É bom que o assunto esteja sendo debatido, porque desenterra absurdos, como a "bolsa Tiradentes", pensão vitalícia dada pela ditadura, em 1969, aos que seriam os "últimos três trinetos" do "mártir da Independência". Ou o caso do ventríloquo do Amazonas que, desde 2001, também recebe sua pensão. A "bolsa Tiradentes", vejam só, é um caso maluco. Sobrou uma trineta recebendo até hoje o benefício, que, a despeito de ser pequeno - 2 salários mínimos - está sendo requerido na justiça por mais de 200 pessoas que também se consideram descendentes de Tiradentes. Que coisa. No Amazonas ainda recebem pensão os poetas Luiz Bacellar e Thiago de Mello, o cantor e compositor Francisco Ferreira da Silva, o Chico da Silva, o ex-deputado estadual Paulo Pedraça Sampaio, o ex-vereador Moisés Pantoja de Lima e filhos do líder do movimento negro no Amazonas, já morto, Nestor José Soeiro Nascimento. Em relação aos três artistas (e mais o ventríloquo), penso que se configura um caso a parte, que merece ser olhado com mais atenção, já que são pessoas vivas que, com seu trabalho constroem um bem público de natureza imaterial que capitaliza todo o estado. Porém, em relação aos políticos...
O mundo está estarrecido com com o genocídio Yanomami. As imagens chocantes atravessam o planeta e atestam o que todos já sabiam: houve genocídio. E não há como Jair Bolsonaro não ser imputado por esse crime. Dados obtidos pela plataforma SUMAÚMA mostram que, durante o governo Bolsonaro, o número de mortes de crianças com menos de 5 anos por causas evitáveis aumentou 29% no território Yanomami. Foram 570 crianças mortas, em 4 anos, por doenças que têm tratamento. E isso pode não ser tudo, porque o conjunto das terras indígenas em território brasileiro sofreu, ainda de acordo com o Suamúma, um verdadeiro apagão estatístico durante o governo de extrema direita. O legado de Bolsonaro é um dos mais aviltantes da história do Brasil. Não é de hoje que as terras Yanomami, onde vivem quase 30 mil pessoas indígenas, são agredidas pela especulação do garimpo ilegal, da pecuária ou da cultura do arroz, mas nunca se viu um apoio tão grande do Estado brasileiro a essas atividades....
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