A conjunção desses dois elementos se deve à uma outra conjunção, embora não de um espelho com uma enciclopédia, como a que revelou Tlön a Borges, mas sim à conjunção entre o burocrático desvelar de minha colaboração atual ao Estado e a humana necessidade de ter um pouco de tempo para gastar à esmo, sem objetivos finalísticos precisos, sem planos de leitura ou escritura acordados com o CNPq, sem razões de Estado a incomodar e a zunir, como cabas superexcitadas que rodam em círculos em torno de nós. Tomei a decisão de me permitir as férias programadas inicialmente para julho e, de férias, ler por prazer, escrever por prazer, ver um excesso comprometedor de filmes e tentar dar um jeito na falta de racionalidade da J, cachorra que minha filha, sem consentimento meu, trouxe para casa.
O mundo está estarrecido com com o genocídio Yanomami. As imagens chocantes atravessam o planeta e atestam o que todos já sabiam: houve genocídio. E não há como Jair Bolsonaro não ser imputado por esse crime. Dados obtidos pela plataforma SUMAÚMA mostram que, durante o governo Bolsonaro, o número de mortes de crianças com menos de 5 anos por causas evitáveis aumentou 29% no território Yanomami. Foram 570 crianças mortas, em 4 anos, por doenças que têm tratamento. E isso pode não ser tudo, porque o conjunto das terras indígenas em território brasileiro sofreu, ainda de acordo com o Suamúma, um verdadeiro apagão estatístico durante o governo de extrema direita. O legado de Bolsonaro é um dos mais aviltantes da história do Brasil. Não é de hoje que as terras Yanomami, onde vivem quase 30 mil pessoas indígenas, são agredidas pela especulação do garimpo ilegal, da pecuária ou da cultura do arroz, mas nunca se viu um apoio tão grande do Estado brasileiro a essas atividades....
Comentários
Já imagino que este, deva ser pra ti, o maior desafio... rsrsrss
Boa sorte!