Carnet de idéias, de instrumentos, de planos de aula. Caberia lembrar-me, para poder continuar, que inventei metade deste curso de especialização (a parte imagem e sociedade) e tornei-me refém da outra metade (cinema) - a qual bem não eh minha area de concentracao de pesquisa. Não seria meu projeto, caberia igualmente lembrar-me, o de fazê-lo, mas não havendo outra pessoa disponivel, em meu departamento, nesse momento, para desenvolvê-lo e sendo evidente que se tratava de um projeto importante, aceitei repensa-lo, implementa-lo, coordena-lo. E aqui estamos, devendo eu recolher os fragmentos de um pensamento ainda em curso para transforma-los em ...curso. Ou melhor, em aulas. Provavelmente meus alunos estranharão o "modelo" que sera empregado, cabendo antes de tudo especificar que o objetivo destas aulas sera elaborar uma "compreensão" a respeito de um modo de pensar a imagem e "interpretar" que isto tem a haver com sociedade, com cinema e com Amazônia. Em outras palavras, elaborar uma critica da metafisica imag?tica ocidental - ocidental, pois é este o acima referido "modo de pensar a imagem". E isto dito caberia lembrar que a metade do curso que inventei procura introduzir sociologia - sociologia compreensiva - num curso que pensaria apenas em cinema. Passagem amplexa da noção de cinema para a de imagem. Mas, enfim, acabei agora ha pouco de preparar a primeira aula, a qual acontecera as 19 horas de hoje. Cinco folhas de plano de aula e um caderno com anotações. Alias, o que é um grande problema, porque levei dois meses para preparar a primeira aula - e ela resultou imperfeitamente num plano - e ainda não comecei a pensar na segunda aula, que acontece depois de amanhã. Bom, é isto uma alegoria. De fato na primeira aula esta o objeto central do curso, amplexo e problematico, cabendo à segunda e às demais aulas organiza-lo.
O mundo está estarrecido com com o genocídio Yanomami. As imagens chocantes atravessam o planeta e atestam o que todos já sabiam: houve genocídio. E não há como Jair Bolsonaro não ser imputado por esse crime. Dados obtidos pela plataforma SUMAÚMA mostram que, durante o governo Bolsonaro, o número de mortes de crianças com menos de 5 anos por causas evitáveis aumentou 29% no território Yanomami. Foram 570 crianças mortas, em 4 anos, por doenças que têm tratamento. E isso pode não ser tudo, porque o conjunto das terras indígenas em território brasileiro sofreu, ainda de acordo com o Suamúma, um verdadeiro apagão estatístico durante o governo de extrema direita. O legado de Bolsonaro é um dos mais aviltantes da história do Brasil. Não é de hoje que as terras Yanomami, onde vivem quase 30 mil pessoas indígenas, são agredidas pela especulação do garimpo ilegal, da pecuária ou da cultura do arroz, mas nunca se viu um apoio tão grande do Estado brasileiro a essas atividades....
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