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Mostrando postagens de abril, 2010

Verdades inconvenientes 4

Dizer quem é o líder mais influente do mundo é uma bobagem. É coisa do mais primário positivismo. Ninguém é líder de outros líderes e, talvez, nem mesmo diante de outros líderes. A liderança é um processo espúrio, mas natural, e por isso mesmo só ocorre num mesmo sistema. Então, vem o problema: como avaliar sistemas diferentes segundo um mesmo critério? A revista Time, ao indicar Lula o líder mais influente do mundo, fica parecendo um texto do Antigo Testamento, sendo conhecido o apreço, do Antigo Testamento, por coisas como "o rei dos reis", "o livro dos livros" e "a palavra superior a todas as palavras". E olha que quem está falando isso - eu - é um admirador incondicional do presidente Lula, que considera que, inclusive na política externa, ninguém fez mais pelo país do que ele e que, sim, ele ocupa uma posição de liderança central no cenário internacional. Mas não podemos nos permitir recair nas idéias feitas e ficar falando bobagem por aí. Apelemos à

Verdades inconvenientes 3

Não acompanho disputas de futebol.  Por um lado, porque não acredito em esportes coletivos.  Por outro, porque o futebol é uma coisa inextrincavelmente ligada ao nacionalismo, e penso que tal coisa pertence ao mundo dos imbecis.  Porém, devo dizer que pior que tudo isso, somente, é o fato do amadorismo, da incompetência e da dislexia mental dos dirigentes do futebol paraense. Já se tornou impossível até mesmo rir do que fazem e do que dizem.

Verdades inconvenientes 3

Não acompanho disputas de futebol.  Por um lado, porque não acredito em esportes coletivos.  Por outro, porque o futebol é uma coisa inextrincavelmente ligada ao nacionalismo, e penso que tal coisa pertence ao mundo dos imbecis.  Porém, devo dizer que pior que tudo isso, somente, é o fato do amadorismo, da incompetência e da dislexia mental dos dirigentes do futebol paraense. Já se tornou impossível até mesmo rir do que fazem e do que dizem.

Verdades inconvenientes 2

O que define o sucesso de uma campanha política, inclusive de esquerda, hoje, é a quantidade de dinheiro que é colocada nela. Já se foi o tempo em que a militância era alimentada por esperança, projetos, causas e debates. Hoje, se lhe paga. Já não há candidaturas “com idéias”. Os partidos caminham para se tornarem corporações políticas. Vivemos a era da política monocórdia.

Verdades inconvenientes 1

Uma das coisas mais ridículas da sociedade contemporânea é a militância ecológica repentina e deslumbrada de astros de Hollywood. Só de um James Cameron, um sujeito boa praça, mas sem conteúdo, ser contra Belo Monte, dá vontade de ser a favor de Belo Monte. Não digo isso a partir de um ponto de vista nacionalista - porque não sou nacionalista e faço mal juízo de quem o é - mas simplesmente porque essa gente não tem, mesmo, o que fazer. Ah, sim, e achei esse Avatar (que vi em CD pirata, porque me recuso a fortalecer os números da bilheteria dessa gente e, de quebra, fazer meu pobre dinheiro ir financiar a venda legal de armas nos EUA), esse filme, vocês sabem, uma chateação somente salva pelo próprio ridículo.

Verdades inconvenientes 1

Uma das coisas mais ridículas da sociedade contemporânea é a militância ecológica repentina e deslumbrada de astros de Hollywood. Só de um James Cameron, um sujeito boa praça, mas sem conteúdo, ser contra Belo Monte, dá vontade de ser a favor de Belo Monte. Não digo isso a partir de um ponto de vista nacionalista - porque não sou nacionalista e faço mal juízo de quem o é - mas simplesmente porque essa gente não tem, mesmo, o que fazer. Ah, sim, e achei esse Avatar (que vi em CD pirata, porque me recuso a fortalecer os números da bilheteria dessa gente e, de quebra, fazer meu pobre dinheiro ir financiar a venda legal de armas nos EUA), esse filme, vocês sabem, uma chateação somente salva pelo próprio ridículo.

