Fui ontem à missa de aniversário de minha amiga Edilza Fontes. Aos que acompanham a cena política paraense não deverá ter passado desapercebido o trecho escolhido para a primeira leitura da celebração. Foi Gênesis 13,2 5-18, que relata a separação entre os rebanhos de Abraão e Lot. Eram ambos ricos em ovelhas, pratas e ouro, e tinham muitos pastores cada um. A terra foi ficando escassa para tantos animais e isso começou a motivar atritos entre os pastores de cada lado. Então Abraão disse a Lot que eram irmãos, e não deviam brigar, porém era necessário que se separassem. “Se fores para a direita eu irei para a esquerda, e se fores para a esquerda eu irei para a direita”, disse Abraão, bem ao estilo retórico da Bíblia. Lot olhou para todos os lados e escolheu os campos mais férteis e aparentemente mais fáceis, às margens do rio Jordão. E foi se instalar aos pés das cidades de ...Sodoma e Gomorra. Bom, todos sabemos o que vai acontecer mais tarde. Já Abraão foi se instalar na região que sobrou, a mais árida, a menos promissora, Canaã. E todos sabemos o que vai acontecer mais tarde. Ah a política, ah os textos sagrados...
O mundo está estarrecido com com o genocídio Yanomami. As imagens chocantes atravessam o planeta e atestam o que todos já sabiam: houve genocídio. E não há como Jair Bolsonaro não ser imputado por esse crime. Dados obtidos pela plataforma SUMAÚMA mostram que, durante o governo Bolsonaro, o número de mortes de crianças com menos de 5 anos por causas evitáveis aumentou 29% no território Yanomami. Foram 570 crianças mortas, em 4 anos, por doenças que têm tratamento. E isso pode não ser tudo, porque o conjunto das terras indígenas em território brasileiro sofreu, ainda de acordo com o Suamúma, um verdadeiro apagão estatístico durante o governo de extrema direita. O legado de Bolsonaro é um dos mais aviltantes da história do Brasil. Não é de hoje que as terras Yanomami, onde vivem quase 30 mil pessoas indígenas, são agredidas pela especulação do garimpo ilegal, da pecuária ou da cultura do arroz, mas nunca se viu um apoio tão grande do Estado brasileiro a essas atividades....
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Sem olhar pra tras , por favor !