O tema me faz lembrar de Alphonse Bértillon. Esse sujeito criou, em 1882, um sistema de informações policiais centrado na fotografia de orelhas. Bem, ele fotografa, sob uma mesma marcação de luz, o rosto dos detentos e suspeitos, mas atinha-se particularmente na produção de imagens de suas orelhas. Acreditava que as pessoas não possuem, jamais, orelhas semelhantes e que, dessa situação, se poderia ter um completo banco de dados com informações policias. E tal coisa foi feita. Centenas, milhares de fotografias de orelhas passaram a povoar o sistema judicial francês, ao final do século XIX. Sugeriram a ele, certa vez, que substituísse o sistema por um outro, ainda mais eficaz: a coleta de impressões digitais. Mas Bértillon riu-se: Como podem achar mais prático identificar criminosos pelo dedo do que por sua orelha?
O mundo está estarrecido com com o genocídio Yanomami. As imagens chocantes atravessam o planeta e atestam o que todos já sabiam: houve genocídio. E não há como Jair Bolsonaro não ser imputado por esse crime. Dados obtidos pela plataforma SUMAÚMA mostram que, durante o governo Bolsonaro, o número de mortes de crianças com menos de 5 anos por causas evitáveis aumentou 29% no território Yanomami. Foram 570 crianças mortas, em 4 anos, por doenças que têm tratamento. E isso pode não ser tudo, porque o conjunto das terras indígenas em território brasileiro sofreu, ainda de acordo com o Suamúma, um verdadeiro apagão estatístico durante o governo de extrema direita. O legado de Bolsonaro é um dos mais aviltantes da história do Brasil. Não é de hoje que as terras Yanomami, onde vivem quase 30 mil pessoas indígenas, são agredidas pela especulação do garimpo ilegal, da pecuária ou da cultura do arroz, mas nunca se viu um apoio tão grande do Estado brasileiro a essas atividades....
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