Pular para o conteúdo principal

Política de comunicação 20: A TV Pública 1

Um dos principais temas da política de comunicação no Brasil é a questão da TV pública. Apenas este ano foi efetivada a transmissão simultânea da Rede Nacional de Comunicação Pública (RNCP), que passou a levar a TV Brasil a cerca de 100 milhões de pessoas.
Antes, o Brasil não tinha uma rede nacional de televisão, ao contrário de praticamente todos os outros países do mundo, inclusive os Estados Unidos, que possuem a PBS, um canal importante tanto pela audiência como por sua função no sistema nacional de educação.
De onde vem essa incivilidade brasileira? Basicamente da prática mais incivilizada da formação econômica e social do país, que é o maldito hábito de se apropriar do bem público ou de dissimular os interesses públicos para privilegiar os interesses privados.
Não havia TV pública no Brasil porque os oligopólios da comunicação não permitiam. E o Estado nunca falou mais alto sobre esse assunto.
Nada contra os sistemas privados de comunicação (quer dizer, mais ou menos...), mas é necessário um sistema público. Da mesma forma, é necessário impedir que uma empresa possa atuar em diferentes setores da indústria da comunicação (como por exemplo ter um canal de TV, um jornal e uma emissora de rádio – ou muitos deles), impedir que as concessões sejam feitas sem a validação de um Conselho Nacional democrático e, portanto, como mera negociata política e impedir que os interesses econômicos das empresas prejudiquem, por meio de certas programações e publicidades, a cidadania, a democracia e ofendam aos princípios federativos.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Solicitei meu descredenciamento do Ppgcom

Tomei ontem, junto com a professora Alda Costa, uma decisão difícil, mas necessária: solicitar nosso descredenciamento do Programa de pós-graduação em comunicação da UFPA. Há coisas que não são negociáveis, em nome do bom senso, do respeito e da ética. Para usar a expressão de Kant, tenho meus "imperativos categóricos". Não negocio com o absurdo. Reproduzo abaixo, para quem quiser ler o documento em que exponho minhas razões: Utilizamo-nos deste para informar, ao colegiado do Ppgcom, que declinamos da nossa eleição para coordená-lo. Ato contínuo, solicitamos nosso imediato descredenciamento do programa.     Se aceitamos ocupar a coordenação do programa foi para criar uma alternativa ao autoritarismo do projeto que lá está. Oferecemos nosso nome para coordená-lo com o objetivo de reverter a situação de hostilidade em relação à Faculdade de Comunicação e para estabelecer patamares de cooperação, por meio de trabalhos integrados, em grupos e projetos de pesquisa, capazes de...

Eleições para a reitoria da UFPA continuam muito mal

O Conselho Universitário (Consun) da UFPA foi repentinamente convocado, ontem, para uma reunião extraordinária que tem por objetivo discutir o processo eleitoral da sucessão do Prof. Carlos Maneschy na Reitoria. Todos sabemos que a razão disso é a renúncia do Reitor para disputar um cargo público – motivo legítimo, sem dúvida alguma, mas que lança a UFPA num momento de turbulência em ano que já está exaustivo em função dos semestres acumulados pela greve. Acho muito interessante quando a universidade fornece quadros para a política. Há experiências boas e más nesse sentido, mas de qualquer forma isso é muito importante e saudável. Penso, igualmente, que o Prof. Maneschy tem condições muito boas para realizar uma disputa de alto nível e, sendo eleito, ser um excelente prefeito ou parlamentar – não estou ainda bem informado a respeito de qual cargo pretende disputar. Não obstante, em minha compreensão, não é correto submeter a agenda da UFPA à agenda de um projeto específico. A de...

Genocídio Yanomami: Bolsonaro não pode escapar

O mundo está estarrecido com com o genocídio Yanomami. As imagens chocantes atravessam o planeta e atestam o que todos já sabiam: houve genocídio. E não há como Jair Bolsonaro não ser imputado por esse crime.  Dados obtidos pela plataforma SUMAÚMA  mostram que, durante o governo Bolsonaro, o número de mortes de crianças com menos de 5 anos por causas evitáveis aumentou 29% no território Yanomami. Foram 570 crianças mortas, em 4 anos, por doenças que têm tratamento. E isso pode não ser tudo, porque o conjunto das terras indígenas em território brasileiro sofreu, ainda de acordo com o Suamúma, um verdadeiro apagão estatístico durante o governo de extrema direita.  O legado de Bolsonaro é um dos mais aviltantes da história do Brasil. Não é de hoje que as terras Yanomami, onde vivem quase 30 mil pessoas indígenas, são agredidas pela especulação do garimpo ilegal, da pecuária ou da cultura do arroz, mas nunca se viu um apoio tão grande do Estado brasileiro a essas atividades....