Não, há ainda um outro comentário a fazer sobre o trabalho de Koizumi. Diz respeito ao tema da privatização como aspecto das políticas neoliberais. Koizumi demonstrou o que nosso camarada José Raimundo Trindade, secretário de fazenda do governo Ana Júlia, teorizou numa oportunidade, meses atrás. Não é normal que eu concorde com o Zé, mas o fato é que ele tem tiradas interessantes e uma delas vai na direção da experiência de Koizumi. Disse Zé, e Koizumi demonstrou, que o verdadeiramente ruim não é a privatização dos serviços públicos, mas sim a patrimonialização dos mesmos. Ou seja, a transferência do serviço público a empresas privadas que, normalmente, possuiam uma relação com a estrutura de classe, com a estrutura política que estava ocupando o poder. Isso viu-se no Japão durante todos os anos 1990, quando a receita neo-liberal foi ali praticada e isso viu-se na experiência central e visceral do PSDB no Brasil e no Pará: a privatização servir de pretexto à patrimonialização do bem e do serviço público.
O mundo está estarrecido com com o genocídio Yanomami. As imagens chocantes atravessam o planeta e atestam o que todos já sabiam: houve genocídio. E não há como Jair Bolsonaro não ser imputado por esse crime. Dados obtidos pela plataforma SUMAÚMA mostram que, durante o governo Bolsonaro, o número de mortes de crianças com menos de 5 anos por causas evitáveis aumentou 29% no território Yanomami. Foram 570 crianças mortas, em 4 anos, por doenças que têm tratamento. E isso pode não ser tudo, porque o conjunto das terras indígenas em território brasileiro sofreu, ainda de acordo com o Suamúma, um verdadeiro apagão estatístico durante o governo de extrema direita. O legado de Bolsonaro é um dos mais aviltantes da história do Brasil. Não é de hoje que as terras Yanomami, onde vivem quase 30 mil pessoas indígenas, são agredidas pela especulação do garimpo ilegal, da pecuária ou da cultura do arroz, mas nunca se viu um apoio tão grande do Estado brasileiro a essas atividades....
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