Pular para o conteúdo principal

Pos-colonialismo e hibridez cultural 3

Alguns elementos teóricos a acrescentar ao debate: em primeiro lugar, o pensamento de Jacques Derrida segundo o qual a identidade é um processo fantasmal e interminável. E também de Derrida a idéia de que a herança é uma coisa coisa construída: ou seja, a pessoa não herda, simplesmente, uma identidade, ela a reinventa. Quem recebe uma herança tria, valorza, se re-ativa por meio dela ou a nega. Outro elemento que gostariua de evocar é a noção de “literatura secundária”, desenvolvida por Franz Kafka. Tal seria a literatura feita por uma minoria étnica ou social numa língua maior. Por exemplo, a literatura argelina feita em francês. Ou a literatura hindu feita em inglês. Em terceiro e último lugar, gostaria de lançar um paradoxo que pode inspirar o debate sobre a questão: a idéia de que toda cultura é um ato de colonialismo. Falar em cultura é um ato de colonização. Dizer-se portador de uma cultura – ou, simplesmente, de cultura – mesmo na boca do mais infeliz colonizado, é um ato colonialista.

Comentários

Anônimo disse…
Oi, Fábio. Boa Semana Santa para você, Marina e Pedro.
Fiquem com Deus.
Bjs,
Cris Moreno
Anônimo disse…
Ainda encontrei aqui, velho e solitário, o meu recado de Páscoa.
Hoje deixo mais um, mas esse, só é uma do parte do eco dos parabéns pelo novo cargo.
Muita luz e muita paz.
Bjs,
Cris Moreno

Postagens mais visitadas deste blog

Conjunturas I

Um amigo me pergunta se acho que Lula deve ser candidato a presidente, mesmo com a prisão. Respondo que sim, porque não tem sentido ser diferente. Lula não ser candidato seria de uma deslealdade imperdoável do PT para com ele. A pergunta, na verdade, respondo ao meu amigo, é sobre quem deve ser o vice de Lula, porque quase tão certo como Lula ser o candidato do PT, é a possibilidade de que a justiça eleitoral casse a sua candidatura, sendo lógico, nesse caso, que seu vice assuma a cabeça de chapa. E, como sabemos como o bloco golpista joga, eles provavelmente farão isso o mais tarde possível, procurando inviabilizar que o PT chegue ao segundo turno. Nesse cenário, a tendência é que o PT venha com uma chapa “puro-sangue”. Provavelmente com Haddad para vice. Eventualmente com Jacques Wagner ou Patrus Ananias e, um pouco menos provavelmente, com Celso Amorim. Meu amigo, que não é do PT, viu claros sinais de que Lula, naqueles momentos heróicos antes da prisão, te...

Solicitei meu descredenciamento do Ppgcom

Tomei ontem, junto com a professora Alda Costa, uma decisão difícil, mas necessária: solicitar nosso descredenciamento do Programa de pós-graduação em comunicação da UFPA. Há coisas que não são negociáveis, em nome do bom senso, do respeito e da ética. Para usar a expressão de Kant, tenho meus "imperativos categóricos". Não negocio com o absurdo. Reproduzo abaixo, para quem quiser ler o documento em que exponho minhas razões: Utilizamo-nos deste para informar, ao colegiado do Ppgcom, que declinamos da nossa eleição para coordená-lo. Ato contínuo, solicitamos nosso imediato descredenciamento do programa.     Se aceitamos ocupar a coordenação do programa foi para criar uma alternativa ao autoritarismo do projeto que lá está. Oferecemos nosso nome para coordená-lo com o objetivo de reverter a situação de hostilidade em relação à Faculdade de Comunicação e para estabelecer patamares de cooperação, por meio de trabalhos integrados, em grupos e projetos de pesquisa, capazes de...

A publicidade governamental do Governo Jatene, a Griffo, o jornalismo paraense...

Há alguns dias a jornalista Ana Célia Pinheiro, do blog A Perereca da Vizinha  anunciava que começaria uma guerra contra a comunicação do Governo Jatene :  Vamos agora jogar num rítmo novo, com algumas “surpresinhas” – ou vocês não gostam de surpresinhas, “coleguinhas”? “Coleguinhas” é um coloquialismo usado pelos jornalistas de Belém para se referirem, com cinismo, ao cinismo de seus colegas, dos quais não se costuma esperar senão o fogo amigo. Os posts começaram, em seguida, construindo  um perfil de Orly Bezerra , proprietário da Griffo, a agência de publicidade responsável pelo marketing do PSDB no Pará. Hoje, Ana Célia Pinheiro publicou  um post com o levantamento dos repasses de dinheiro público do Governo Jatene para a Griffo : R$ 70 milhões - e penduricalhos, como empregos a parentes. O post também questiona a idoneidade do processo licitatório que levou a Griffo a mais uma situação de dominação das contas da comunicação governamental, no Pará...