Há uma presença profunda do mestre Gadamer em Passagem para o Poético. Gadamer aplicou, usou, com sua analítica, o círculo hermenêutico de Heidegger da maneira mais apropriada possível. BN fê-lo também, em Passagem para o Poético, que é, provavelmente, seu livro mais importante. Há uma fonte secreta nessa linha de autores: o parágrafo 32 de Ser e Tempo, no qual Heidegger declara que interpretar é desenvolver as possibilidades projetadas na compreensão. O poético de que fala BN é isso: a compreensão da interpretação. Apressadamente, podemos concluir que está aí o círculo hermenêutico. Mas não sejamos tão apressados. Não concluamos nada; apenas interpretemos. É os que eles mandam, afinal.
Um amigo me pergunta se acho que Lula deve ser candidato a presidente, mesmo com a prisão. Respondo que sim, porque não tem sentido ser diferente. Lula não ser candidato seria de uma deslealdade imperdoável do PT para com ele. A pergunta, na verdade, respondo ao meu amigo, é sobre quem deve ser o vice de Lula, porque quase tão certo como Lula ser o candidato do PT, é a possibilidade de que a justiça eleitoral casse a sua candidatura, sendo lógico, nesse caso, que seu vice assuma a cabeça de chapa. E, como sabemos como o bloco golpista joga, eles provavelmente farão isso o mais tarde possível, procurando inviabilizar que o PT chegue ao segundo turno. Nesse cenário, a tendência é que o PT venha com uma chapa “puro-sangue”. Provavelmente com Haddad para vice. Eventualmente com Jacques Wagner ou Patrus Ananias e, um pouco menos provavelmente, com Celso Amorim. Meu amigo, que não é do PT, viu claros sinais de que Lula, naqueles momentos heróicos antes da prisão, te...
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