Assisti a Io Sono l'Amore, filme de Luca Guadagnino. A história se passa, um tanto simbolicamente, na passagem para o século XXI. Ainda que os personagens e a ambientação pertençam a esse grande estereótipo, jamais destruído, que é pertencerem a uma família italiana da alta burguesia industrial de Milão, o filme é muito interessante. Parte-se do cotidiano ritualista, algo típico a toda existência realmente burguesa e sua condição essencial de classe. Ritos meticulosos de vestir, comer, dar bom-dia, amar. Vai-se festejar o aniversário do patriarca e ele, por sua vez, pretende anunciar seu plano de sucessão na empresa da família. Tudo vai bem até aí. Sua família é legal: o filho, Tancredi, é dedicado à empresa familiar. A nora, Ema, é o modelo de esposa e mãe. Os netos, Elisabetta, Edoardo e Gianluca, são legais. Porém, chega na casa um visitante inesperado: Antonio, amigo de Edoardo, um jovem e charmoso chefe de cozinha. Então começa a desordem. Como se sabe, as famílias realmente burguesas esfacelam-se ao simples vento de uma novidade insólita. Pois não é que Ema apaixona-se perdidamente pelo cozinheiro Antonio? Quem conhece Pasolini aí encontrará muito Teorema. Mas, também, quem ama Visconti, encontrará o espírito precário de uma burguesia que se não alcança realmente nobre, ainda que o pretenda.
O mundo está estarrecido com com o genocídio Yanomami. As imagens chocantes atravessam o planeta e atestam o que todos já sabiam: houve genocídio. E não há como Jair Bolsonaro não ser imputado por esse crime. Dados obtidos pela plataforma SUMAÚMA mostram que, durante o governo Bolsonaro, o número de mortes de crianças com menos de 5 anos por causas evitáveis aumentou 29% no território Yanomami. Foram 570 crianças mortas, em 4 anos, por doenças que têm tratamento. E isso pode não ser tudo, porque o conjunto das terras indígenas em território brasileiro sofreu, ainda de acordo com o Suamúma, um verdadeiro apagão estatístico durante o governo de extrema direita. O legado de Bolsonaro é um dos mais aviltantes da história do Brasil. Não é de hoje que as terras Yanomami, onde vivem quase 30 mil pessoas indígenas, são agredidas pela especulação do garimpo ilegal, da pecuária ou da cultura do arroz, mas nunca se viu um apoio tão grande do Estado brasileiro a essas atividades....

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