Como se sabe, o flâneur foi uma das figuras humanas emblemáticas da modernidade, nos estudos de Walter Benjamin sobre a filosofia material desse período histórico. Se caracterizaria como um indivíduo cujo principal interesse é deixar-se levar a andar pela cidade, observando-a em seu movimento humano e em seu movimento histórico. O flâneur, mesmo sem o desejar, acabaria por se constituir como um indivíduo culto, tantas são as pequenas informações que acaba coletando sobre a cidade moderna. Seu saber é microscópico e multifacetado, caleidoscópico, talvez, e parece destinar-se somente a si, a um uso pessoal, marcado pela propensão ao individualismo que caracteriza o homem moderno. Cf. Benjamin 1989.
O mundo está estarrecido com com o genocídio Yanomami. As imagens chocantes atravessam o planeta e atestam o que todos já sabiam: houve genocídio. E não há como Jair Bolsonaro não ser imputado por esse crime. Dados obtidos pela plataforma SUMAÚMA mostram que, durante o governo Bolsonaro, o número de mortes de crianças com menos de 5 anos por causas evitáveis aumentou 29% no território Yanomami. Foram 570 crianças mortas, em 4 anos, por doenças que têm tratamento. E isso pode não ser tudo, porque o conjunto das terras indígenas em território brasileiro sofreu, ainda de acordo com o Suamúma, um verdadeiro apagão estatístico durante o governo de extrema direita. O legado de Bolsonaro é um dos mais aviltantes da história do Brasil. Não é de hoje que as terras Yanomami, onde vivem quase 30 mil pessoas indígenas, são agredidas pela especulação do garimpo ilegal, da pecuária ou da cultura do arroz, mas nunca se viu um apoio tão grande do Estado brasileiro a essas atividades....
Comentários