Pular para o conteúdo principal

Vergonha alheia do Ministério Público Federal: temos convicção, mas não temos provas.

Estou impressionado com o fanatismo politico do Ministério Público. Chegou-se ao nível de produzir um espetáculo que deveria ser a culminância da operação Lava Jato e se comete o mais primário dos erros: não apresentam uma única prova contra Lula.

No lugar de provas, uma verborragia histérica e ideológica, uma retórica adjetiva pautada pelo ódio. E tudo isso tendo por astro principal um rapazinho gaguejante conhecido pelo fanatismo religioso.

O desfecho foi pífio. Um tiro no pé da direita  dos golpistas.

Os tempos são de cólera e de deslimite do bom senso. Procuradores do MPF, juízes e ministros do STF francamente partidarizados se prestando a um show politico estilo Faustão que tem por único objetivo abastecer a mídia golpista de bla-bla-blá e, assim, disseminar o ódio e a intolerância contra Lula e o PT.

Jeferson Miola apresentou, no blog do Miro, um raciocínio interessante:  De acordo com os argumentos do juizote escalado para o show, Lula seria o “chefe da quadrilha” mas, enquanto PMDB, PP, PTB, DEM, PSDB recebiam R$ 6,2 bilhões em propina na Petrobrás ele próprio teria sido beneficiado com R$ 3,7 milhões, o equivalente a  0,0597% do volume total.

Pior e mais incrível: supõe-se que Lula seria o chefe de um esquema a partir de depoimentos de gente que incrimina, em suas delações premiadas, Aécio, Temer, Cunha e o ministro Gilmar Mendes mas que nunca citaram o nome de Lula…

A coisa foi tão ridícula que o procurador concluiu sua fala com a seguinte pérola: “Não temos prova, mas temos convicção”. 

Mais ridículo não poderia ser, e como ridículo pede ironia, este bombando, nas redes sociais uma resposta sublime: uma foto do helicóptero com os 400 quilos de cocaína de Aécio Neves e a frase “nós temos provas, mas não temos convicção”. E, junto com ela, hoje, dezenas de cópias irônicas do powerpoint estilo Google do procurador estão se espalhando pela internet. Se quiserem ver uma mostra, vão ao blog Diário do Centro do Mundo para ver as "15 versões do powerpoint de Dallagnol menos ridículas que o original".

Luís Nassif, em seu blog, fez uma síntese da situação: é isso que dá "conferir um poder avassalador para procuradores sem discernimento, que sabem apenas jogar para a mídia", sintetizando assim o ocorrido: "Com esse espetáculo burlesco, os procuradores da Lava Jato facilitaram o trabalho dos que pretendem esvaziar sua atuação". Ou seja, acabar com a Lava a Jato.
E dá nome próprio ao espetáculo midiático-jurídico de ontem: denúncia inepta.

Já o Miguel do Rosário, no seu blog O Cafezinho, num artigo muito bem entitulado "O papel tragicômico da Lava Jato", sintetiza como essa forma de delação sem provas, em voga no Brasil de hoje,  faz parte de uma época de irracionalismo e de ódio ao lembrar que 

"tudo começou com aquela frase fatídica de Rosa Weber: não tenho provas para condenar José Dirceu, mas a literatura me permite fazê-lo". 

E ao dizer que "aquela frase marca uma era, é o resumo de toda uma época histórica, que começa em meados de 2005, com a midiatização judicial do escândalo do mensalão, culminando com o golpe de Estado de 2016 e a caça midiático-judicial a Lula".


Jeferson Miola  sintetiza a questão da seguinte maneira: “Ora, como Lula poderia ser o “comandante máximo”, o “grande general”, o “regente”, o “maestro”, o “vértice da pirâmide”, o “líder máximo”, o “dirigente central” de um esquema bilionário de corrupção no qual seus inimigos se beneficiaram com 99,94% da corrupção que ele, supostamente, teria se beneficiado com 0,0597%?”

