No entanto, podemos nos permitir uma clareira, ao menos: a percepção de que o círculo hermenêutico, no horizonte do seu processo, da sua ação interpretativa, anula a todas as grandes figuras abjetas da transparência, do espelhamento, da consciência e da reflexão. O círculo hermenêutico de Benedito Nunes, foi acurado nesse ponto: o ser histórico que ele antevia era inelutável e intransparente; o ser-aí que ele descrevia era a própria anti-consciência; o corte hermenêutico que ele processava (e, aqui, penso sobretudo na sua análise literária) era exato, duro e frio - não deixava cauda para o mundo, impedia toda duplicação do mundo na consciência e pela consciência. BN era a interpretação pura e incondicional.
Um amigo me pergunta se acho que Lula deve ser candidato a presidente, mesmo com a prisão. Respondo que sim, porque não tem sentido ser diferente. Lula não ser candidato seria de uma deslealdade imperdoável do PT para com ele. A pergunta, na verdade, respondo ao meu amigo, é sobre quem deve ser o vice de Lula, porque quase tão certo como Lula ser o candidato do PT, é a possibilidade de que a justiça eleitoral casse a sua candidatura, sendo lógico, nesse caso, que seu vice assuma a cabeça de chapa. E, como sabemos como o bloco golpista joga, eles provavelmente farão isso o mais tarde possível, procurando inviabilizar que o PT chegue ao segundo turno. Nesse cenário, a tendência é que o PT venha com uma chapa “puro-sangue”. Provavelmente com Haddad para vice. Eventualmente com Jacques Wagner ou Patrus Ananias e, um pouco menos provavelmente, com Celso Amorim. Meu amigo, que não é do PT, viu claros sinais de que Lula, naqueles momentos heróicos antes da prisão, te...
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