O que significa "flexibilizar" o Mercosul

O professor Renato Martins publicou excelente artigo, intitulado “O que significa flexibilizar o Mercosul?” , no site Carta Maior. Em síntese, essa idéia de “flexibilização” é uma expressão demo-tucana, e portanto neoliberal, que propõe que se interrompa o processo de integração política do Mercosul e regrida à condição de uma simples área de livre comércio.  Inevitavelmente, isso levaria a uma política de bilateralidade entre os estados sul-americanos e deles com outros estados e, mais à fundo, a retomada do nefasto projeto da Alça, a Área de Livre Comércio das Américas, uma nulidade. Com o ingresso da Venezuela o Mercosul passa a contar com uma população de 270 milhões de habitantes, PIB de US$ 2,3 trilhões e território de 12,7 milhões de quilômetros quadrados, que se estende da Patagônia ao Caribe. 

Programa Mais Alimentos vira política pública permanente

E por falar em desenvolvimento rural, es aqui uma boa notícia: O programa Mais Alimentos passará a ser uma política pública permanente, anunciou o presidente Lula. O programa investe na agricultura familiar, gerando uma cadeia cíclica de investimentos em crédito, assistência técnica, seguro agrícola e comercialização. Trata-se, na verdade, de uma linha de crédito do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Famíliar (Pronaf ) destinada a modernizar as unidades produtivas da agricultura familiar. O limite de crédito por agricultor é de R$ 100 mil, que podem ser pagos em até dez anos, com até três anos de carência e juros de 2% ao ano. Os financiamentos contemplam projetos associados à produção açafrão, arroz, café, centeio, erva-mate, feijão, mandioca, milho, sorgo e trigo, além das atividades de fruticultura, olericultura, apicultura, aquicultura, avicultura, bovinocultura de corte, bovinocultura de leite, caprinocultura, ovinocultura, pesca e suinocultura.

O PT e o campo

Hoje começou, em São Paulo , o Encontro Nacional Extraordinário do Setorial Agrário do Partido dos Trabalhadores. O evento segue até 2 de maio. Reúne 147 delegados de 14 estados que realizaram encontros estaduais. Do ponto de vista partidário, é um evento importante, pelo fato de que concretiza a agenda do PT com o setor agrário. Essa agenda começou a ser fortalecida com a realização, em 2008, do Encontro Setorial Nacional de 2008, que indicou a necessidade de recriar a Secretaria Agrária Nacional do PT. Desde esse momento o PT começou a desenvolver uma reaproximação com os movimentos sociais do campo, interagindo em seus congressos e mobilizações. As principais organizações camponesas do país (Contag, Fetraf, MST e MLST) estabeleceram agendas de diálogo com as instituições agrárias do governo federal (MDA e INCRA). Ainda em 2008 foi elaborada a proposta “Diretrizes e Ações para os Municípios”, com a finalidade de subsidiar os programas agrários a serem apresentados pelas candidaturas

Cartas de Lisboa 2: De provérbio em provérbio

Por Felipe Horácio-Castro O Minho é a terra dos provérbios e, na escola, que na escola se aprende o essencial da cultura popular, todos sempre tinham pérolas do Minho a contar. Era o caso do Eusebiozinho: “Quem cabritos vende e cabras não tem, certamente fode alguém”. Com esse provérbio tornou-se o rei da escola, durante a recreação e alhures. Todos ficávamos pensativos, reflexivos, procurando acomodar o provérbio em questão aos fatos da vida e, essencialmente, encontrar alguém que fosse do conhecimento de todos que bem coubesse nele. “Ah, o padre-mestre Zacarias!” , sugeriu o Andrèzinho. “E ele por quê?” , perguntei. “Ora, porque o Zacarias anda sempre com uma garrafa de vinho no sovaco. De onde as tira?” “Da adega” , alguém respondeu. “Exato” , continuou o Andrèzinho, “E quem tem as chaves da adega?” “A leiga Conceição!” , todos constatamos em silêncio de reverência. A leiga Conceição era a beata que supervisionava os serviços da cozinha, uma das muitas voluntárias que atuavam em n

Mais sobre o mestrado

À @grapheir e aos outros que demandaram mais notícias sobre o mestrado em comunicação: O corpo docente do programa está se reunindo sistematicamente e construindo a documentação necessária, de regimentos a plantas-baixas do espaço do curso. Logo será lançado o edital da seleção, que poderá esclarecer as dúvidas, mas está certo que as aulas serão iniciadas em agosto próximo. Além do que já comentei aqui , as únicas variações se dão em relação às linhas de pesquisa, que, sob aconselhamento da Capes, serão as seguintes e não mais, portanto, as que indiquei no post anterior: "Estratégias de comunicação midiática na Amazônia" e "Mídia e cultura na Amazônia".

