A novela Belo Monte ainda terá muito capítulos. Em termos dramatúrgicos, está mais para O Direito de Nascer, com seus mais de 400 capítulos, que para uma minissérie. Mas isso acaba sendo bom, porque são tantos os questionamentos não esclarecidos sobre a usina que se continua sendo fundamental ampliar o debate. A desistência repentina de duas empresas que, ontem apenas, venceram o leilão, soa como pressão para que o governo entre com mais e mais recursos no projeto. E tudo parece indicar que o governo vai acatar mais essa pressão. De fato, parece inemovível de sua disposição em aprofundar os estudos e o diálogo sobre o empreendimento, como parte da sociedade civil demanda. Aproveito o feriado para fazer algumas considerações, na série de postas que seguem.
Um amigo me pergunta se acho que Lula deve ser candidato a presidente, mesmo com a prisão. Respondo que sim, porque não tem sentido ser diferente. Lula não ser candidato seria de uma deslealdade imperdoável do PT para com ele. A pergunta, na verdade, respondo ao meu amigo, é sobre quem deve ser o vice de Lula, porque quase tão certo como Lula ser o candidato do PT, é a possibilidade de que a justiça eleitoral casse a sua candidatura, sendo lógico, nesse caso, que seu vice assuma a cabeça de chapa. E, como sabemos como o bloco golpista joga, eles provavelmente farão isso o mais tarde possível, procurando inviabilizar que o PT chegue ao segundo turno. Nesse cenário, a tendência é que o PT venha com uma chapa “puro-sangue”. Provavelmente com Haddad para vice. Eventualmente com Jacques Wagner ou Patrus Ananias e, um pouco menos provavelmente, com Celso Amorim. Meu amigo, que não é do PT, viu claros sinais de que Lula, naqueles momentos heróicos antes da prisão, te...
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