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Mostrando postagens de Fevereiro, 2007

Jornalismo e representações sociais

Encontrei um interessante editorial, no jornal americano The Sun Herald, intitulado “Journalism has its share of myths, too'”. Fala sobre as representações sociais do jornalismo e dos jornalistas, assinalando o fato básico que, penso, constitui o problema central de toda sociologia da mídia: o fato de que jornalistas não são, efetivamente, super heróis da realidade. O conhecimento deles é, também, um conhecimento mediado e midiatizado. Diz o editorial que as principais dessas representações são - Reporters are liberals. - Reporters are secular, even anti-religion. - The press tells only part of the story. - The press gets nothing right. - Reporters run in packs, are aggressive, intrusive and rude. - Journalists are underpaid. A conclusão do texto é brilhante e devia inspirar todo aluno de Comunicação: "The big picture is that it breaks my heart to know that many young people who would make great journalists won't even think about trying it because of erroneous harang

Avaliação Sociologia da cultura e da mídia

Em relação ao trabalho do curso Sociologia da cultura e da midia: Percebo, infelizmente, que nem todos receberam o mail que enviei, há cerca de uma semana, contendo o tema do trabalho de disciplina que constituirá vossa avaliação. Reproduzo-o aqui, com as seguintes novas instruções: Pede-se um comentário sobre o fragmento abaixo, a ser enviado por via digital até a proxima segunda-feira, dia 5 de março. O fragmento de texto a ser comentado: A representação é mais que um reflexo da realidade, ela é uma entidade organizadora dessa realidade, que rege as relações dos indivíduos com seu meio físico e social, determi-nando suas práticas. Além disso, ela orienta as ações e as interações sociais, pois determina um conjunto de antecipações e expectativas. Obrigado e ate breve, Fabio.

A sexualidade e o supérfluo na cultura contemporânea 3

Desse modo, poder-se-ia dizer que o tema do supérfluo, no ato amoroso contemporâneo, é um tema relacionado ao fetiche. Será preciso evocar Wittgenstein para colocar a questão. Segundo esse filósofo, o desejo é uma coisa que não tem suas razões. Ele não tem, senão, suas causas. Assim é o fetiche e toda a superflibilidade da cultura sexual contemporânea: ele não tem senão causas. Wittgenstein, no Tractatus logico philosophicus, aliás, observa que "Ce qui est mystique ce n'est pas comment est le monde, mais le fait qu'il est.".

A sexualidade e o supérfluo na cultura contemporânea 2

Ocorre que o tema do amor é tradicionalmente descrito como um mal – apesar de sua cantada simplicidade. Não chegaremos, metafísicos que somos, jamais, a Shakespeare, para quem o amor tem, sempre, um frescor juvenil de maneira alguma dramático – não obstante seu entorno se constituir, eventualmente, como uma situação problemática. Não chegaremos. Nossa metafísica decorre desse pensamento grego fundador, no qual o amor é um delírio, um tremor, um luxo. Dizendo de outra maneira, algo supérfluo. A receita do latino Lucrécio para curar os males do amor é bem conhecida: sangrar a úlcera amorosa, por dolorido que seja. Daí sua recomendação em procurar os cuidados de uma “Vênus vagabunda” para o fazer. Por tal entenda-se uma prostituto, é lógico. Ali, desde sempre, se encontrou o acosto do supérfluo na sua mais pura face. A máscara calçada pela prostituta é, toda ela, uma máscara supérflua, feita por atos, posturas, práticas, maquiagens e vestimentas que transpassam a normalidade humana. Ora,

A sexualidade e o supérfluo na cultura contemporânea 1

O tema da sexualidade, na cultura contemporânea, articula-se ao tema do supérfluo. A sexualidade descreve-se como supérflua porque o desejo é moralmente codificado como supérfluo. Obviamente que o tema não é recente. Uma metafísica do desejo como algo supérfluo pode ser encontrada na ontologia platônica. No Banquete, propriamente, talvez por meio de uma contaminação epicuriana, pela qual se sugere que o prazer das belas coisas se conforma como um prazer sensual, um prazer dos grandes espíritos. Por meio de uma empatia. Os gregos chamavam o desejo de pathos erotikon. A respeito dele, Epicuro sugeriu que a única forma de fugir à tentação do desejo é suprimir a visão do objeto desejado. O que é curioso. Porque o conforma como um plus à vida quotidiana. A bem da verdade, essa moral do supérfluo se deve a Epicuro, que fez tantas diferenças entre prazeres puros e impuros, que condenou “a alegria de rapazes e moças”, e que descreveu a fome, e não o amor, como “o grito da carne”. Muito bem par

Desejo é vontade

Vontade, do Lat. voluntate s. f., potência ou faculdade interior, em virtude da qual o homem se determina a fazer ou não fazer alguma coisa; espontaneidade; intenção; ânimo; domínio; desejo; necessidade; desígnio; talante; capricho; ant., persuasão íntima; convicção; (no pl. ) móveis ou alfaias. à -: sem constrangimento (cf. à-vontade); loc. interj., designativa da ordem dada às tropas a seguir à ordem de descansar; andar com - a (alguém): desejar vingar-se (de alguém); o m. q. ter vontade a; ter - a (alguém):vd. andar com vontade a; pôr em sua -: planear; decidir.