Gerson Peres responde ao blog

O deputado Gerson Peres respondeu ao Hupomnemata nossas provocações publicadas aqui e aqui . Agradeço ao deputado a atenção e o cuidado da resposta, que muito nos honra. Percebo que compreendeu a "pilhéria" e procurou esclarecer seu projeto de lei. Esse é o espírito do blog, e por isso trago seu comentário para a caixa de postagem.   Gerson Peres  disse... Bem, vamos lá, a discussão é válida e também quero participar, afinal sou autor do Projeto de Lei e gostaria de colocar aqui o meu posicionamento. vc escreveu: 1. Se eu comentar num Post que eu mesmo fiz, dizendo que o Deputado Gerson Peres fez tal coisa, vou preso por que fiz um comentário ou por que fiz o post? Resposta: O projeto emana do fato concreto, tem anônimo difamando, injuriando no post. O projeto não fala em prisão. 2. E se eu comentar o comentário de alguém sobre o post que eu mesmo fiz? Nesse caso serei cúmplice de mim mesmo? Resposta: Desde que não pratique crime contra a honra e a dignidade, claro

Heranças à Esquerda 32

Esquerdas Brasileiras 3: O PCB 3 – A dissolução, em 1991 Em 1991, a liderança do PCB estava sendo disputada por três chapas. Roberto Freire, Sérgio Arouca e Salomão Malina lideravam a tese da reformulação partidária reunidos da chapa “Socialismo e Democracia”. Eram apelidados de “renovadores modernizantes”. Um grupo mais “ortodoxo”, o dos “renovadores revolucionários”, se reunia em torno da chapa “Fomos, Somos e Seremos Comunistas”. Um terceiro grupo formava a chapa “Política de Esquerda pelo Novo Socialismo”. A primeira dessas chapas obteve 54% dos votos e determinou a composição do novo Diretório Nacional. Isso significou a vitória das teses liberalizantes. Na prática, representava a superação dos conceitos de partido único, ditadura do proletariado e centralismo democrático. A economia de mercado numa sociedade socialista passava a ser a nova bandeira dos comunistas. Logo, os “renovadores modernizantes” extinguiam o PCB para criar o Partido Popular Socialista (PPS). O grupo dos “re

Ainda o projeto de Gerson Peres

Até sonhei com isso . Na verdade fiz um pesadelo - do tipo, digamos, pós-kafkiano. E acordei com algumas dúvidas:  1) Se eu comentar num post que eu mesmo fiz, dizendo que o deputado Gerson Peres fez tal coisa, vou preso por que fiz o comentário ou por que fiz o post? 2) E se eu comentar o comentário de alguém sobre o post que eu mesmo fiz? Nesse caso serei cúmplice de mim mesmo? 3) E se se formar um debate entre vários blogs, através das caixas de comentários: todos seremos presos com a circunstância agravante de formação de quadrilha? 4) No caso de eu ser preso porque alguém comentou algo no meu blog, terei cometido um ato doloso ou culposo? Espero que culposo, pelo menos isso... Alguém já formou opinião à respeito dessas questões?

Patos...

"Welcome to Dismayland". Série de imagens do fotógrafo norte-americano  Jeff Gillette , um sujeito apocalíptico e um tanto messiânico...  Mais aqui .

Ciro Gomes fala!

