A Universidade de Harvard, fundada em 1636, elegeu no mês passado a sua primeira reitora, Drew Gilpin Faust, 59 anos, historiadora. A dimensão histórica do fato, sem demérito, se equipara à magnitude do poder que lhe caberá: gerir a universidade mais importante do planeta, que tem 12 faculdades e um orçamento anual de 3 bilhões de dólares. E a dimensão simbólica do fato se vitaliza em função das declarações sexistas – e, portanto, polêmicas – do ex-reitor, Lawrence Summers, que, dentre outras, se saiu com uma história de que “as mulheres são menos aptas às matemáticas de que os homens”. Há alguns dias li, no El Pais digital, uma declaração interessante de Maria Teresa Fernandez de La Vega, a número 2 do governo espanhol desde 2004: Segundo ela, as mulheres possuem uma visão distinta da dos homens, e isso se dá pelo fato de que são melhor preparadas a dividir e a cohabitar, partilhar, resolver conflitos. Essa preparação resultaria da cultura da esfera privada, caracterizada pela sucessão de atos de acompanhar, ouvir, intervir e decidir. Uma cultura que educa para buscar aquilo que une mais que aquilo que separa. É dia internacional das mulheres, aqui estão nossos respeitos.
O mundo está estarrecido com com o genocídio Yanomami. As imagens chocantes atravessam o planeta e atestam o que todos já sabiam: houve genocídio. E não há como Jair Bolsonaro não ser imputado por esse crime. Dados obtidos pela plataforma SUMAÚMA mostram que, durante o governo Bolsonaro, o número de mortes de crianças com menos de 5 anos por causas evitáveis aumentou 29% no território Yanomami. Foram 570 crianças mortas, em 4 anos, por doenças que têm tratamento. E isso pode não ser tudo, porque o conjunto das terras indígenas em território brasileiro sofreu, ainda de acordo com o Suamúma, um verdadeiro apagão estatístico durante o governo de extrema direita. O legado de Bolsonaro é um dos mais aviltantes da história do Brasil. Não é de hoje que as terras Yanomami, onde vivem quase 30 mil pessoas indígenas, são agredidas pela especulação do garimpo ilegal, da pecuária ou da cultura do arroz, mas nunca se viu um apoio tão grande do Estado brasileiro a essas atividades....
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