Mas, e se não houver eleições? Já não é o meu amigo quem me pergunta. Sou eu próprio quem me pergunta. Em épocas incertas o que mais nos fazemos é perguntar, se não aquém, a si mesmo. Não que tenhamos respostas, mas em vez de seguir esperando e esperar que piore, o que nos cabe é indagar. E em relação a isso, embora não seja uma resposta, é uma constatação que me parece irrefutável: se não houver eleições, a tendência é que se radicalize a situação. Dos dois lados. Isso porque o ímpeto dos golpistas é tal que estão convictos de que podem prescindir para sempre do diálogo e da pacificação política. Ocorre que não podem, porque em algum momento o elástico arrebenta. Não tenho idéia de qual seria esse momento, mas é natural que ele exista. Pode ser que seja o abismo econômico, uma crise geral do emprego, uma rebelião ou mesmo um novo posicionamento das classes médias. Pode ser, inclusive, que uma situação de crise maior leve a uma radicalização das forças sociais e...
Fábio Fonseca de Castro - Fábio Horácio-Castro - fabiofonsecadecastro.org fabiohoraciocastro.com