Apaixonadas as declarações de Ciro Gomes ao jornalista Kennedy Alencar, veiculada ontem no programa “É Notícia” da Rede TV! A respeito do PMDB: “o PMDB é um ajuntamento de assaltantes”, “hoje quem manda no PMDB não tem escrúpulo, nem ética. Michel Temer é o chefe dessa turma”. Também disparou contra a mídia hegemônica e sua associação fraudulenta com os institutos de pesquisa: “Montenegro, do Ibope, vende resultado de pesquisa. Ele vende até a mãe”, “Sabe quantas vezes saí na Rede Globo sendo o deputado proporcionalmente mais votado do país? Uma vez, no Jornal Nacional, e para falar mal”. E ainda disparou contra o PSDB-DEM: “Serra tem olhos de cobra”, “FHC se juntou com uma turma inescrupulosa, bandida e suja para governar”. Criticou e também elogiou Lula e Dilma. Disse que a estratégia política do PT está levando o país ao bi-partidarismo e, porfim, disse que a campanha de Dilma pode ser prejudicada por inexperiência governamental.

Filosofia no rádio e na internet

A filosofia deve falar às massas. Ajudar o sujeito a pensar e o ser a, não tão obviamente, ser. Duas sugestões: Public Ethics Radio  é um sítio com dinâmica rádio-web que se propõe a refletir sobre temas centrais de ética pública. Por sua vez, Philosophy Talk é um programa de rádio feito por dois filósofos profissionais, John Perry e Ken Taylor, ambos da  Stanford University . 

Gérson Peres é notícia nos blogs

O deputado paraense Gérson Peres virou notícia nos blogs brasileiros e, curiosamente, em muitos blogs de esquerda. Mas não positivamente. Ao menos ainda.  Fala-se dele, por exemplo, no Diário de um Bobo da Corte , em Os Amorais , no Leite com Manga e, notadamente, no Portal Vermelho . O motivo é o projeto de lei  7.131/2010, de sua autoria, apresentado no dia 14 de abril deste ano, que responsabiliza os editores de blogs pelos comentários que os leitores fizerem sobre seus textos. Exatamente, se você é um blogueiro pode ser punido por uma coisa que não fez, ou melhor, você será punido por uma coisa feita por outra pessoa.

Os 80 anos de Madame Tavares

A economista Maria da Conceição Tavares, polemista briosa, briguenta incendiária, concedeu ótima entrevista à Globo News, esta semana, por ocasião de seu 80º aniversário. A repórter, infelizmente, tem necessidade de noções básicas de história do Brasil. Confunde Caio Prado Jr com Celso Furtado e perdeu chances de explorar temas sore os quais sabemos pouco, havendo espaço de tempo e boa vontade da entrevistada para abordá-los, dentre os quais os enlaces do regime militar com o desenvolvimentismo, a passagem de FHC ao neoliberalismo e as razões que fizeram a elite dos economistas paulistas irem atrás dele. Segue abaixo, na íntegra (tem cerca de 1 hora de duração).

O fim da era Gilmar Mendes, dantesca e impressionante

Cezar Peluso assumiu a presidência do Supremo Tribunal Federal. Chegou ao fim a era Gilmar Mendes, o período mais estranho da história do STF. Estranho porque, na longa história de relações corporativas e classistas no controle do Estado, inclusive - ou sobretudo - nas esferas do poder judiciário, jamais se havia visto tanta proximidade e interferência entre o poder público e os interesses privados.  O jornalista Leandro Fortes resumiu bem a era Gilmar Mendes no STF, em artigo publicado no blog Brasília Eu Vi . Sua síntese é perfeita:  “No fim das contas, a função primordial do ministro Gilmar Mendes à frente do Supremo Tribunal Federal foi a de produzir noticiário e manchetes para a falange conservadora que tomou conta de grande parte dos veículos de comunicação do Brasil”. Concordo integralmente. A gestão de Mendes pode ser comparada como a chegada ao poder de um deslumbrado. Desejando, provavelmente, tornar-se arauto de uma direita brasileira pós-neo-liberal e ainda sem líderes. Deu

