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Os Simpsons, 20 anos

Texto de Leonardo Carvalho, da revista Movie, sobre os 20 anos de Os Simpsons.
Um pouco de história
Um dia James Brooks chamou um cartunista chamado Matt Groening para conversar. Groening fazia sucesso em diversos jornais dos EUA com a tira Life in Hell e Brooks queria negociar com ele uma participação num programa de TV à cabo chamado The Tracey Ullman Show. Natural que Groening fosse para a reunião com alguns desenhos de Life in Hell embaixo do braço; a ideia era transformar a tira em um quadro animado.
Mas algo não estava certo. Groening achou que o material que ele tinha levado era muito fraco para ser apresentado como uma ideia para a TV. Em 15 minutos, enquanto esperava para ser recebido pelo tal executivo, rascunhou uma família de classe média típica americana. Deu nomes de seus próprios parentes para os personagens e criou o sobrenome Simpson.

Os Pré-Simpsons
Funcionou. O contrato foi assinado e foram produzidos episódios de apenas 30 segundos cada que eram exibidos durante o programa. Ao todo foram 48 episódios em 3 anos, de 1987 a 1989. Nesse ano, o primeiro episódio no padrão de série (22 minutos aproximadamente) foi exibido. EraSimpsons Roasting on Fire, batizado no Brasil de A Surpresa de Natal dos Simpsons.
Mas se esse é considerado o primeiro episódio da série propriamente dito, Os Simpsons só ganharam real status de seriado no ano seguinte quando foi ao ar o episódio Bart The Genious (Bart, o Gênio por aqui). O episódio foi seguido de outros 11 capítulos e o mundo foi tomado de assalto.
Desde a década de 70 uma série animada não fazia sucesso no horário nobre na TV americana (a última tinha sido Wait Till Your Father Gets Home). Desenhos, afinal de contas, eram considerados coisa de criança e Os Simpsons vieram para mudar o jogo; e não demorou para que outras redes de TV começassem a desenvolver suas próprias séries animadas com temáticas adultas.
Repercussão e Influências
A acidez, a crítica à sociedade americana e à classe média emburrecida, o escracho e a às vezes sutil ironia que permitia aos Simpsons fazerem graça até com o canal Fox, que os hospeda até hoje, ganhou seguidores devotados.
Os Simpsons viraram fenômeno cultural. Grandes nomes da cultura, da mídia, do cinema, da ciência começaram a aparecer em participações especiais em episódios. De Aerosmith a Dustin Hoffman, de Paul McCartney a Stephen Hawking, todos cediam sua imagem e suas vozes à série.
Os Simpsons viraram fenômeno de marketing. Bart Simpson se tornou um dos personagens mais conhecidos da história da TV – chegou a virar capa da revista Time – e vendeu, junto com a família, de camisetas a discos, bonés, lancheiras, canecas e qualquer coisa que tivesse suas imagens estampadas.
A década de 90 viu ainda uma explosão de séries animadas que capitalizavam no sucesso da família amarela, mas eram claramente influenciadas por ela: South Park, King of the Hill, The Critic e Family Guy capitalizaram na nova onda.
Dessas séries, talvez a que mais se aproxime do formato criado por Groening é Family Guy. As semelhanças entre as séries são tantas que Seth Macfarlane, criador de Family Guy, foi acusado de plágio por muitos. O próprio Macfarlane diz que “até onde eu entendo, eles reinventaram a roda. Em muitas maneiras, eles criaram uma nova mídia”. Tanto ele quanto Groening rebatem os comentários de que há animosidade entre eles ou entre suas séries.
Já os criadores de South Park, Trey Parker e Matt Stone, veneram tanto a série que dedicaram um episódio inteiro a uma piada interna que envolve os Simpsons: eles estavam cansados de ter boas ideias para gags e ouvir alguém dizer que “os Simpsons já fizeram isso”…a frase batiza o episódio.
Vinte anos
Vinte anos depois, a família amarela sobrevive. Seriam necessários vinte especiais para compilar tudo o que Os Simpsons representam para a cultura pop. Depois de 21 temporadas, 459 episódios, 1 longa metragem esperado e controverso, 25 prêmios Emmy, uma estrela na calçada da fama e de ser nomeada pela revista Empire como a melhor série de TV de todos os tempos, Os Simpsons nos ensinam que no fim das contas o que importa de verdade é conseguir olhar para si mesmo e dar boas risadas.

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