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O tema das “representações sociais”, em Moscovici

A noção de representações sociais tem sua origem na noção durkheimiana de simbolismo social. Procurando identificar os processos constituintes das produções mentais sociais, Durkheim fala em elementos de “ idealizações coletivas”. Efetivamente, seu objeto imediato, nesse trabalho de 1898, se refere às representações individuais. Procurando comprovar a realidade e a autonomia dos fenômenos psíquicos e, assim, combater a idéia de uma origem mecaniscista e linear dos fenômenos da subjetividade – o biologismo, ou fisiologismo, social – Durkheim refutou toda concepção organiscista da consciência. O que se chamava então de vida mental – e, portanto, as representações – teria, a seu ver, uma total independência do substrato bio-neurológico, tese cujas conclusões apontarão, ao final do artigo, para a dimensão social das idealizações, ou seja, para independência biológica das representações coletivas.

A escola durkheimiana marcou-se pela exploração das subjetividades sociais, influenciando em diversos outros movimentos intelectuais, dentre os quais a Ecole des Annales, o estudos do desenvolvimento cognitivo empreendido por Piaget e seus sucessores, o interacionismo simbólico de Levy-Bruhl e o estruturalismo, dentre outros. O caminho aberto por Durkheim, assim, desdobrou-se em explorações diversas e mesmo antagônicas, quase todas desenvolvendo algum conceito equivalente ao de representação social.

A noção aqui tematizada dialoga igualmente com essa tradição, aproximando-se também à fenomenologia. Trata-se da noção de representação social desenvolvida por Sergio Moscovici. Moscovici explorou o conceito durkheimiano, elaborando, com sua obra de 1961, um marco teórico e metodológico referencial para os estudos do fenômeno. Sinteticamente, pode-se dizer que o estudo das representações sociais, a partir desse marco, se interessa pelas regras que regem os pensamentos coletivos e, portanto, a subjetividade manisfesta. O campo aberto por esse interesse volta-se para as visões de mundo, para os espíritos do tempo, para o senso comum, para os consensos e estereótipos, crenças e preconceitos, para o pensamento banal, para o pensamento “naïf”, para o quotidiano, enfim. Ou seja, para sistemas de saberes práticos. Em acréscimo, Moscovici insiste na especificidade do fenômeno nas sociedades contemporâneas, marcadas pela intensidade e fluidez das trocas simbólicas pela via dos atuais aparelhos mediáticos.

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