Pular para o conteúdo principal

Estética, Comunicação e Cultura Contemporânea

Amanhã começa o curso que ministro neste semestre na Faculdade de Comunicação: Estética, Comunicação e Cultura Contemporânea.

O curso

O curso discute, em primeiro lugar, a limitação do debate sobre a Estética. Procura perceber a motivação platônico-aristotélica na colocação do problema sobre a natureza do belo pela filosofia e pelo senso comum que dela deriva. Essa motivação estaria presente tanto nos fundamentos clássicos da disciplina estética como na sociologia clássica. Vamos explicá-la, procurando destacar seu diálogo com a metafísica ocidental dominante. Em seguida, exporemos os elementos que podem fazer a crítica desse debate, procurando construir um outro referencial paradigmático para responder à indagação sobre a natureza do belo. Observaremos a presença desse referencial na tradição da alegoria e nas práticas sociais que, historicamente, escaparam à classificação fechada da Estética. Também observaremos a proximidade da Estética com a Ética (embora não, certamente, com a Ética também dominada pela tradição metafísica platônico-aristotélica) e proporemos, enfim, um modelo metodológico para colocar a questão do belo sem o conjunto de amarras que, historicamente, tanto o limitaram. Em todo o curso, nosso foco é a cultura contemporânea, com suas dinâmicas e construções autoreflexivas. Interessa-nos a cultura pop, o banal, o cotidiano, o efêmero, a cópia e a referência. Dessa maneira, ao longo de todo o curso procuraremos colocar o debate em curso sobre a pós-modernidade e sobre a função da alegoria nas sociedades atuais.

Programa

Aula Inicial: Introdução ao problema abordado no curso.

Bloco 1
Teorias e referenciais filosóficos sobre a Estética

Aula 1: O problema da Estética colocado pelos gregos
Aula 2: O problema da Estética recolocado pelos filósofos cristãos
Aula 3: As Estéticas clássicas 1: Kant
Aula 4: As Estéticas clássicas 2: Hegel
Aula 5: As Estéticas clássicas 3: Schoppenhauer

Bloco 2
O problema da Estética colocado à sociedade contemporânea

Aula 6: O problema da Alegoria colocado por Benjamin
Aula 7: O horizonte barroco da pós-modernidade
Aula 8: A sociedade contemporânea como simulacro e repetição
Aula 9: As relações sociais, os sistemas de reprodução e o gosto
Aula 10: Estéticas da pós-modernidade

Bloco 3
Por uma sociologia capaz de compreender a obra e arte

Aula 11: Os 4 grandes erros do pensamento sobre a Estética
Aula 12: Proposição paradigmática: Estética, Ética e o horizonte do sentir coletivo
Aula 13: Consideração teórica 1: Estética, Sociabilidade e Socialidade
Aula 14: Consideração teórica 2: Estética, Subjetividade e Intersubjeividade
Aula 15: Consideração teórica 3: Estética, Identidade e Identificação

Bloco 4
Sociologia Estética do pop, da mídia, da referência, da cópia e do banal.

Nesta unidade do curso teremos cerca de 10 aulas nas quais aplicaremos a crítica e o método analítico desenhados anteriormente. Veremos filmes, imagens e ouviremos arquivos musicais, leremos textos e discutiremos a bibliografia trabalhada. Outras aulas serão destinadas à avaliações e complemento dos conteúdos.


Bibliografia

BENJAMIN, W. A Obra de arte na era da sua reprodutibilidade técnica. In: Obras escolhidas, vol. I. SP: Brasiliense, 1984.
CASTRO, F. F. de. Por uma sociologia capaz de compreender a obra de arte. Arq. Digital, Belém, 2007.
DUVIGNAUD, J. Sociologia da arte. RJ/SP: Forense, 1970.
GOMBRICH, E. H. A História da arte, 16ª ed. SP: LTC, 2006.
HANSEN, J.A. Alegoria. Construção e interpretação da metáfora. Campinas, Hedra/Unicamp, 2006.
NUNES, Benedito. Introdução à filosofia da arte. SP: Ática, 1991.
OSBORNE, Harold. Estética e teoria da arte. Uma introdução histórica. SP: Cultrix, sd.

