Pular para o conteúdo principal

Sobre política cultural no Holofote Virtual 1

A entrevista que o Holofote Virtual fez comigo na semana passada também discutiu política cultural. Seguem alguns momentos:

Holofote Virtual: Há várias postagens abordando políticas culturais, um dos focos do blog. Falando nisso, na tua avaliação, como está a política cultural paraense?
Fábio Castro: No governo Ana Júlia foram feitos avanços importantes em 3 direções: 1) a ampliação da participação popular na discussão da política cultural; 2) a construção de um a política de editais e, consequentemente, uma democratização do acesso ao financiamento público da cultura; e 3) o rompimento do isolamento do Pará em relação as política culturais federais, por pura opção política da gestão Paulo Chaves (PSDB-DEM), que se recusava a firmar convênios com o MinC, numa atitude arrogante que prejudicou muito o estado.
A partir daí, obviamente, resta muito a fazer. Em meu modo de pensar, nada terá condições de ser feito num outro governo do PSDB. Numa outra gestão do PT é possível avançar, mas isso, obviamente, dependendo das circunstâncias políticas estabelecidas.
Holofote Virtual: E quais seriam os caminhos?
Fábio Castro: Em minha opinião, é preciso trabalhar para tornar a Secult um forte ator institucional, um forte ator político e um forte ator econômico. E isso quer dizer o seguinte: no plano institucional, é preciso auxiliar na elaboração dos Planos Municipais de Cultura, incentivar o diálogo intermunicipal e criar metodologia de aferição de indicadores culturais para o estado e se possível para outros estados amazônicos, produzi-los e divulgá-los.
No plano político, é preciso que a Secult atue como uma tribuna da voz social, da voz coletiva dos agentes culturais paraenses, fomentando a formação de fóruns, conselhos, audiências públicas e outras instâncias democráticas e dando voz à sociedade civil e, além disso, que ela também atue como um agente instigador da reflexão sobre identidades e territorialidades amazônicas.
No plano econômico, por fim, a estratégia deve ser a de produzir, em forte articulação com agentes públicos municipais, ações de fomento e dinamização da economia da cultura no estado do Pará, também atuando como instrumento regulador.
Mais aqui.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

A publicidade governamental do Governo Jatene, a Griffo, o jornalismo paraense...

Há alguns dias a jornalista Ana Célia Pinheiro, do blog A Perereca da Vizinha  anunciava que começaria uma guerra contra a comunicação do Governo Jatene :  Vamos agora jogar num rítmo novo, com algumas “surpresinhas” – ou vocês não gostam de surpresinhas, “coleguinhas”? “Coleguinhas” é um coloquialismo usado pelos jornalistas de Belém para se referirem, com cinismo, ao cinismo de seus colegas, dos quais não se costuma esperar senão o fogo amigo. Os posts começaram, em seguida, construindo  um perfil de Orly Bezerra , proprietário da Griffo, a agência de publicidade responsável pelo marketing do PSDB no Pará. Hoje, Ana Célia Pinheiro publicou  um post com o levantamento dos repasses de dinheiro público do Governo Jatene para a Griffo : R$ 70 milhões - e penduricalhos, como empregos a parentes. O post também questiona a idoneidade do processo licitatório que levou a Griffo a mais uma situação de dominação das contas da comunicação governamental, no Pará...

Solicitei meu descredenciamento do Ppgcom

Tomei ontem, junto com a professora Alda Costa, uma decisão difícil, mas necessária: solicitar nosso descredenciamento do Programa de pós-graduação em comunicação da UFPA. Há coisas que não são negociáveis, em nome do bom senso, do respeito e da ética. Para usar a expressão de Kant, tenho meus "imperativos categóricos". Não negocio com o absurdo. Reproduzo abaixo, para quem quiser ler o documento em que exponho minhas razões: Utilizamo-nos deste para informar, ao colegiado do Ppgcom, que declinamos da nossa eleição para coordená-lo. Ato contínuo, solicitamos nosso imediato descredenciamento do programa.     Se aceitamos ocupar a coordenação do programa foi para criar uma alternativa ao autoritarismo do projeto que lá está. Oferecemos nosso nome para coordená-lo com o objetivo de reverter a situação de hostilidade em relação à Faculdade de Comunicação e para estabelecer patamares de cooperação, por meio de trabalhos integrados, em grupos e projetos de pesquisa, capazes de...

Os quatro custos de dividir territorialmente o Pará

O custo da divisão Fábio Fonseca de Castro   A notícia de que o Governo do Estado vai contratar o IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), órgão ligado a Presidência da República, para renovar seus estudos sobre a divisão do Pará colocou em pauta, novamente, o tema da criação dos estados do Tapajós e Carajás. Alguns comentários a respeito.   Penso que dividir o Pará para governar melhor é uma possibilidade, mas não a qualquer custo. E que custos são esses? Bom, eles são quatro: os quatro custos da divisão territorial. O primeiro é custo da máquina, quanto se paga para os novos estados funcionarem? O segundo é o custo social: o que se perde em termos de investimentos em saúde, educação, segurança e emprego por causa, justamente, do custo da máquina. O terceiro é o custo institucional: a competição e a guerra fiscal que vai se instalar entre os três estados remanescentes. E, porfim, o quarto é o custo federativo, a situação de desequilíbrio político gerada.   Quem p...