O tema do Desejo em Octavio Paz

"O amor translada ao corpo os atributos da alma e esta cessa de ser uma prisão. (...) O amor mistura a terra ao céu: é a grande subversão. Toda vez que o amante diz: "eu te amo para sempre", ele transfere a uma criatura efêmera e cambiante dois atributos divinos: a imortalidade e a imutabilidade. A contradição é, na verdade, trágica: nossa carne se corrompe, nossos dias estão contados. Somos filhos do tempo e ninguém escapa da morte. Contudo, amamos, com o corpo e com a alma, de corpo e alma. (...) Mas o amor é a resposta que o homem encontrou para olhar de frente a morte. Pelo amor roubamos ao tempo, que nos mata, instantes que ora transformamos em paraíso, ora em inferno. Para além da felicidade ou da infelicidade, o amor é, sobretudo, intensidade. Ele não nos presenteia com a eternidade, mas com a vivacidade; o momento durante o qual se entreabrem as portas do tempo e do espaço. No amor tudo é dois, e tudo aspira a ser um" (Octavio Paz).

Desejo, solidão... II

Porém, que será a representação, no horizonte de uma humanidade que se rehumaniza? “[A representação] será duplicada, limitada, guarnecida, mistificada talvez, regida, em todo caso, do exterior, pelo enorme impulso de uma liberdade, ou de um desejo, ou de uma vontade que se apresentarão como o reverso metafísico da consciência. Alguma coisa como um querer ou uma força vai surgir na experiência moderna - constituindo-a talvez, assinalando, em todo caso, que a idade clássica acaba de terminar e com ela o reino do discurso representativo, a dinastia de uma representação significando-se a si mesma e enunciando, na seqüência de suas palavras, a ordem adormecida das coisas”. Isto dito, não se deve esquecer que, segundo Foucault, o fim da Idade Clássica e do primado da representação é o fim também da possibilidade de que a representação seja representada por uma outra representação. Desse momento em diante, a ordem do mundo e das coisas não mais consistirá de uma reduplicação da representação

Desejo, solidão... I

Na verdade, a solidão constitui o desejo. Ela o representa. As coisas existem por representação. Ao menos coisas tais. E falar da conexão entre desejo e representação exige mais uma vez Foucault, embora desta vez o F. de As Palavras e as Coisas. No começo dessa obra ele discute o que é o saber na Idade Clássica, apresentando-o como um modo de pensamento dominado pela representação. Com efeito, a Idade Clássica é um período de passagem de um saber baseado na semelhança para um saber centrado na representação. E que seria a representação? Uma ordem taxinômica. Uma ordem centrada na metafisica da identidade. Um sistema clássico de ordenação das coisas. A taxinomia permite conhecer as coisas pelo sistema de suas identidades, se desdobra no espaço aberto no interior de si pela representação, quando ela se representa a si mesma: o ser e o mesmo têm aí seu lugar. Do mesmo modo, o fim do pensamento clássico coincidirá com o recuo da representação.

O desejo e a subjetividade

Uma subjetividade ordenada pelo desejo é um produto histórico. Foucault bem o sabe. No começo da História da Sexualidade demonstra a sexualidade como um dispositivo da subjetividades. Desse modo, sugere que o desejo é construído historicamente e que o sujeito do desejo – o ser que deseja, ou que é acometido pelo ato de desejar – é, na verdade, uma experiência re-dita, uma experiência repetida, uma prática. Na civilizaçã grega essa prática tem até mesmo nome: aphrodisia, ou seja, os frutos e saberes de Afrodite, a deusa do amo. “Os aphrodisia são atos, gestos, contatos, que proporcionam uma certa forma de prazer”, diz Foucault, acrescentando que os gregos não precisaram definir, objetivamente, o que eram os aphrodisia. Isso porque não lhes parecia necessário hierarquizar condutas, dizer o que era permitido ou proibido, classificar comportamentos e padrões de tolerância, etc. Prática social, o desejo é contíguo ao prazer. Não separam-se. Contêm-se, ambos, na categoria dos aphrodisia. For

Estudo sobre o desejo

Em meio à correria atual, ainda tenho que honrar alguns compromissos anteriores com artigos, debates e coisas semelhantes. Um deles, por incrível que pareça - e se digo incrível é porque está alhures dos cursos que estou dando (talvez nem tanto) ou de minha colaboração com a gestão pública (sobre o quê, como pactuei aqui, não vou falar neste blog) - trata do tema do desejo. Preciso escrever um trabalho sobre "o desejo e a cultura contemporânea na ótica dos estudos sobre a pós-modernidade"... E encontrar, ainda, uma especificidade segundo a qual qbordar esse tema, ou melhor, exemplos, etc. Quem sabe ajudam-me. Segue uma nota: O desejo, sempre inconcebivel e impertinente. Incômodo, atroz, solitário. No final de Der Himmel über Berlin, o filme de Wim Wenders, de 1988, Marion, a trapezista, diz que finalmente está se se sentindo “solitária”. E que, finalmente está “inteira”, “completa”. A idéia é instigante: na solidão está a integridade, a completude. Uma condição de sobrevênci