Cartas de Lisboa 1: Mamadu trata do seu mal

Por Felipe Horácio-Castro Gonçalo é meu amigo desde a adolescência, sendo que ainda continua nela, o infeliz. Acredita ser infeliz no amor e no jogo, simultaneamente, mas a verdade é que o é por não dar atenção a nada. Dias sim, dias não, está com a cabeça na lua. Nos dias não procura-me. Procurou-me na semana passada, me chamando de Felipinho, como na escola se fazia. “Felipinho, que pensas tu desses videntes africanos que andam a infestar Lisboa?”. Refleti por alguns segundos. De fato, há desses videntes por todos os lados. Mas não me incomodam. “Não me incomodam”, respondi. “Mas acreditas que eles têm mesmo esses poderes?” “Poderes de fazer o que?” “De conhecer o futuro, ora! E de liberar o corpo dos possuídos, essas coisas, tu sabes”. Percebi logo que Gonçalo andava comido da cabeça. Percebi, sem mais palavras suas, o que estava pensando. Não seria eu quem lhe iria ferir as expectativas. “Acho que sim”. Eu achava que não. Aliás, achava que esses videntes eram todos uns picaretas. D

Belo Monte 11: O que a usina também poderia trazer de bom para o Pará?

Algumas coisas simplesmente não foram negociadas e poderiam ter sido. Em primeiro lugar, o projeto não destina nem um mísero quilowatt (KW) para as comunidades amazônicas. Comunidades que até hoje não dispõem de energia. É um absurdo completo ninguém ter pensado nisso. Em segundo lugar, há investimentos sociais que não foram cogitados, ao menos ainda, tal como o Governo do Estado teve o cuidado de fazer em relação à Alpa, em Marabá. Por exemplo: a utilização de mão-de-obra local e o financiamento da qualificação dessa mão-de-obra. E, além disso, o planejamento de estratétigas de minoração do impacto social que, sim, será enorme. Por exemplo, a previsão de construção de hospitais, escolas e centros de lazer para a população de Altamira e de outros municípios próximos.

Belo Monte 10: O que a usina traz de bom para o Pará?

Em primeiro lugar, cerca de R$ 160 milhões anuais, arrecadados à título do encargo Compensação Financeira pela Utilização de Recursos Hídricos (CFURH).  Desse total, R$ 64 milhões anuais (40% do total) irão para os municípios no entorno da usina. O Pará e a União ficarão com outros 60%, sendo que a parte da União será investida no estado. Em segundo lugar, o investimento exigido pelo Ibama, como condicionante à construção da usina, que deverá ser o equivalente a 19 vezes o orçamento do Pará, na área sócio-ambiental, em 2010. Em terceiro lugar, o que me parece extremamente importante, o uso de uma parte considerável dessa energia no próprio estado.  De acordo com uma negociação realizada entre o Governo Federal e o Estado do Pará, até 20% da energia de Belo Monte permanecerá no estado, para atender empresas eletrointensivas locais, como Albrás e Alunorte. Isso é importante para gerar vantagens competitivas para esses grupos, no cenário internacional, e fazê-los crescer. Cabe ao governo

Belo Monte 9: O papel do BNDES

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) está no papel certo, que é financiar grandes ações de desenvolvimento logístico. No entanto, é preciso observar dois elementos que não estão sendo debatidos: 1) Para financiar cerca de 80% de R$ 20 bilhões, custo aparente da obra, o BNDES vai ter que se capitalizar. Outros projetos, talvez mais necessários e estratégicos, deixarão de ser apoiados. 2) Atualmente, o banco permite financiamentos em até 25 anos, dos quais cinco de carência e vinte de amortização. Belo Monte vai quebrar essa regra, porque será financiada em até trinta anos, sendo cinco de carência e 25 de amortização. Essa exceção à norma abre um espaço de fragilidade institucional.

Belo Monte 8: Quem vai construir Belo Monte

Havendo validade no leilão, um consórcio formado por nove empresas, que possuem as seguintes quotas do investimento: Chesf com 49,98%, e será composto ainda pela Construtora Queiroz Galvão (10,02%); Galvão Engenharia (3,75%); Mendes Júnior (3,75%); Serveng-Sivilsan (3,75%); J Malucelli Construtora (9,98%); Contern Construções (3,75%); Cetenco Engenharia (5%) e Gaia Energia e Participações (10,02%). A Chesf, uma empresa que é subsidiária da Eletrobrás. Segundo notícias publicadas hoje nos jornais, no entanto, as construtoras Queiroz Galvão e J. Malucelli, que, somadas, detêm 20% do consórcio, comunicaram aos demais sócios que pretendem abandonar o negócio, o que provavelmente é uma estratégia para aumentar ainda mais a partricipação do governo no negócio. É preciso lembrar, ainda, que o Governo Federal também poderá conceder um pacote de isenções fiscais às empresas vencedoras do leilão que devem incluir um desconto de 75% no Imposto de Renda por um período de dez anos. Um desconto a se

