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Mostrando postagens com o rótulo Diplomacia Brasileira

Comentário sobre o Ministério das Relações Exteriores do governo Lula

Já se sabe que o retorno de Lula à chefia do Estado brasileiro constitui um evento maior do cenário global. E não apenas porque significa a implosão da política externa criminosa, perigosa e constrangedora de Bolsonaro. Também porque significa o retorno de um player maior no mundo multilateral. O papel de Lula e de sua diplomacia são reconhecidos globalmente e, como se sabe, eles projetam o Brasil como um país central na geopolítica mundial, notadamente em torno da construção de um Estado-agente de negociação, capaz de mediar conflitos potenciais e de construir cenas de pragmatismo que interrompem escaladas geopolíticas perigosas.  Esse papel é bem reconhecido internacionalmente e é por isso que foi muito significativa a presença, na posse de Lula, de um número de representantes oficiais estrangeiros quatro vezes superior àquele havido na posse de seu antecessor.  Lembremos, por exemplo, da capa e da reportagem de 14 páginas publicados pela revista britânica The Economist , em...

Comentário: A reunião dos BRICs, para além do pessimismo da mídia

Impressionante como a imprensa brasileira se posicionou contra criação do Novo Banco de Desenvolvimento (NBD) e do correspondente fundo estratégico, pelos cinco BRICS - Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul. Uma postura que não é inesperada. Impressionante, mas não inesperada. Em meio ao apagão crítico que atravessa, inebriada por um militantismo anti-PT, a imprensa brasileira se abstêm tanto de criticar o governo onde ele precisa ser criticado como de reconher as iniciativas importantes para a sociedade e o Estado brasileiro. A criação do Novo Banco de Desenvolvimento é uma dessas iniciativas importantes. Ela tem uma dimensão geopolítica maior, na conjuntura mundial. Dá aos BRICs o poder de questionar e de propor alternativas aos modelos econômicos impostos pelo FMI e outras instituições lideradas pelos países centrais, pois se conforma como uma alternativa ao FMI. Trata-se de um fato novo e maior da geopolítica mundial   e que consolida o aspecto multilateral da conjunt...

O tratado de livre-comércio de Mercosul e Palestina

Política se faz com mensagens. Algumas têm pouca efetividade e pouca objetividade, mas sua importância simbólica é grande. Eis um exemplo: o tratado de livre-comércio assinado pelo Mercosul e a pela Palestina, durante a cúpula de chefes de Estado do bloco em Montevidéu, na semana passada.  No evento, estavam presentes os presidentes das nações do bloco: Dilma Rousseff (Brasil), Cristina Kirchner (Argentina), José Mujica (Uruguai) e Fernando Lugo (Paraguai). Também compareceu ao evento o presidente da Venezuela, Hugo Chávez. A Palestina foi representada por seu ministro das relações exteriores, Al Maliki. O tratado tem importância mais política do que econômica, dado o baixo intercâmbio comercial entre as duas partes. Ele representa uma cópia do convênio assinado entre Mercosul e Israel em 2007, que entrou em plena vigência neste ano. Esse tratado representa mais um passo no apoio da região ao estabelecimento de um Estado palestino, depois que os quatro países do grupo o terem re...

Égua do banho que o Amorim deu na Folha de São Paulo

Excelente a resposta do ministro Celso Amorim à provocação da Folha de São Paulo: Folha - Vou lhe repassar uma pergunta que me foi feita por um oficial: e se fosse um general mandando no Itamaraty, os diplomatas iriam gostar? Amorim - Os diplomatas são muito disciplinados, a tradição era que os ministros não fossem da carreira e houve mesmo um que vinha da carreira militar, o general da reserva Juracy Magalhães. Então, o importante é ser patriota, ter humildade para ouvir e capacidade para decidir. Égua do banho!!

A onipresente embaixadora que recebeu Obama

Primeira mulher a chefiar o cerimonial do Itamaraty, a embaixadora Maria De Lujan Caputo Winkler viveu dias para l á de agitados durante a visita do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama. Seguindo o protocolo, foi a primeira pessoa a cumprimentar Obama quando ele desembarcou na Base A é rea de Bras í lia, no s á bado de manh ã . Mais tarde, subiu a rampa do Planalto ao lado do presidente americano e, enquanto ele almo ç ava, voou para o Rio, onde repetiria o gesto de boas-vindas, no s á bado à noite.  Obama ficou surpreso ao chegar ao Rio e deparar-se novamente com a embaixadora, dessa vez na Base A é rea do Gale ã o. Ele deixou de lado a formalidade e trocou o protocolar aperto de m ã o por dois beijos no rosto.  Obama repetiu o gesto segunda-feira de manh ã , ao deixar o Rio, a caminho do Chile. De novo, a embaixadora estava na Base A é rea, encarregada de dar tchau em nome do governo brasileiro.  Aos 56 anos, casada e com dois filhos, Maria De Lujan é ...

