Não se empolguem com o título acima. Ele não representa descanso e nem, tampouco, a hermenêutica conjugal. É que repetiu-se, na última semana, um acontecimento curioso e, em igual medida, tenebroso. Adoeci nas férias pela terceira vez nos últimos meses.
A ocupação no governo obrigou-me a tirar férias por espasmo, uma semana de cada vez, ao longo do ano, em períodos esparsos. Em fins de fevereiro, com a certeza de que ninguém NO MUNDO precisa de férias mais do que eu, fui com Marina e Pedro para Buenos Aires. Tão logo desci do avião comecei a apresentar os sintomas do que poderia ser uma gripe suína avant-la-lettre. Miserável como Jó, padeci de calores, tremores e calafrios. Um embrulho no estômago impediu-me de comer como um louco as coisas deliciosas que por lá se come e fui obrigado a esquecer na mala o guia culinário da cidade, pelo qual eu havia pago caro e que me dei ao trabalho de sistematizar rigorosamente, meticulosamente e, talvez, ridiculamente, separando os restaurantes que desejava ir e os pratos que desejava comer. Achando que podia caminhar, percorri o cemitério da Recoleta qual um moribundo que se atrasara para o próprio velório. Acreditando que podia me deixar animar pelas ruas, cruzei San Telmo com uma face tão pálida que fui fotografado por turistas para quem era evidente que estiva fazendo uma performance. Imaginando que o ar puro me faria bem, atravessei o zoológico de Buenos Aires qual um orangotango caquético e sem dentes, inofensivo na sua fraqueza que, piedosamente, deixam vagar solto pelo parque.
O mesmo se repetiu no feriado de Tiradentes, quando fui a Salinas com Marina e Pedro e fui assaltado, tão logo desci do carro, por algo que ma pereceu a febre do Sião, ou a purgação terçã de Java, ou curva-d’alma dos picos de Sumatra, ou algo até mesmo pior, no estilo daquelas doenças descritas nos livros de Somerset Maugham.
E agora, e agora, meus caros, tentei de novo. Tentei de novo, oh! Tentei de novo! Afinal, a razão evidente de meus males, o cargo ocupado, fora liberado e me deixara o corpo, a alma, a fisionomia o espírito e o perispírito desimpedidos, no seu conjunto, para gozar de simples férias. De humanas férias.
Fui com minha família para Fortaleza e... já sabem. Nem vou contar detalhes. Marina e Pedro já nem me dão confiança. Deixam-me apodrecer ao canto e se metem em trajes de banho. E não lhes posso tirar a razão já que até Buenos Aires lhes tirei. Sim, mas a perda nunca foi total, deve ser dito. Mesmo qual um orangotango caquético, perambulei por Buenos Aires! Walter Benjamin não suspeitaria dessa possível flânnerie.
Comentários
hahahahahahhahaha
hahahahahah
Desculpa! Rir da desgraça alheia não legal, mas descrita assim fica impossível ser diferente!
Olha, acho bom tomares uns passes antes da próxima viagem.
Já tentaste o Biotônico Fontoura? Garrafa do Ver-o-Peso???