Belo Monte 7: O tamanho da usina

Na sua vazão baixa, Belo Monte pode gerar a mesma energia que três usinas nucleares do tamanho de Angra 2 somadas. Ou a mesma que 100 usinas eólicas. No período de cheia, com 11 mil MW sendo produzidos, vai gerar mais energia do que Tucuruí, a parte brasileira de Itaipu ou que a soma das duas usinas em construção no Rio Madeira. Segundo os cálculos do governo Belo Monte vai responder por cerca de 6,5% da energia do país.

Belo Monte 6: Os impasses do desenvolvimento

Belo Monte está sendo construída para abastecer um setor da indústria denominado eletrointensivo. Fazem parte desse setor as mineradoras, siderúrgicas e cimenteiras. Esse setor consome cerca de 30% de toda a energia do país. As características básicas das indústrias eletrointensivas são as seguintes: elevado consumo de energia subsidiada (ou seja, pagam poucos impostos), geram poucos empregos e vivem da exportação de um produto com baixo valor agregado (não escalonam o desenvolvimento). O perfil do parque industrial brasileiro está muito concentrado nesses setores eletrointensivos. Aliás, isso pode explicar a obsessão do governo federal com Belo Monte. Às vezes dá impressão de que a usina está sendo construída apenas para satisfazer a demanda desses grupos mínero-metalúrgicos. O problema de produzir bens de baixo valor agregado e de alto conteúdo energético é que afirma um modelo de desenvolvimento que internaliza pouca renda e impulsiona pouco o desenvolvimento social.

Belo Monte 5: De que energia o Brasil precisa?

O Brasil tem um consumo per capita de 2.300 quilowatts/ hora ao ano (kW/h). É um consumo relativamente baixo, quando comparado a outros países desenvolvidos: entre sete mil e nove mil kW/h por ano na Europa Ocidental e cerca de 14 mil kW/h por ano nos EUA. Isso quer dizer que o consumo brasileiro tende a aumentar muito. A matriz energética brasileira é pouco variável. É preciso investir mais em energia limpa, como a eólica e a solar, porém, diante do potencial hidrelétrico existente, o governo não consegue planejar essa diversificação. Só o PAC-2 há sete empreendimentos previstos para a bacia do rio Tapajós, também no Pará. Segundo a Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) do total da energia já leiloada e com previsão de entrar em operação até 2016 (o equivalente a 32,1 mil megawatts), cerca de 60% provém de termelétricas, usinas que funcionam a óleo, gás natural e carvão. Ou seja, energia “suja”, poluidora. De fato, as emissões de dióxido de carbono, principal gás causador do ef

Belo Monte 4: Para lembrar a longa duração de Belo Monte

A história de Belo Monte começou em 1975, com os primeiros estudos para o aproveitamento hidrelétrico do rio Xingu. Esses estudos foram realizados pelo Consórcio Nacional de Engenheiros Consultores S.A (CNEC Engenharia), empresa que fazia parte do grupo Camargo Correa, sob supervisão das Centrais Elétricas do Norte do Brasil S.A (Eletronorte) e de acordo com o modelo militar adotado para os grandes projetos para a Amazônia. A intenção, nesse momento, era construir um complexo de sete usinas, agrupadas sob a denominação de Complexo Hidrelétrico do Xingu, ou Complexo de Kararaô. Os foram finalizados em meados dos anos 1980, mas em 1989, diante do impacto político e midiático causado pelo 1º Encontro dos Povos Indígenas do Xingu, realizado em Altamira, Pará, o governo recuou. Esse encontrou reuniu cercxa de 3 mil pessoas, inclusive lideranças indígenas como Raoni Metuktire (cacique Kayapó), Marcos Terena e Ailton Krenak, além de figuras como o cantor Sting, centenas de ambientalistas e de

