Pular para o conteúdo principal

Heranças à Esquerda 47

Esquerda brasileiras 17: O PT 7: Os trotskysmos do PT: O Trabalho.

A tendência O Trabalho surgiu em 1976, com o nome de Organização Socialista Internacional (OSI). Resultava da fusão da Organização Marxista Brasileira com o Grupo Comunista Primeiro de Maio. Seu braço estudantil era o Libelu (Liberdade e Luta).

O Trabalho fez um movimento impressionante, em seu processo político, de repúdio e aproximação ao PT. Nos anos 70 postura era de completa intransigência. Considerava o PT como uma “articulação burguesa”. Em poucos anos apenas, já o via como “instrumento revolucionário”. Essa mudança de posição não se deve a uma futilidade política e nem, tampouco, a uma “evolução crítica”, mas sim a uma opção tática, absolutamente pragmática.

Em 1980 o grupo decidiu entrar no PT e se formar como tendência interna. A denominação O Trabalho foi adotada em 1986, depois de se chamar, durante dois anos, Fração IV Internacional.  Iniciou, em seguida, um movimento de aproximação à Articulação – aliás nada fácil, porque a tendência dominante do partido considerava a “corte” feita pelo Trabalho, como simples oportunismo.

Aos poucos, a solução encontrada pelo Trabalho para efetivar seu movimento tático foi a própria dissolução como tendência, o que aconteceu a partir de 1987, com a progressiva saída de quadros na direção da Articulação. No ano anterior a tendência havia logrado eleger deputada estadual, em São Paulo, uma de suas dirigentes principais, Clara Ant. Esse fato contribuiu para aproximar bastante a tendência aos dirigentes da Articulação, principalmente ao núcleo sindicalista, liderado por Lula e, assim, facilitar o processo migratório.

Um outro fator que pesou para esse encaminhamento foi a crise internacional deflagrada, entre os grupos filiados à IV Internacional - Centro Internacional de Reconstrução, quando uma parte significativa do diretório dessa instituição rompeu com o dirigente principal, Pierre Lambert, evento ocorrido também em 1987.

Porém, acho curioso observar como, em meio à crise do mundo soviético, o Trabalho, ao contrário das outras principais tendências trotskystas do PT, a Convergência Socialista (CS) e a Democracia Socialista (DS), que se fortaleceram politicamente nesse processo, prosseguiu seu caminho de dissolução.

Essas mudanças foram saudadas por todos os trotskystas como a possibilidade de recuperar a idéia original do socialismo – na medida em que a crise não é do socialismo, é do stalinismo. Pelo Trabalho também, evidentemente, mas o processo de integração com a Articulação tornava imperativa, aparentemente,a dinâmica tática adotada.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Conjunturas I

Um amigo me pergunta se acho que Lula deve ser candidato a presidente, mesmo com a prisão. Respondo que sim, porque não tem sentido ser diferente. Lula não ser candidato seria de uma deslealdade imperdoável do PT para com ele. A pergunta, na verdade, respondo ao meu amigo, é sobre quem deve ser o vice de Lula, porque quase tão certo como Lula ser o candidato do PT, é a possibilidade de que a justiça eleitoral casse a sua candidatura, sendo lógico, nesse caso, que seu vice assuma a cabeça de chapa. E, como sabemos como o bloco golpista joga, eles provavelmente farão isso o mais tarde possível, procurando inviabilizar que o PT chegue ao segundo turno. Nesse cenário, a tendência é que o PT venha com uma chapa “puro-sangue”. Provavelmente com Haddad para vice. Eventualmente com Jacques Wagner ou Patrus Ananias e, um pouco menos provavelmente, com Celso Amorim. Meu amigo, que não é do PT, viu claros sinais de que Lula, naqueles momentos heróicos antes da prisão, te...

Solicitei meu descredenciamento do Ppgcom

Tomei ontem, junto com a professora Alda Costa, uma decisão difícil, mas necessária: solicitar nosso descredenciamento do Programa de pós-graduação em comunicação da UFPA. Há coisas que não são negociáveis, em nome do bom senso, do respeito e da ética. Para usar a expressão de Kant, tenho meus "imperativos categóricos". Não negocio com o absurdo. Reproduzo abaixo, para quem quiser ler o documento em que exponho minhas razões: Utilizamo-nos deste para informar, ao colegiado do Ppgcom, que declinamos da nossa eleição para coordená-lo. Ato contínuo, solicitamos nosso imediato descredenciamento do programa.     Se aceitamos ocupar a coordenação do programa foi para criar uma alternativa ao autoritarismo do projeto que lá está. Oferecemos nosso nome para coordená-lo com o objetivo de reverter a situação de hostilidade em relação à Faculdade de Comunicação e para estabelecer patamares de cooperação, por meio de trabalhos integrados, em grupos e projetos de pesquisa, capazes de...

A publicidade governamental do Governo Jatene, a Griffo, o jornalismo paraense...

Há alguns dias a jornalista Ana Célia Pinheiro, do blog A Perereca da Vizinha  anunciava que começaria uma guerra contra a comunicação do Governo Jatene :  Vamos agora jogar num rítmo novo, com algumas “surpresinhas” – ou vocês não gostam de surpresinhas, “coleguinhas”? “Coleguinhas” é um coloquialismo usado pelos jornalistas de Belém para se referirem, com cinismo, ao cinismo de seus colegas, dos quais não se costuma esperar senão o fogo amigo. Os posts começaram, em seguida, construindo  um perfil de Orly Bezerra , proprietário da Griffo, a agência de publicidade responsável pelo marketing do PSDB no Pará. Hoje, Ana Célia Pinheiro publicou  um post com o levantamento dos repasses de dinheiro público do Governo Jatene para a Griffo : R$ 70 milhões - e penduricalhos, como empregos a parentes. O post também questiona a idoneidade do processo licitatório que levou a Griffo a mais uma situação de dominação das contas da comunicação governamental, no Pará...