Pular para o conteúdo principal

Identidade e intersubjetividade (mestrado em psicologia social, aula 8)

O curso “A intersubjetividade. Diálogo entre a psicanálise e as ciências sociais a respeito da identidade” está sendo ministrado por mim desde março de 2006 no Programa de Pós-graduação em Psicologia Social da UFPA. Suas aulas ocorrem às segundas-feiras, de 15 às 18 horas, na sala de aulas do Programa, prédio do Centro de Filosofia e Ciências Humanas da UFPA.
Nesta sétima aula do nosso seminário vamos estudar a maneira como a sociologia fenomenológica de Alfred Schütz trabalha os temas da identidade e da intersubjetividade. Começaremos a aula debatendo o texto de Jocelyn Benoist disponibilizado (BENOIST, J. Intersubjectivité et socialite: la phénoménologie et la question du tiers, in BENOIST, J. et KARSENTI, B., Phénoménologie et sociologie. Paris, PUF, 2001, pp. 19-41), que eu mesmo apresentarei. Benoist é um dos mais interessantes intérpretes contemporâneos da obra de Schütz, além de ser, também, um estudioso competente da fenomenologia. Observem que seu artigo está contido num livro que ele próprio organizou, em parceria com Bruno Karsenti, outro estudioso importante da fenomenologia e, também, de uma obra muito estimulante sobre a “teoria do don”, de Mauss. A proximidade entre a teoria do don e a fenomenologia é muito grande e resta por ser explorada. Partiremos do texto de Benoist para compreender todo o sistema sociologia fenomenológica de Schütz, procurando perceber como, nesse sistema, os temas da identidade (ou identificação) e da intersubjetividade são contínuos.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Genocídio Yanomami: Bolsonaro não pode escapar

O mundo está estarrecido com com o genocídio Yanomami. As imagens chocantes atravessam o planeta e atestam o que todos já sabiam: houve genocídio. E não há como Jair Bolsonaro não ser imputado por esse crime.  Dados obtidos pela plataforma SUMAÚMA  mostram que, durante o governo Bolsonaro, o número de mortes de crianças com menos de 5 anos por causas evitáveis aumentou 29% no território Yanomami. Foram 570 crianças mortas, em 4 anos, por doenças que têm tratamento. E isso pode não ser tudo, porque o conjunto das terras indígenas em território brasileiro sofreu, ainda de acordo com o Suamúma, um verdadeiro apagão estatístico durante o governo de extrema direita.  O legado de Bolsonaro é um dos mais aviltantes da história do Brasil. Não é de hoje que as terras Yanomami, onde vivem quase 30 mil pessoas indígenas, são agredidas pela especulação do garimpo ilegal, da pecuária ou da cultura do arroz, mas nunca se viu um apoio tão grande do Estado brasileiro a essas atividades....

Solicitei meu descredenciamento do Ppgcom

Tomei ontem, junto com a professora Alda Costa, uma decisão difícil, mas necessária: solicitar nosso descredenciamento do Programa de pós-graduação em comunicação da UFPA. Há coisas que não são negociáveis, em nome do bom senso, do respeito e da ética. Para usar a expressão de Kant, tenho meus "imperativos categóricos". Não negocio com o absurdo. Reproduzo abaixo, para quem quiser ler o documento em que exponho minhas razões: Utilizamo-nos deste para informar, ao colegiado do Ppgcom, que declinamos da nossa eleição para coordená-lo. Ato contínuo, solicitamos nosso imediato descredenciamento do programa.     Se aceitamos ocupar a coordenação do programa foi para criar uma alternativa ao autoritarismo do projeto que lá está. Oferecemos nosso nome para coordená-lo com o objetivo de reverter a situação de hostilidade em relação à Faculdade de Comunicação e para estabelecer patamares de cooperação, por meio de trabalhos integrados, em grupos e projetos de pesquisa, capazes de...

Comentário sobre o Ministério das Relações Exteriores do governo Lula

Já se sabe que o retorno de Lula à chefia do Estado brasileiro constitui um evento maior do cenário global. E não apenas porque significa a implosão da política externa criminosa, perigosa e constrangedora de Bolsonaro. Também porque significa o retorno de um player maior no mundo multilateral. O papel de Lula e de sua diplomacia são reconhecidos globalmente e, como se sabe, eles projetam o Brasil como um país central na geopolítica mundial, notadamente em torno da construção de um Estado-agente de negociação, capaz de mediar conflitos potenciais e de construir cenas de pragmatismo que interrompem escaladas geopolíticas perigosas.  Esse papel é bem reconhecido internacionalmente e é por isso que foi muito significativa a presença, na posse de Lula, de um número de representantes oficiais estrangeiros quatro vezes superior àquele havido na posse de seu antecessor.  Lembremos, por exemplo, da capa e da reportagem de 14 páginas publicados pela revista britânica The Economist , em...