Um dos temas importantes do seminário de ontem foi a idéia de singularidade. O texto que debatemos, do Enildo Stein, situa o fenômeno da singularidade no campo psicanálise e, portanto, ao nivel do sujeito. Porém, por meio do jogo entre "história contada" e "história não contada", colocamos a questão ressaltando que há uma diferença entre a singuralidade contada, equivalente a uma "identificação", e a singularidade não contada, presente no interstício. Um interstício, observe-se, que pode ser lido pela psicanálise. Bom, a singularidade é, talvez, o objeto central da psicanálise. Com a psicanálise estabelece-se a possibilidade de um conhecimento sobre a singularidade do ser humano. Os protagonistas desse processo são o enfermo e sua enfermidade, mas também o terapeuta. A base desse processo está assentada na descoberta do inconsciente. Bom, ocorre que a psicanálise não constitui o horizonte metodológico do Laboratório, posto que nosso campo de investigação se centra numa perspectiva sociológica, embora seja, a psicanálise, uma fonte permanete de inspiração. Então, que seria o tema da singularidade colocado sob o ponto de vista dos atores sociais grupais?, das coletividades?, dos processos sociais de indentificação e de produção dos sentidos identitários?
O mundo está estarrecido com com o genocídio Yanomami. As imagens chocantes atravessam o planeta e atestam o que todos já sabiam: houve genocídio. E não há como Jair Bolsonaro não ser imputado por esse crime. Dados obtidos pela plataforma SUMAÚMA mostram que, durante o governo Bolsonaro, o número de mortes de crianças com menos de 5 anos por causas evitáveis aumentou 29% no território Yanomami. Foram 570 crianças mortas, em 4 anos, por doenças que têm tratamento. E isso pode não ser tudo, porque o conjunto das terras indígenas em território brasileiro sofreu, ainda de acordo com o Suamúma, um verdadeiro apagão estatístico durante o governo de extrema direita. O legado de Bolsonaro é um dos mais aviltantes da história do Brasil. Não é de hoje que as terras Yanomami, onde vivem quase 30 mil pessoas indígenas, são agredidas pela especulação do garimpo ilegal, da pecuária ou da cultura do arroz, mas nunca se viu um apoio tão grande do Estado brasileiro a essas atividades....
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