Essa celeuma que criaram em torno da nomeação de Elida Braz a um cargo de assessoria especial mostra duas coisas: 1) o preconceito e a arrogância das elites paraenses e 2) a disposição da mídia conservadora e autoritária do Pará, aí incluídos os blogs, a apelar para a falsa polêmica na disputa eleitoral em curso.
Preconceito e arrogância porque produziram um julgamento sumário sobre a pessoa, como se houvesse alguma indignidade na sua atividade profissional, seja como DJ, seja como artista. Eu falo artista, mas sem demérito algum podem dizer dançarina, porque é a mesma coisa. Não interessou saber se a moça tem uma vida civil, uma atividade política, uma militância, como de fato tem. Interessou, apenas, considerar sua nomeação como um escândalo.
Uma apelação. Mesquinha e ignorante. Selvagem. Desrespeitosa. Da forma como foi tratada por jornais e blogs não havia, ali, notícia, apenas julgamento moral. E, por trás, os que chamam isso de jornalismo. Trata-se de julgamento sumário e moral, nada além disso.
E assim será a disputa política deste ano, preparem-se para o pior.
Porfim, não posso deixar de referir o erro do Governo em atender a essa forma de pressão e anular a nomeação da moça, mesmo que o tenha feito por demanda da própria ou de seu marido, se foi o caso.
Penso que o correto seria, no próprio ato de cada nomeação, explicitar as funções que caberiam a cada assessor nomeado. Não seria um problema fazê-lo.
Minha solidariedade a Elida e a Kaveira. Resta aproveitar esse mídia extra, ainda que espúria, para o projeto político, não é mesmo?
Comentários
Seria a honestidade a maior
maior virtude desse cidadão osséo???
A Élida realmente é uma atriz: atuando conforme a direção espetacular de seu marido.
Carlos Augusto, Cidade Velha.
Explicitar a função que o assessor desempenhará, ok. Mas, não há como defender tal nomeação. Ela é uma pessoa que nunca acrescentou nada artisticamente e nem politicamente. Não é questão de preconceito contra uma "artista", e sim a reação contra a nomeação de alguém que nunca fez nada de relevante e nem parece ensaiar que fará um dia. Não há como defender a presença dela seja num governo, numa empresa e, principalmente, num palco. Mais um tiro no pé do governo, totalmente desnecessário.
Abraço.
não gostei do trato jornalístico dado a pessoa Élida Braz, mas tb considero um erro absurdo o governo tê-la nomeado. Não que ela seja incapaz, mas é óbvio, que isso geraria uma polêmica. Riscos que não se deve correr em época de eleição. Se a questão era compensar o partido aliado (PV), escolhesse o próprio Kaveira, que santo não é, tem um passado (e presente) freak, mas tem alguma história (qse irrelevante, fato)na política.
Força para assessoria de imprensa, que vai ter que rebolar pra controlar um assunto tão reativo.
O mais irônico é que, no twitter, os primeiros ataques à Élida vieram das pessoas que a defenderam no fim do dia. Uma mudança de posicionamento que ainda tento entender os motivos. Peso na consciência? Mea culpa pela sua exoneração? Os que atiraram a primeira foram os mesmos a estender a mão.
Isso sim deveria ser focado, pois não há, com absoluta convicção, qualquer necessidade dessas noeações que só visam auferir vantagens nas urnas.
Tudo o mais são filigranas.
Só acho que, justamente por conta dessa natureza, é que a governadora deveria ter evitado a nomeação de Élida, com a intenção de preservar a imagem dela e a do governo. Só por isso. A polêmica era inevitável.
Muita ingenuidade ignorar o fato de que essa nomeação geraria mídia negativa. Ou, se ato foi feito mesmo de forma consciente, que a decisão tivesse sido mantida. Só assim teríamos a chance de julgar Élida Braz não pelo fato de ser dançarina, mas pela sua competência profissional.
Fora isso, não há o que dizer.
PS: para dar a cara à tapa, é preciso ter coragem. E esse governo, do nomeia e exonera, infelizmente, não tem...
Percebi isso, essa mudança de opinião em alguns "jornalistas" que ontem estavam malhando e hoje, oportunisticamente, mudaram o tom. Mas não deve ter sido por culpa, e sim porque perceberam a oportunidade de criticar o governo a partir da exoneração da moça.
Élida Braz não é atriz e nem DJ. É apenas uma criatura excêntrica que adora estar na mídia. E usa o corpo pra isso. Já o Kaveira usa o discurso da liberação das drogas para se promover. Quando foi vereador, não fez nada de relevante para a cidade. Fiz uma entrevista com o ele há uns 5 anos, para a revista Living. Qdo a matéria saiu, ele foi se queixar com o dono da Double M, empresa responsável pela publicação. Disse que não gostou de eu ter citado que ele foi preso por sedução de menores. Detalhe: ele mesmo falou sobre isso. E não foi em off. Também disse que as performances da Élida são sensuais - e não eróticas, como afirmei no texto.
Élida ficou ofendida porque não destaquei seu talento como atriz. O único espetáculo que ela protagonizou - fora as performances na boate do Kaveira - foi nos anos 90, no Theatro da Paz. Élida aparecia nua no palco simulando sexo com uma cobra.
Qualquer pessoa que converse com Élida sobre sua
carreira de atriz, DJ - e agora ambientalista -, percebe que não há profundidade nenhuma em seu discurso. Mais sensato seria assumir a condição de atração no freak show comandado pelo Kaveira. Ambos são exibicionistas, mas querem posar de pessoas sérias q têm comprometimento político. São performers: nada além disso. Nada contra os freaks - o mundo está cheio deles. Seja excêntrico, mas assuma as consequências. Porque gostar de aparecer, é uma coisa. Ser atriz, DJ e ambientalista, são outros quinhentos.