Mercadante recuou. Sua decisão de permanecer na liderança do PT no Senado mostrou ambivalência e fraqueza. Num plano mais profundo, mostrou do que é capaz o pragmatismo, na política. Mercadante errou. Perdeu boa parte de sua condição de permanência como líder do PT, desgastou sua capacidade de interlocução e despendeu parte de suas próprias reservas políticas. E o PT com ele, embora não o Lulismo. Mais uma vez se coloca o problema paradoxal da política, que é a diferença entre o curto prazo, excessivamente mesquinho, e o longo prazo, excessivamente incerto. O que não sei é se o pragmatismo é um valor que tem sentido somente no curto prazo.
Um amigo me pergunta se acho que Lula deve ser candidato a presidente, mesmo com a prisão. Respondo que sim, porque não tem sentido ser diferente. Lula não ser candidato seria de uma deslealdade imperdoável do PT para com ele. A pergunta, na verdade, respondo ao meu amigo, é sobre quem deve ser o vice de Lula, porque quase tão certo como Lula ser o candidato do PT, é a possibilidade de que a justiça eleitoral casse a sua candidatura, sendo lógico, nesse caso, que seu vice assuma a cabeça de chapa. E, como sabemos como o bloco golpista joga, eles provavelmente farão isso o mais tarde possível, procurando inviabilizar que o PT chegue ao segundo turno. Nesse cenário, a tendência é que o PT venha com uma chapa “puro-sangue”. Provavelmente com Haddad para vice. Eventualmente com Jacques Wagner ou Patrus Ananias e, um pouco menos provavelmente, com Celso Amorim. Meu amigo, que não é do PT, viu claros sinais de que Lula, naqueles momentos heróicos antes da prisão, te...
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Abs.
Danilo