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Freud 70

A 70 anos de sua morte, hoje celebrados, Freud ainda ensina, e me ensina o seguinte: o inexplorável não é inexorável. Leibnitz já havia teorizado sobre o inconsciente, um século antes de Freud, mas Freud deixou clara a diferença entre o inconsciente (matéria prima da psicanálise) e o subconsciente (matéria prima da psicologia). Elizabeth Roudinesco, cuja clareza de pensamento concorre com a própria capacidade mnemônica, tem observado como a psicanálise, hoje, é dominada por um pensamento neoconservador, mas também prevê a rebelião próxima – como, aliás, seu mestre, Lacan. Temos chance de fazê-la a partir dos Estudos Culturais. Ou, a partir de uma reflexão sobre o papel do desejo na contemporaneidade. Já não é, afinal, a mesma coisa. E a psicanálise é, antes de tudo, uma teoria sobre o desejo. Ou, a patir da nossa compreensão da política, pois vacilar eternamente entre o Bem e o Mal é doloroso. Ou, ainda, porque, ainda, vamos ao cinema, porque a melhor maneira de ver um filme é pelas lentes que enxergam o inconsciente. E assim, hoje, por esses singelas razões, caminhemos lentamente até o número 19 de Berggasse, que seja porque Freud é 70 hoje, que seja porque vamos, na próxima terça, construir uma revolta.

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