investimento de 1 bilhão de dólares, somente em pesquisa, a cada ano. Esse investimento fez com que a instituição alcançasse o terceiro lugar mundial em quantidade de publicações qualificadas. No ranking mundial da Universidade de Shangai – o Academic Ranking os World Universitieas –, o mais respeitável dentre as listas similares, ela ocupa a 26a posição, dentre as melhores universidades do mundo.
Outras universidades canadenses possuem boas colocações nesse ranking: a de Columbia Britânica (UBC) está no 37o lugar, a de McGill, a universidade mais antiga do Québec, anglófona, está no 64o lugar; a de MacMaster, sediada na cidade de Hamilton, no Ontário, está em 89o lugar e a posição 92 é dividida entre as universidades de Montréal e de Alberta.
O Canadá tem 18 universidades situadas entre as 300 melhores do mundo. O Brasil só possui duas, a USP e a Unicamp.
A UBC possui 54 mil alunos, dos quais 6 mil são estrangeiros, divididos em 18 faculdades e uma vasta experiência transdisciplinar. Também merece destaque a Universidade de Ottawa, bilíngüe, que possui 40 mil alunos, 250 graduações e 200 programas de pós-graduação.
O Québec possui também grandes instituições de ensino. A Universidade de Montréal conta com 60 mil alunos repartidos em 250 programas de graduação e 350 de pós-graduação e tem um desenvolvimento muito particular no campo da medicina – são 27 hospitais e clínicas financiados somente por essa instituição.
Na belle province, como o Québec é chamado, há também outras universidades importantes, como McGill, já mencionada; a Universidade de Québec à Montreal (Uqam), Laval e Concordia, dentre outras. Elas possuem, respectivamente, 37 mil, 40 mil, 45 mil e 45 mil estudantes.
No Canadá não existem universidades e faculdades públicas gratuitas, como no Brasil. Alguns dizem que se elas existissem todos os norte-americanos iriam atravessar as fronteiras para estudar nelas. Ou seja, justifica-se o fato como uma contingência sócio-econômica. Porém, é uma contigência que se choca à tradicional política “socialista” do pais. Por isso o governo instituiu alguns mecanismos que têm, a função de mitigar a dificuldade econômica em relação ao acesso à educação superior.

Na província de Ontário, se destaca o OSAP, um programa local de financiamento para estudantes universitários, a exemplo do qual há outros, nas diversas províncias canadenses.
O OSAP garante, ao aluno, o pagamento de taxas de matrícula, compra de livros, moradia, alimentação e transporte. O valor acordado depende de uma avaliação criteriosa das condições sócio-econômicas da pessoa. Nenhuma bolsa é igual a outra, tudo depende das condições do postulante. A política é dar mais a quem pode menos e menos a quem pode mais.
Trata-se de um empréstimo, é verdade – que começará a ser pago seis meses após a formatura do cidadão -, mas a juros baixos – os mais baixos do país. A demanda ao OSAP é possível a todo indivíduo que viva, legalmente, na província de Ontário, independentemente da nacionalidade. O processo é sempre ágil – pois o governo tem recursos para investir em quem deseja estudar e acredita que esse investimento é estratégico.
Falando especificamente de Toronto, há várias instituições de ensino superior bem conceituadas situadas na cidade. As três principais são a Toronto University, a York University e a Ryerson. A primeira conforma um dos corações da cidade: seus vários prédios  se situam no centro de Toronto, inteiramente integrados à paisagem local. Por lá circulam seus 53 mil estudantes e 3 mil pesquisadores, além de milhares de funcionários. É a maior universidade do Canadá.
A York está situada ao norte de Toronto e tem 45 mil alunos. Ryerson, por sua vez, também fica no centro de Toronto, mas sua presença é bem mais modesta no cenário urbano, ainda que possua 20 mil estudantes.
Alem delas Toronto também possui outras cinco instituições de ensino superior voltadas para campos mais específicos de estudo: The Ontario College of Art & Design, de excelente reputação; Séneca College, Humber College, Centennial College e George Brown College. Elas seriam, propriamente, faculdades. Muitos boas dentro do que se propõem, mas específicas em sua área de atuação.
Todas essas oito instituições recebem muitos estrangeiros. A Seneca, por exemplo, possui um núcleo para “International Student Development”. E outra característica é o empenho, dessas instituições, em associar a vida académica com o mercado de trabalho: todas possuem programas de inserção profissional do estudante, que acompanham sua vida desde a entrada na instituição até vários anos depois da formatura. Por exemplo, o Humber College garante que 90% dos seus estudantes estão empregados até seis meses depois de conclusão de curso. Ou seja, o emprego é visto como uma decorrência, ou uma continuação, da vida acadêmica.
Da mesma forma, os custos de aprendizagem costumam envolver bem mais do que as comuns taxas de matrícula. Na Toronto University, por exemplo, há uma gigantesca livraria onde se pode comprar as apostilas dos cursos ministrados e os livros-texto. São publicações caras, que podem chegar a 200 dólares para uma edição simples, agregando textos que serão usados numa única disciplina, de um único curso, por exemplo, de filosofia. A vantagem é que essas coletâneas também podem ser “alugadas”- mesmo assim a preços estratosféricos, como 60 dólares por semestre. Foi a primeira vez na vida que vi aluguel de livros. Tudo justificado como custos de edição ou pagamento de direitos autorais – algo que me faz preferir o cinismo otimista das universidades brasileiras, onde, mesmo contrariando as absurdas normas dos direitos de autor, generalizamos as fotocópias.
Alem disso, é necessário comprar um curioso equipamento de rádio, que permite que o aluno registre suas respostas na hora de provas ou que preencha à distancia questionários e que responda, de seu lugar, sem levantar, perguntas formuladas no quadro branco pelos professores.

As imagens:
1a imagem: Universidade de Toronto
2a imagem: Universidade de Montréal
3a imagem: Universidade de McGill, em Montréal
4a imagem: Biblioteca Rhomas Fischer, de livros raros, da Universidade de Toronto
5a imagem: Campus da Universidade da Columbia Britânica
6a imagem: Prédio da reitoria da Universidade de Toronto

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Um comentário:

Marta Barros disse...

Ei Fábio, faltou falar mais da UQAM, parceirona da UFPA em vários projetos!