Belo Monte 3: O que está sem resposta

1. A variação na oferta da energia.   Belo Monte vai gerar 11 mil megawatt (MW) somente durante quatro meses por ano. Em outros quatro meses a usina funcionará apenas com 30% a 40% dessa capacidade e, nos quatro meses restantes, não gerará praticamente nenhuma energia. Isso compromete e talvez inviabiliza o custo-benefício da usina. 2. O fator social  O deslocamento de cerca de 20 mil pessoas que habitam o espaço que será inundado. Esse deslocamento não deve ser visto como um fato secundário. Há relações sociais e econômicas que estão sendo minimizadas. 3. A indefinição da área que será realmente inundada.  O EIA realizado diz o reservatório, com seus 516 Km², atingirá diretamente três municípios: Altamira, Vitória do Xingu e Brasil Novo, mas especialistas afirmam que Anapu e Senador José Porfírio também serão afetados. 4. A indefinição do impacto populacional. O EIA projeta que 300 mil paraenses, de onze municípios (Altamira, Senador José Porfírio, Anapu, Vitória do Xingu, Pacajá, P

Belo Monte 2: O modelo energético brasileiro

O regime militar construiu um modelo energético centralizado e estatal, estruturado sobre grandes hidrelétricas. Com a redemocratização, a geração de energia virou uma moeda de troca política: empresas de energia estaduais receberam subsídios e contas foram superpostas, provocando um emaranhado inadiministrável de processos. O modelo começou a ser desmontado no governo FHC, mas da forma mais atabalhoada possível, a partir de um estudo feito pela empresa de consultoria Coopers para a Inglaterra e que ignorava totalmente as características brasileiras. Essa mudança, basicamente, foi a seguinte: enquanto o modelo militar privilegiava as hidrelétricas e a projeção de cenários de longo prazo, o modelo neo-liberal privilegiou as empresas distribuidoras e o jogo do mercado à vista, deixando de garantir projetos de longo prazo e também preços subsidiados, gerando com isso uma instabilidade que espantou todo investimento no setor da geração. Com isso, veio o apagão, em 2001. Outra conseqüência

Belo Monte 1: As águas que (não?) vão rolar...

A novela Belo Monte ainda terá muito capítulos. Em termos dramatúrgicos, está mais para O Direito de Nascer , com seus mais de 400 capítulos, que para uma minissérie. Mas isso acaba sendo bom, porque são tantos os questionamentos não esclarecidos sobre a usina que se continua sendo fundamental ampliar o debate. A desistência repentina de duas empresas que, ontem apenas, venceram o leilão, soa como pressão para que o governo entre com mais e mais recursos no projeto. E tudo parece indicar que o governo vai acatar mais essa pressão. De fato, parece inemovível de sua disposição em aprofundar os estudos e o diálogo sobre o empreendimento, como parte da sociedade civil demanda. Aproveito o feriado para fazer algumas considerações, na série de postas que seguem.

Morreu Dorothy Heigh

Aos 98 anos morreu Dorothy Height, ativista dos direitos civis norte-americanos. Ela estava entre os líderes da coalizão de afro-americanos que pressionaram os direitos civis para o centro do palco político dos EUA após a Segunda Guerra Mundial, sendo ela uma figura-chave na luta pelo fim da segregação escolar, dos direitos de voto, oportunidades de emprego e acomodações públicas nos anos de 1950 e 1960. Foi presidente do Conselho Nacional das Mulheres Negras por 40 anos, abandonando o título em 1997. O grupo de defesa que conta com 4 milhões de membros é composto de 34 organizações nacionais e 250 organizações de base comunitária. Foi fundada em 1935 pelo educador Mary McLeod Bethune, que foi um dos mentores de Height. Como um ativista dos direitos civis, Height participou de protestos no Harlem durante a década de 1930. Em 1940, ela pressionou a primeira-dama Eleanor Roosevelt, em nome da causa dos direitos civis. E em 1950, incitou o presidente Dwight D. Eisenhower a agir de forma m

