A aula será dedicada à leitura de alguns trechos – e à reflexão sobre eles – do primeiro texto indicado em nossa bibliografia obrigatória, o segundo capítulo de “Tudo que é sólido desmancha no ar”, de Marshall Berman. Nesse texto, Berman discute a possibilidade de uma leitura não ortodoxa do “Manifesto do Partido Comunista”, de Marx. No bojo dessa proposição está a possibilidade de vislumbrar um Marx “modernista”, por oposição ao Marx eminentemente economista, que opera uma denúncia fria dos fenômenos da modernidade. A reflexão de Berman parte da frase de Marx, encontrada no Manifesto, que descreve a modernidade como, justamente, um momento no qual “tudo que é sólido desmancha no ar”. Partiremos dessa proposição para estabelecer vínculos com os temas desenvolvidos nas aulas anteriores, notadamente a sensação de desumanização que decorre da experiência social de individuação.
O mundo está estarrecido com com o genocídio Yanomami. As imagens chocantes atravessam o planeta e atestam o que todos já sabiam: houve genocídio. E não há como Jair Bolsonaro não ser imputado por esse crime. Dados obtidos pela plataforma SUMAÚMA mostram que, durante o governo Bolsonaro, o número de mortes de crianças com menos de 5 anos por causas evitáveis aumentou 29% no território Yanomami. Foram 570 crianças mortas, em 4 anos, por doenças que têm tratamento. E isso pode não ser tudo, porque o conjunto das terras indígenas em território brasileiro sofreu, ainda de acordo com o Suamúma, um verdadeiro apagão estatístico durante o governo de extrema direita. O legado de Bolsonaro é um dos mais aviltantes da história do Brasil. Não é de hoje que as terras Yanomami, onde vivem quase 30 mil pessoas indígenas, são agredidas pela especulação do garimpo ilegal, da pecuária ou da cultura do arroz, mas nunca se viu um apoio tão grande do Estado brasileiro a essas atividades....
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