O "L'Osservatore Romano", o jornal oficial do Vaticano, fez grandes elogios, recentemente, a Oscar Wilde. Considerou-o "uma das personalidades do século XIX que com mais lucidez analisou o mundo moderno nos seus aspectos perturbadores mas também nos seus aspectos mais positivos". Estarei eu ficando doido? Estará o Vaticano se modernizando? O "The Times", onde leio essa notícia, ironiza o jornal do Vaticano dizendo que Wilde é "um herói católico tão provável como Pôncio Pilatos", lembrando também que o padre Leonardo Sapienza, chefe de protocolo do Vaticano, reuniu algumas frases de Wilde numa coletânea de máximas que editou e publicou. Parece que se trata de um movimento pró-ativo (sic) de reabilitação. Mas... chegaremos um dia à beatificação? Lembremos que Wilde, que dizia que "a única forma de nos libertarmos de uma tentação é cedermos a ela", converteu-se no fim da vida ao catolicismo. E que considerava essa religião como uma fé destinada "apenas a santos e a pecadores" (ele próprio) e que "para as pessoas respeitáveis a Igreja anglicana é suficiente".
O mundo está estarrecido com com o genocídio Yanomami. As imagens chocantes atravessam o planeta e atestam o que todos já sabiam: houve genocídio. E não há como Jair Bolsonaro não ser imputado por esse crime. Dados obtidos pela plataforma SUMAÚMA mostram que, durante o governo Bolsonaro, o número de mortes de crianças com menos de 5 anos por causas evitáveis aumentou 29% no território Yanomami. Foram 570 crianças mortas, em 4 anos, por doenças que têm tratamento. E isso pode não ser tudo, porque o conjunto das terras indígenas em território brasileiro sofreu, ainda de acordo com o Suamúma, um verdadeiro apagão estatístico durante o governo de extrema direita. O legado de Bolsonaro é um dos mais aviltantes da história do Brasil. Não é de hoje que as terras Yanomami, onde vivem quase 30 mil pessoas indígenas, são agredidas pela especulação do garimpo ilegal, da pecuária ou da cultura do arroz, mas nunca se viu um apoio tão grande do Estado brasileiro a essas atividades....
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