Itamaraty afasta embaixador acusado de desvio e fraudes

O embaixador brasileiro em Harare, capital do Zimbábue, Raul de Taunay foi exonerado pelo chanceler Antonio Patriota na semana passada. Taunay comandava a embaixada desde 2007 e foi afastado depois que o escritório financeiro do Itamaraty em Nova York detectou indícios de malfeitos: recibos ilegíveis, pagamentos indevidos, credores inexistentes, despesas não comprovadas... Coisa de US$ 300 mil. Temos que lembrar também de outros dois eventos negativos recentes: a distribuição de passaportes diplomáticos para políticos e familiares e o desaparecimento de 18 obras de arte na embaixada brasileira em Paris. Os punhos de renda do Itamaraty estão puídos depois de quase dois séculos de uma carreira exclusivista. E ainda falam mal das reformas que Lula fez na carreira.

Data histórica

Edital do Le Monde: “os livros de história vão guardar esta data, segunda-feira, 17 de maio, quando o Brasil e a Turquia propuseram à ONU o acordo negociado com Teerã”. Ver no blog do Favre.

Mídia brasileira segue desinformando

A imprensa brasileira segue desinformando. O Uol reproduz uma matéria da BBC Brasil, sobre editorial do jornal inglês The Guardian, trocando a manchete, dando a entender que ela tem outro enfoque. Diz a capa do Uol: “Ignorar acordo é ‘bofetada’ no Brasil, diz jornal”. Mas a matéria original, na BBC Brasil, diz: “Sanções contra o Irã são ‘bofetada na diplomacia dos emergentes’, diz jornal britânico”. http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2010/05/100519_press_ira_pu.shtml A manchete interna do Uol, entretanto, reproduz a da BBC: http://noticias.uol.com.br/bbc/2010/05/19/sancoes-contra-o-ira-sao-bofetada-na-diplomacia-dos-emergentes-diz-jornal-britanico.jhtm Ora, o editorial é totalmente favorável à posição de Brasil e Turquia. Diz o editorial: “A Turquia está emergindo como uma importante potência diplomática no Oriente Médio. Turquia e Brasil, o outro mediador do acordo, são membros não-permanentes do Conselho de Segurança e signatários do tratado de não-proliferação. O Japão, igualm...

Complexo de vira-latas 2

O que foi veiculado ontem a noite, em todos os telejornais, deu a entender que o esforço diplomático brasileiro é inócuo diante da vontade dos Estados Unidos em punir o Irã. Ora, isso é mais uma bobagem. Que decorre da ignorância purgativa gerada por esse complexo de vira-latas.  Qualquer analista internacional sabe que os EUA movem uma verdadeira cruzada contra os opositores de seus interesses geopolíticos no oriente Médio e que procura, de todo modo, isolar o Irã, tal como fez com o Afeganistão e o Iraque e forçá-lo a se render à estratégia norte-americana. E quando falo que qualquer analista internacional sabe disso posso até ir além e dizer que mesmo uma poarte importante da opinião pública norte-americana também sabe disso. Os leitores do New York Times escreveram fartamente em apoio à diplomacia brasileira, subindo o tom crítico à própria diplomacia.   Veja aqui . Alguém tem que lembrar que o Brasil não necessita da licença de terceiros para conduzir sua política ex...

Complexo de vira-latas 1

Alguém escreveu e eu li por aí que, se Lula fosse argentino, estaria sendo insuportável suportar a vaidade deles diante do acordo fechado com o Irã. Como Lula é brasileiro, em vez de vaidade se tem o contrário: o complexo de vira-latas, que faz com que se ache que o Brasil está indo longe demais. Que está se metendo onde não deve. Como se não devesse... Ora, em 2025, mantida a política de justiça social do PT, o Brasil será a quarta potência mundial (A respeito, veja as declarações do ministro Guido Mantega ao jornal   El País , publicadas hoje). Exercer um papel de agente global se torna uma imposição, que só não é vista ou aceita por causa desse complexo de vira-latas que as elites nacionais têm e que transmitem para toda a sociedade via seus meios de comunicação. O vice-líder da bancada do PT, deputado José Genoino (PT-SP), criticou agora há pouco a cobertura negativa dada por grandes órgãos de comunicação brasileiros ao acordo nuclear sobre troca de urânio assinado pelo Irã com...

