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Mostrando postagens com o rótulo Política de Segurança Pública

Belém explode de violência. E o Governo Jatene com isso? E as políticas sociais com isso?

Há alguns dias meu filho foi assaltado, pela segunda vez, e na mesma rua, a Quintino, entre José Malcher e João Balbi. Hoje mesmo uma vizinha foi assaltada, quando entrava no prédio. Ela e o porteiro foram rendidos por um assaltante armado. O sujeito tinha um cúmplice, também armado, que dirigia uma moto. Nenhum desses dois acontecimento, felizmente, produziu uma violência maior que a já imensa violência de ser assaltado. Mas é preciso pensar na questão da segurança, porque, independentemente de episódios pessoais, é evidente que Belém, que o Pará, estão vivendo num tempo de completo descontrole, de radical descaso e absurda incompetência com a questão da segurança pública – afora, é claro, as outras inúmeras questões de descontrole, descaso e incompetência que nos rodeiam: na gestão pública, na educação, na economia, nos transportes públicos, na cultura... Agora, se me permitem refletir um pouco sobre essa questão, quero observar algo a respeito do assalto do meu filho. Logo apó...

Máquina Mortífera: a polícia do PSDB

Governo Jatene recua, greve da polícia é suspensa, mas tudo indica que movimento vai continuar

O governo Jatene recuou, como todos sabíamos que recuaria. Foram mais de 10 horas de pressão, ao som do hino do Pará, com o que Polícia Militar e Corpo de Bombeiros conseguiram perturbar o Governo.  Porém, se a greve terminou, a tensão continua, porque a categoria continua insatisfeita. Quando se compara os ganhos obtidos com a negociação pelas polícias do Pará e do Ceará, percebe-se porque, no Pará, a categoria continua insatisfeita. O reajuste salarial concedido é insuficiente. As vantagens ficam aquém das que foram concedidas à segurança pública do Ceará.  Todos sabemos que não deixa de ser uma vitória do movimento sobre um governo que não pretendia conceder nada à categoria.  Uma vitória que fortalece a reivindicação dos delegados paraenses, que se reunirão com o Governo Jatene na próxima segunda-feira. Uma reunião que Jatene já adiou por 12 vezes. Uma vitória que fortalece a categoria para avançar nas negociações. Ou seja: as coisas ainda não estão em paz. Nos quart...

Adolescente de 14 anos, 4 dias num presídio, prostituida

Reproduzo matéria publicada no Globo.com hoje: Uma adolescente de 14 anos teria sido abusada durante quatro dias dentro das dependências da Colônia Heleno Fragoso, em Santa Izabel do Pará. O caso foi denunciado neste sábado pelo Conselho Tutelar do município e está sendo investigado pela Divisão de Atendimento ao Adolescente (Data). A Superintendência do Sistema Penitenciário do Estado (Susipe) apura a denúncia. As informações são do Portal ORM. Segundo o Conselho Tutelar, a adolescente está abrigada em uma casa de passagem em Belém. Outras três menores também estariam envolvidas no caso. De acordo com Benilson Silva, conselheiro tutelar responsável pelo caso, as autoridades só souberam do fato depois que a adolescente fugiu do presídio estadual, na manhã deste sábado e denunciou o caso para uma equipe da Polícia Militar que passava próximo ao local.  - A polícia recolheu a menina e encaminhou para o Conselho Tutelar - explica. A adolescente prestou depoimento neste sábado na Da...

Revólveres, pistolas e fuzis: as verdadeiras armas de destruição em massa

Reproduzo texto de JP Charleaux, do Ópera Mundi, esclarecedor sobre o uso provado de armas de fogo Revólveres, pistolas e fuzis: as verdadeiras armas de destruição em massa Por João Paulo Charleaux Hoje, 94 brasileiros morrerão depois de receber um disparo de arma de fogo. É como se a tragédia ocorrida há uma semana na Escola Municipal Tasso da Silveira, em Realengo, no Rio de Janeiro, se repetisse oito vezes por dia. Todos os dias.   Por não compor um enredo comovente, esta hecatombe a granel passa para os registros sorrateiramente – não há cartas de psicopatas suicidas, nem há vídeos no Youtube mostrando parentes gritando na rua e estudantes fugindo. Não é notícia. E, por isso, os 60 milhões de brasileiros que foram contra a proibição do comércio de armas no Brasil, no referendo de 2005, não se sentem responsáveis por nada disso.   Agora, uma nova iniciativa parlamentar pretende convocar mais um referendo sobre o tema, provavelmente, para o dia 2 de outubro. A proposta, ap...

A motivação do atirador de Realengo

Reproduzo artigo de Eduardo Guimarães, publicado no  Blog da Cidadania : O Brasil ainda tenta entender o que levou o soturno e jovem Wellington a praticar aquela insanidade. Reflexão mais fria sobre o caso, porém, permite identificar um ponto em comum entre casos como o de Realengo e os que acabaram se tornando “comuns” nos Estados Unidos. Os autores dos massacres aparecem sempre como jovens retraídos e, no mínimo, evitados pelos colegas. E esse é o elo, o convívio social turbulento entre adolescentes. No caso do atirador brasileiro, circulou pela internet informação de que teria escolhido preferencialmente as meninas bonitas. Seu ataque visou, objetivamente, o gênero dos alvos, pois quase todas as vítimas são do sexo feminino. Esses fatos, associados a informações de que Wellington fora alvo de zombarias, tendo sido alcunhado como “Al Qaeda” por se mostrar interessado e se parecer, nos hábitos, com extremistas muçulmanos, além do histórico de que meninas lideravam as zom...