Comentários

Ana Paula disse…
Professor,

O acesso ao curso? Como poderíamos ter mais informações sobre as ralizações destes cursos?
Jumara Cardoso disse…
Puxa, professor, gostaria muito de poder assistir a essas aulas como ouvite.
hupomnemata disse…
Ana Paula e Jumara,
Universidade pública, curso público. Todas as 3as e 5as, uma turma de 8 às 9h40 e outra de 10h00 às 11h40. Fiquem à vontade.

Postagens mais visitadas deste blog

Solicitei meu descredenciamento do Ppgcom

Tomei ontem, junto com a professora Alda Costa, uma decisão difícil, mas necessária: solicitar nosso descredenciamento do Programa de pós-graduação em comunicação da UFPA. Há coisas que não são negociáveis, em nome do bom senso, do respeito e da ética. Para usar a expressão de Kant, tenho meus "imperativos categóricos". Não negocio com o absurdo. Reproduzo abaixo, para quem quiser ler o documento em que exponho minhas razões: Utilizamo-nos deste para informar, ao colegiado do Ppgcom, que declinamos da nossa eleição para coordená-lo. Ato contínuo, solicitamos nosso imediato descredenciamento do programa.     Se aceitamos ocupar a coordenação do programa foi para criar uma alternativa ao autoritarismo do projeto que lá está. Oferecemos nosso nome para coordená-lo com o objetivo de reverter a situação de hostilidade em relação à Faculdade de Comunicação e para estabelecer patamares de cooperação, por meio de trabalhos integrados, em grupos e projetos de pesquisa, capazes de...

Eleições para a reitoria da UFPA continuam muito mal

O Conselho Universitário (Consun) da UFPA foi repentinamente convocado, ontem, para uma reunião extraordinária que tem por objetivo discutir o processo eleitoral da sucessão do Prof. Carlos Maneschy na Reitoria. Todos sabemos que a razão disso é a renúncia do Reitor para disputar um cargo público – motivo legítimo, sem dúvida alguma, mas que lança a UFPA num momento de turbulência em ano que já está exaustivo em função dos semestres acumulados pela greve. Acho muito interessante quando a universidade fornece quadros para a política. Há experiências boas e más nesse sentido, mas de qualquer forma isso é muito importante e saudável. Penso, igualmente, que o Prof. Maneschy tem condições muito boas para realizar uma disputa de alto nível e, sendo eleito, ser um excelente prefeito ou parlamentar – não estou ainda bem informado a respeito de qual cargo pretende disputar. Não obstante, em minha compreensão, não é correto submeter a agenda da UFPA à agenda de um projeto específico. A de...

Genocídio Yanomami: Bolsonaro não pode escapar

O mundo está estarrecido com com o genocídio Yanomami. As imagens chocantes atravessam o planeta e atestam o que todos já sabiam: houve genocídio. E não há como Jair Bolsonaro não ser imputado por esse crime.  Dados obtidos pela plataforma SUMAÚMA  mostram que, durante o governo Bolsonaro, o número de mortes de crianças com menos de 5 anos por causas evitáveis aumentou 29% no território Yanomami. Foram 570 crianças mortas, em 4 anos, por doenças que têm tratamento. E isso pode não ser tudo, porque o conjunto das terras indígenas em território brasileiro sofreu, ainda de acordo com o Suamúma, um verdadeiro apagão estatístico durante o governo de extrema direita.  O legado de Bolsonaro é um dos mais aviltantes da história do Brasil. Não é de hoje que as terras Yanomami, onde vivem quase 30 mil pessoas indígenas, são agredidas pela especulação do garimpo ilegal, da pecuária ou da cultura do arroz, mas nunca se viu um apoio tão grande do Estado brasileiro a essas atividades....