Vitória da diplomacia

O acordo com o Irã, mais que uma vitória da diplomacia brasileira e do governo Lula, é um evento histórico, sem paralelo na história das relações internacionais do país. Não que seja o maior evento das relações internacionais - muito longe disso - mas é um evento inédito e importante. Histórico, portanto. Em primeiro lugar, porque firma o papel do país no cenário internacional, habilitando o Brasil como interlocutor. Em segundo lugar, porque solidifica um esforço "de estado" na direção da construção de um papel político. Lula se mostra chefe de estado, e não apenas líder de um governo. FHC sonhou em sê-lo, mas não o conseguiu. Aqui , a repercussão do acordo nos jornais do mundo. Aqui , o que Dilma disse a respeito, na entrevista que hoje cedo deu à CBN. 

Ser credor do FMI

Vale a pena ler o Editorial do Vermelho , o portal do PcdoB, de ontem: "Nunca antes neste país": o empréstimo brasileiro ao FMI O bordão do presidente Lula para descrever inúmeras realizações de seu governo - "nunca antes neste país" - talvez seja o mais apropriado para descrever a situação absolutamente nova, e altamente simbólica, das mudanças ocorridas nos últimos anos, e que tornaram o Brasil credor do FMI. Durante décadas o FMI foi a praga que travou o desenvolvimento nacional com suas restrições intransigentes ao investimento. O crescimento do país nunca foi o foco da atuação do Fundo que, ao contrário, sempre foi a principal agência de articulação dos interesses do capital financeiro mundial, dos interesses do imperialismo. Em todas as crises anteriores, desde as décadas de 1950 e 1960, suas imposições visavam à garantia desses interesses, e nunca ao fortalecimento da economia brasileira. Na crise de 1998, por exemplo, o FMI fez um acordo lesivo aos interesse...

A consagração de Celso Amorim

No The New ForeignPolicy.com : The world’s best foreign minister O melhor ministro de relações exteriores do mundo É impossível identificar apenas um momento crucial nos esforços de Amorim em metamorfosear o Brasil, de poder regional dormente de proeminência internacional questionável, em um dos mais importantes protagonistas do cenário global, reconhecido por consenso como possuidor de um papel de liderança inaudito. Pode ter sido quando o ministro teve um papel central em arquitetar a rejeição, pelos países emergentes, de uma jogada de poder do tipo “nada de novo”, por parte dos Estados Unidos e da Europa, durante a rodada de tratativas comerciais de Cancun em 2003. Pode ter sido o modo arguto como os brasileiros têm usado distinções como sua liderança em biocombustíveis para estabelecer novas pontes de diálogo e influência, seja com os Estados Unidos, seja com outras potências emergentes. Certamente, esse processo envolveu a determinação de Amorim em abraçar a idéia de converter os ...

Como se posiciona o Brasil?

Lula está no The Economist desta semana, com chamada de capa. A questão colocada pela ilustre revista é a mesma que muita gente se tem colocado (mas não a mídia nacional) diante da tensão crescente entre Venezuela e Colômbia: qual papel vai tomar o Brasil do PT, nessa questão? Qual o roteiro diplomático traçado pela potência regional em ascenção? Latin America ’s new alliances Whose side is Brazil on? Aug 13th 2009 From The Economist print edition Time for Lula to stand up for democracy rather than embrace autocrats THIS is a grand time to be a Brazilian, and especially to be Luiz Inácio Lula da Silva, the country’s inspirational president. Long the chronically underperforming giant of Latin America, Brazil is now on every list of the half-dozen or so new places that matter in the 21st century. It seems that no international gathering, be it to discuss financial reform or climate change, is complete without Lula, a former metal worker and trade-union leader whose bonhomi...

O Brasil está ali

Um strangemap: a projeção do GDF (Gross Domestic Product) de diversos países, equiparando-os a seus equivalentes, em termos de estados americanos. O GDF soma o consumo interno, investimento, gastos públicos e saldo da balança comercial).