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Mostrando postagens com o rótulo Conjuntura

Conjunturas 3

Mas, e se não houver eleições? Já não é o meu amigo quem me pergunta. Sou eu próprio quem me pergunta. Em épocas incertas o que mais nos fazemos é perguntar, se não aquém, a si mesmo. Não que tenhamos respostas, mas em vez de seguir esperando e esperar que piore, o que nos cabe é indagar. E em relação a isso, embora não seja uma resposta, é uma constatação que me parece irrefutável: se não houver eleições, a tendência é que se radicalize a situação. Dos dois lados. Isso porque o ímpeto dos golpistas é tal que estão convictos de que podem prescindir para sempre do diálogo e da pacificação política. Ocorre que não podem, porque em algum momento o elástico arrebenta. Não tenho idéia de qual seria esse momento, mas é natural que ele exista. Pode ser que seja o abismo econômico, uma crise geral do emprego, uma rebelião ou mesmo um novo posicionamento das classes médias. Pode ser, inclusive, que uma situação de crise maior leve a uma radicalização das forças sociais e...

Conjunturas 2

“Se houver eleição...”, dizia meu amigo. Sim, evidentemente. Porque os sinais de que podemos não ter eleições são muito grandes e a única coisa capaz de garanti-las seria, repito o que disse antes, a mobilização popular. Sem desconsiderar a importância, vital, da mobilização popular convocada pelos movimentos sociais e partidos político, ousaria dizer, no entanto, que é igualmente importante a mobilização popular  não-partidarizada. Explico:  se quem vier para as ruas for a sociedade civil, com a participação, mas não a liderança, dos partidos de esquerda, rompe-se com o trunfo mítico do bloco golpista: a ideia que esse bloco faz do que é "apoio social". Além disso, se houver mobilização nitidamente liderada por partidos de esquerda e sem um afluxo maior da sociedade, a resposta será, possivelmente, a repressão imediata e dura e um possível esgotamento do movimento.  Às vezes desconfio que a melhor maneira de acabar com a temporada conservadora e fascista abe...

Conjunturas I

Um amigo me pergunta se acho que Lula deve ser candidato a presidente, mesmo com a prisão. Respondo que sim, porque não tem sentido ser diferente. Lula não ser candidato seria de uma deslealdade imperdoável do PT para com ele. A pergunta, na verdade, respondo ao meu amigo, é sobre quem deve ser o vice de Lula, porque quase tão certo como Lula ser o candidato do PT, é a possibilidade de que a justiça eleitoral casse a sua candidatura, sendo lógico, nesse caso, que seu vice assuma a cabeça de chapa. E, como sabemos como o bloco golpista joga, eles provavelmente farão isso o mais tarde possível, procurando inviabilizar que o PT chegue ao segundo turno. Nesse cenário, a tendência é que o PT venha com uma chapa “puro-sangue”. Provavelmente com Haddad para vice. Eventualmente com Jacques Wagner ou Patrus Ananias e, um pouco menos provavelmente, com Celso Amorim. Meu amigo, que não é do PT, viu claros sinais de que Lula, naqueles momentos heróicos antes da prisão, te...