Sua conclusão é perfeita:

“O ataque a Lula e ao PT não é apenas uma violência contra uma parcela da sociedade brasileira, mas é um ataque mortal à democracia e ao Estado de Direito. A democracia e a Constituição do Brasil encontram-se seriamente ameaçadas pela obsessão doentia de procuradores obcecados e cegos pela fé, e não pela razão e pela Lei.

Quando o fanatismo odioso e estigmatizador domina as consciências jurídicas e democráticas, a sociedade corre o sério risco de descambar para regimes totalitários. O nazismo, por exemplo, se plasmou na Alemanha dos anos 1920/1930, apoiado em dogmas desse tipo”.


Demos mais um passo em direção à pior.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Conjunturas I

Um amigo me pergunta se acho que Lula deve ser candidato a presidente, mesmo com a prisão. Respondo que sim, porque não tem sentido ser diferente. Lula não ser candidato seria de uma deslealdade imperdoável do PT para com ele. A pergunta, na verdade, respondo ao meu amigo, é sobre quem deve ser o vice de Lula, porque quase tão certo como Lula ser o candidato do PT, é a possibilidade de que a justiça eleitoral casse a sua candidatura, sendo lógico, nesse caso, que seu vice assuma a cabeça de chapa. E, como sabemos como o bloco golpista joga, eles provavelmente farão isso o mais tarde possível, procurando inviabilizar que o PT chegue ao segundo turno. Nesse cenário, a tendência é que o PT venha com uma chapa “puro-sangue”. Provavelmente com Haddad para vice. Eventualmente com Jacques Wagner ou Patrus Ananias e, um pouco menos provavelmente, com Celso Amorim. Meu amigo, que não é do PT, viu claros sinais de que Lula, naqueles momentos heróicos antes da prisão, te...

Solicitei meu descredenciamento do Ppgcom

Tomei ontem, junto com a professora Alda Costa, uma decisão difícil, mas necessária: solicitar nosso descredenciamento do Programa de pós-graduação em comunicação da UFPA. Há coisas que não são negociáveis, em nome do bom senso, do respeito e da ética. Para usar a expressão de Kant, tenho meus "imperativos categóricos". Não negocio com o absurdo. Reproduzo abaixo, para quem quiser ler o documento em que exponho minhas razões: Utilizamo-nos deste para informar, ao colegiado do Ppgcom, que declinamos da nossa eleição para coordená-lo. Ato contínuo, solicitamos nosso imediato descredenciamento do programa.     Se aceitamos ocupar a coordenação do programa foi para criar uma alternativa ao autoritarismo do projeto que lá está. Oferecemos nosso nome para coordená-lo com o objetivo de reverter a situação de hostilidade em relação à Faculdade de Comunicação e para estabelecer patamares de cooperação, por meio de trabalhos integrados, em grupos e projetos de pesquisa, capazes de...

A publicidade governamental do Governo Jatene, a Griffo, o jornalismo paraense...

Há alguns dias a jornalista Ana Célia Pinheiro, do blog A Perereca da Vizinha  anunciava que começaria uma guerra contra a comunicação do Governo Jatene :  Vamos agora jogar num rítmo novo, com algumas “surpresinhas” – ou vocês não gostam de surpresinhas, “coleguinhas”? “Coleguinhas” é um coloquialismo usado pelos jornalistas de Belém para se referirem, com cinismo, ao cinismo de seus colegas, dos quais não se costuma esperar senão o fogo amigo. Os posts começaram, em seguida, construindo  um perfil de Orly Bezerra , proprietário da Griffo, a agência de publicidade responsável pelo marketing do PSDB no Pará. Hoje, Ana Célia Pinheiro publicou  um post com o levantamento dos repasses de dinheiro público do Governo Jatene para a Griffo : R$ 70 milhões - e penduricalhos, como empregos a parentes. O post também questiona a idoneidade do processo licitatório que levou a Griffo a mais uma situação de dominação das contas da comunicação governamental, no Pará...