Uma das vítimas da crise econômica foi a própria teoria econômica, ou, mais precisamente, a macroeconomia. Quem diz é a última edição de The Economist. Vejam só. O texto cita Paul Krugman, nobel de economia 2008 que, polemicamente, afirmou que a macroeconomia, nos últimos 30 anos, foi na melhor das hipóteses inútil. E, na pior delas, prejudicial. Krugman também diz que é necessário que o macro inclua no seu inventário de análise o elemento “finanças”, e que o contrário também aconteça. Eis uma lição preciosa: não se governa com números se os números não são verdadeiros e nem precisos. Tem que haver uma correlação, as finanças públicas têm que compreender o Estado, o político, o real e o projeto.
O mundo está estarrecido com com o genocídio Yanomami. As imagens chocantes atravessam o planeta e atestam o que todos já sabiam: houve genocídio. E não há como Jair Bolsonaro não ser imputado por esse crime. Dados obtidos pela plataforma SUMAÚMA mostram que, durante o governo Bolsonaro, o número de mortes de crianças com menos de 5 anos por causas evitáveis aumentou 29% no território Yanomami. Foram 570 crianças mortas, em 4 anos, por doenças que têm tratamento. E isso pode não ser tudo, porque o conjunto das terras indígenas em território brasileiro sofreu, ainda de acordo com o Suamúma, um verdadeiro apagão estatístico durante o governo de extrema direita. O legado de Bolsonaro é um dos mais aviltantes da história do Brasil. Não é de hoje que as terras Yanomami, onde vivem quase 30 mil pessoas indígenas, são agredidas pela especulação do garimpo ilegal, da pecuária ou da cultura do arroz, mas nunca se viu um apoio tão grande do Estado brasileiro a essas atividades....
Comentários
A macro já incluiu a dimensão financeira faz mais de 30 anos, é só dar uma olhada nos textos do Hyman Minsky.
O problema do Krugma e da turma ortodoxa da qual ele faz parte (Novos Keynesianos) é que os caras não admitem a pluralidade, isso faz com que se recusem a dialogar com os macroeconomistas Pós-Keynesianos.
A última edição do livro do Mynsky, publicada ano passado no EUa vem com uma citação do The Wall Street Journal:
"Hyman Minsky spent much of his career advancing the idea that financial systems are inherently susceptible to bouts of speculation that, is they last long enough, end in crises... Indeed, the Minsky Moment has become a catch phrase on the Wall Street."
Depois da leitura do Mynsky, uma visita a Jean Kregel e Paul Davidson poderiam ajudar a entender que a macroeconomia não se resume aos ensinamentos ortodoxos.
Vigo, vulgo Almereyda