Violência nos governos tucanos (6)

Ainda sobre o tema, houve, também, uma indagação do advogado Yúdice Andrade, feita também no Flanar, que reproduzo e respondo em seguida; Yúdice Andrade  disse... Acho válida a tréplica, mas preciso lembrar que, embora seja essencial aumentar o contingente policial - e nesse ponto realmente merece elogios a iniciativa de empossar os dois mil novos policiais -, sem o treinamento adequado os resultados podem ser, na melhor das hipóteses, insuficientes. Na pior, podem ser literalmente mortais. Gente despreparada e mal remunerada com uma arma na mão e poder no costado, inserido numa instituição com problemas históricos graves, pode fazer mais mal do que bem. Na época em que esses dois mil novos policiais foram às ruas, afirmou-se que o curso preparatório deles fora reduzido, para que chegassem às ruas mais rapidamente. De que isso adianta? Gostaria que o nosso ex-secretário falasse um pouco sobre isso. Minha resposta: Houve o treinamento previsto por determinação legal, com a mesma car...

Violência nos governos tucanos (5)

Vamos à tréplica. Me parece que a questão que falta responder, então, é a respeito das medidas que foram tomadas no governo Ana Júlia que podem ter impacto sobre a redução da violência no Pará: Quais foram? Foram corretas? Que impacto terão?   Vamos observar, então, a ação do governo Ana Júlia na área de segurança.  Comecemos do compromisso de campanha. A área da segurança figurava no item 4 dos “13 Compromissos” amplamente divulgado na campanha de 2006 e que dizia o seguinte: “Combater a criminalidade; ampliar os recursos para segurança pública; criar a política estadual dos direitos humanos; fortalecer a Defensoria Pública e combater as violências praticadas no Pará”. É um compromisso genérico, que foi especificado em documentos posteriores, mas serve para ter uma visão de conjunto. Vejamos: O mandato combateu a criminalidade? Isso se faz de maneira integrada, numa ação pública que envolve várias áreas. Porém, há algumas estruturais, como o aumento do efetivo policial e a re...

Violência nos governos tucanos (4)

Trago da caixa de comentários para cá a resposta que foi dada, a minha réplica , sobre a questão da violência no Pará: Obrigado por responder. Também considero os seus comentários e o próprio debate muito importantes. Quanto ao segundo comentário, porém, ainda guardo algumas ressalvas em relação à seleção de prioridades políticas e de gastos públicos. Acho que uma resposta melhor nos poderia ser dada pela avaliação (quanti e qualitativa) a respeito dos programas de governo. Com dados da própria Sepof (PPA e os programas de monitoramento de gastos e atividades, por exemplo), imagino que fique mais claro quais foram os programas e áreas priorizados, do ponto de vista de financeiro, e os que minguaram por falta de verba etc. Acredito que assim, teríamos condições de começar a entender se as escolhas foram estratégicas, do ponto de vista social, e avaliar se realmente começamos a suprir as carências imediatas nas mais diversas áreas. Também seria interessante conhecer indicadores qualitati...

Violência nos governos tucanos (3)

No dia 6 de julho discuti aqui no Hupo os números da violência no Pará apurado pelo Instituto Zangari com  dados  do Sistema Único de Saúde (Datasus). Publiquei no HupoSite, o site com textos de referência para os debates aqui do blog, esses dados completos .  Eles se referem ao período entre 1996 e 2007 e mostram que as taxas de homicídio para cada grupo de 100 mil habitantes subiram 130,3% nesse período, sendo particularmente acentuadas no caso da violência feita contra crianças e adolescentes, que tiveram seus índices aumentados em 195,8% no mesmo período. Esses números comprovam o que o debate político tem colocado, ainda que sem nenhum apoio da mídia: que os governos do PSDB e do DEM produziram um fenômeno de violência sem igual na história recente do Pará. Que foi em função da ausência de investimentos em segurança pública e em políticas sociais que fez o Pará passar de 20º para 7º estado mais violento do Brasil. O blog foi aparteado, tanto na sua caixa de comentá...

Sobre a questão da violência no Pará. Respostas.

Vou tentar responder as várias questões colocadas no comentário citado no post abaixo. Vamos por partes: 1. Em relação à diferença partidária no enfrentamento da questão. Você diz o seguinte: “questiono se o governo petista promoveu realmente uma ruptura com o modo de fazer política das outras legendas e/ou das gestões anteriores”. Minha resposta: Em geral, os governos petistas (federal, estaduais, municipais) não promoveu grandes rupturas no modo de fazer política. A proposta do PT é conquistar hegemonia jogando o jogo que está na mesa, e não provocando rupturas. Quisera eu que as provocasse, mas não provoca. É um projeto político claro, paciência. A avaliação é que, se provocasse rupturas, levaria a um retrocesso no processo democrático, ou seja, a alguma forma de golpe de estado, que renovaria a ditadura. Então, a mudança gradual é uma opção tática. Porém, ainda assim, há diferenças. Há uma gradação. No caso das políticas de segurança dá para vê-las. Os números são conhecidos e po...