Morreu Dorothy Heigh

Aos 98 anos morreu Dorothy Height, ativista dos direitos civis norte-americanos. Ela estava entre os líderes da coalizão de afro-americanos que pressionaram os direitos civis para o centro do palco político dos EUA após a Segunda Guerra Mundial, sendo ela uma figura-chave na luta pelo fim da segregação escolar, dos direitos de voto, oportunidades de emprego e acomodações públicas nos anos de 1950 e 1960. Foi presidente do Conselho Nacional das Mulheres Negras por 40 anos, abandonando o título em 1997. O grupo de defesa que conta com 4 milhões de membros é composto de 34 organizações nacionais e 250 organizações de base comunitária. Foi fundada em 1935 pelo educador Mary McLeod Bethune, que foi um dos mentores de Height. Como um ativista dos direitos civis, Height participou de protestos no Harlem durante a década de 1930. Em 1940, ela pressionou a primeira-dama Eleanor Roosevelt, em nome da causa dos direitos civis. E em 1950, incitou o presidente Dwight D. Eisenhower a agir de forma

Um tetrâmetro trocaico cataléptico

Bom, é para rir, mas para quem quiser levar à sério aqui vai a explicação para o que vem a ser um "tetrâmetro, trocaico cataléptico" : Tetrâmetro: O fato essencial – e torpe – é que cada verso é composto por quatro troquéus. Um troquéu é uma coisa formada por duas sílabas, sendo que a primeira é tônica e a segunda atônica. Coisa típica do inglês: “ti•ger”. Isso é curioso porque a métrica latina sempre opõe o peso relativo de sílabas longas a curtas, ao cpontrário do inglês. Mas, como se sabe, o inglês é uma língua semi-bárbara. Então, fica sendo curioso. Já que cada verso contém quatro troquéus, ele pode ser considerado um tetramétrico.  Cateléptico: O último troquéu, no entanto, é monossilábico. Ou seja, está incompleto: (“bright“). Esse corte é chamado catalexis. Por isso se diz que o último troquéu é cataléptico. Trocaico:  É o ritmo. O ritmo do poema, que quase reproduz o andar de um tigre, pé ante pé, sincopado, nessa calma contida dos felinos e, talvez, de cer

O que a semana traz

Nesta bela semana de abril, que começa chuvosa e vesga, temos muito a fazer por aqui. Discutir Belo Monte, certamente... em primeiro lugar. Mas também outras pequenas coisas. Na "Heranças à Esquerda" continuaremos falando sobre o PCB. Amanhã, terça, teremos uma crônica que inicia com o final trágico, mas faremos uma elipse para, na próxima quinta, retomarmos com as grandes heranças deixadas pelos velhos comunistas. Também pretendo iniciar uma série que fala sobre os diversos programas de pós-graduação em comunicação existentes no Brasil e dar novas informações sobre nosso programa na UFPA, pois algumas coisas mudaram em relação ao meu último post. Para descontrair, na série "Música do meio-dia" teremos uma "Semana Muppet". Lembram de Caco, o Sapo; Miss Pigg, Bongo e  outros? Pois é. Sim, e também teremos uma novidade: o Hupomnemata passará a publicar, às quartas-feiras, as crônicas do meu primo Felipe Horácio-Castro, um paraense-lisboeta não tem competê

Tyger, Tyger, burning bright...

Recebi uma tradução nova de "Tyger, Tyger" o poema de William Blake cujo mérito de ser um  tetrâmetro trocaico cataléptico, forma rara e difícil de poesia, não supera o fato de ser um dos mais belos poemas já escritos. A excelente tradução é do português  Jorge Vaz de Carvalho, que também traduziu toda a coletânea de " Canções de Inocência e Experiência". Tigre Tigre, brilho em brasa,                  Tyger, Tyger, burning bright Que a floresta à noite abrasa:                 In the forests of the night, Que olho eterno ou mão podia,              What immortal hand or eye Traçar-te a fera simetria?                        Could frame thy fearful symmetry? Em que longe lerna ou céus,                    In what distant deeps or skies Arde o fogo de olhos teus?                         Burnt the fire of thine eyes? Em que asas ousa ele ir?                           On what wings dare he aspire? Que mão ousa o fogo asir?                       What the hand d